Augusto Maurício de Queiroz Ferreira

Augusto Maurício é um estudioso da história e da paisagem do Rio de Janeiro, como o foram, antes dele, Joaquim Manuel de Macedo, Moreira de Azevedo, Vieira Fazenda, tantos outros.

Filho da formosa terra carioca, botafoguense da gema, ele aprendeu a amar a sua cidade com um amor enternecido e lírico, amor de namorado, amor de noivo…

Levado por esse sentimento, deliberou, certo dia, reconstituir um dos aspectos mais característicos da existência e da civilização da capital brasileira: a história dos seus tradicionais templos católicos. De tais reportagens é que ficou reformado este livro.

Este livro representa, assim, um livro de história e um livro de poesia. É de história pela preocupação minuciosa da verdade que nele achamos, pela documentação perfeita em que sempre se baseia. Augusto Maurício entregou-se, durante meses seguidos, a uma piedosa, infatigável tarefa: a de fazer uma romaria pelas igrejas do Rio, no intuito de obter os dados mais seguros acerca de cada uma delas. A tarefa era, muita vez, complicadíssima, pois muitas dessas igrejas não possuem mais os seus antigos arquivos – se é que algum dia os possuíram.

Para essas reconstituições, apelava Augusto Maurício para vários elementos. Socorria-se dos arquivos, toda vez que isso lhe era possível. Socorria-se também dos documentos encontrados nas obras dos historiadores do Rio de Janeiro, desde Pizarro e Araújo até Luiz Edmundo. Alguma vez socorria-se, até, de tradições orais. Com tais elementos pôde ele construir estas páginas. E aí está o trabalho do historiador.

Ao lado disto, porém, precedendo-o, esclarecendo-o, está a contribuição do amoroso, a do enamorado da cidade: e esta é pura poesia. Inspirado por ela é que o escritor nos evoca a paisagem peculiar de cada uma dessas igrejas. Inspirado por ela é que ele nos descreve o encanto, a doçura, a majestade de cada imagem sacrossanta, dentro de cada uma dessas igrejas.

Companheiro de redação de Augusto Maurício, eu vi nascer este livro. Segui passo a passo, com a mais viva simpatia, o esforço dedicado e sincero com que, cada semana, seu autor nos dava conta da biografia de alguma dessas velhas casas sagradas.

Induzido talvez pela extrema simpatia com que acompanhei o seu trabalho, acreditou Augusto Maurício que seria bom trouxesse o seu livro, em sua primeira página, algumas palavras minhas. Pura ilusão dele, sem dúvida, pois nada existe, neste mundo tão cheio de coisas inúteis, que seja mais desnecessário e obvio do que um prefácio.

Fiquem, entretanto, aqui, estas minhas palavras. Fiquem como o testemunho de alguém que pode dizer que este livro representa um esforço realmente grande e honesto para a reconstituição da história dos velhos, venerandos templos da cidade carioca.

Prefácio do livro Templos Históricos do Rio de Janeiro por Múcio Leão.

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