Aristides Henriques de Oliveira

A Divisão de Geologia e Mineralogia perdeu com grande pesar, em 1956, dois destacados técnicos, cujo passamento muito sentiram os seus colegas. Um deles foi o Engenheiro Aristides Henriques de Oliveira, falecido em 29 de junho.

Nasceu na cidade de Formiga, no Estado de Minas Gerais, a 18 de novembro de 1892 e era filho de José Henriques de Oliveira e de Dona Deolinda Josefa Pereira.

Formado pela Escola de Minas de Ouro Preto, em 1918, logo depois ingressou numa Cia. de Mineração de Manganês, na mesma cidade, e em seguida como engenheiro das Minas do Leão, mineração de carvão no Rio Grande do Sul.

Foi posteriormente engenheiro eletricista da Estrada de Ferro Oeste de Minas, em Lavras, e ao mesmo tempo professor de Topografia da Escola de Agronomia dessa cidade.

De 1922 a 1930 foi chefe do Serviço de Meteorologia, do Estado de Minas Gerais, ingressando no Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil em 12 de março de 1930, como geólogo ajudante, contratado para o serviço de sondagens.

Em 1932 foi nomeado, interinamente, Ajudante de Engenheiro, depois sub-assistente técnico, interino, da 4.ª Divisão Técnica, sendo em 1934 efetivado no cargo, por concurso de provas a que se submeteu, passando em 1937 a exercer o cargo de Engenheiro de Minas.

Em 1939 esteve em serviço de campo no Estado do Paraná, e de 1941 a 1942, em colaboração com o Engenheiro de Minas Alberto Ribeiro Lamego, executou levantamentos para a carta geológica do norte do Estado do Rio de Janeiro.

Esses levantamentos, a partir de 1943, foram estendidos para o norte até ao Estado do Espírito Santo, e para o sul até a Guanabara, neles continuamente trabalhando até o fim, nas Serras do Mar e da Mantiqueira e na Baixada Fluminense, com exceção de estudos que efetuou em 1944 na zona de Carangola, Espera Feliz e Manhuaçu, em Minas Gerais, e em 1945, em Vila Arapiranga e Rio de Contas na região central do Estado da Bahia.

Foi essencialmente como topógrafo que o Engenheiro Aristides Henriques de Oliveira se distinguiu, não obstante o grande acervo de informações geológicas que sempre trazia dos seus serviços de campo.

Praça São Sebastião, São João do Paraíso, R.J. em 1940 (Foto de Aristides Henriques de Oliveira)

Entre os seus trabalhos de cartografia destaca-se a extensa triangulação que desenvolveu sozinho, desde o Mestre Alvo, ao norte de Vitória, cobrindo todo o sul do Espírito Santo, até o Pico da Bandeira no Caparaó, e por grande parte da Serra do Mar e da Baixada Fluminense até a Guanabara, indo aos cumes da Serra dos Órgãos.

Firmada nessa triangulação, grandes áreas foram cartografadas nos dois Estados, com curvas de nível de 50 m em regiões altamente acidentadas.

Para os vértices dos seus triângulos não media sacrifícios, dormindo mesmo em altos picos, como o da Bandeira e o Desengano, sem a necessária proteção e em detrimento da saúde. Não era possível detê-lo nos serviços de campo aos quais sempre dedicava a maior parte dos meses do ano com voluntária abnegação.

Como trabalhos geológicos, além de numerosas investigações anexas à topografia, deve-se-lhe a descoberta de um importante maciço de rochas alcalinas, na serra do Sambé ao norte de Rio Bonito; no Estado do Rio, cujos afloramentos se estendem à serra de Braçanã de um lado indo até proximidades de Japuíba, e do outro à Venda das Pedras. Outro maciço alcalino também por ele descoberto foi o do Morro Grande, em Barra de São João, tendo ainda localizado blocos de sienito dentro da formação Barreiras em Rasa e Campos Novos, entre Barra de São João e Cabo Frio.

Os seus trabalhos de campo sempre utilizados nas publicações desta Divisão como base topográfica de mapas geológicos, tornam a sua contribuição valiosíssima para nossa geologia.

Fonte

  • Ministério da Agricultura; Departamento Nacional de Produção Mineral; Divisão de Geologia e Mineralogia; Alberto Ribeiro Lamego – Diretor; Relatório Anual do Diretor; Ano de 1956; Rio de Janeiro; Serviço Gráfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; 1956

Nota do Editor

  • Aristides Henriques de Oliveira era meu avô. Durante a sua permanência em campo trabalhando no norte do Estado do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais tirou diversas fotografias, tanto dos terrenos onde fez levantamentos topográficos e mineralógicos, quanto das cidades por onde passou. Coloquei diversas dessas fotografias no WikiMedia Commons, sob a licença Creative Commons Atribuição Compartilha Igual 3.0, para que todos possam usar estas fotografias mesmo comercialmente, desde que compartilhem da mesma forma. Acima e à direita está mostrada uma foto de meu avô tirada em São João do Paraíso.

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