Jean Baptiste Debret

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Veio ao Brasil com outros artistas franceses contratados por D. João VI, para aqui fundarem uma Academia de Belas-Artes. Ficou célebre, em nossos anais, pelos seus benéficos resultados, essa chamada “Missão Artística de 1816”.

Debret passou quinze anos no Rio de Janeiro trabalhando intensamente. De volta à França publicou, em 1839, o resultado de suas observações da vida e da história brasileira numa obra que intitulou “Voyage Pittoresque et Hístoríque au Brêsil”, composta de três alentados volumes “in-folio” e ilustrados com 159 pranchas. No primeiro volume descreve principalmente os nossos indígenas, e nos dois últimos pinta cenas da vida cotidiana, aspectos de ruas e cenas históricas.

O valor dessas pranchas não é somente artístico, mas também documental. Debret quase sempre desenhava “d’après nature”[1], observando atentamente o modelo e reproduzindo-o fielmente. As cenas que ele reproduz são verdadeiras “fotografias”, fixando no papel, em verdadeiros “instantâneos”, as cenas da vida brasileira do século passado (XIX). Os acontecimentos históricos que ilustra, tais como a aclamação de D. Pedro I, a coroação, etc., são desenhados com verdadeiro rigor, pois são cenas que presenciou. Os personagens que nelas figuram estão retratados nos seus trajes exatos, com todos os detalhes.

Mas não são somente os desenhos de Debret que tornam sua obra um documento único para a história do Brasil. O texto que acompanha cada gravura, comentando-a e dizendo tudo o que a ilustração não pode exprimir, tem um valor documental ainda maior do que as próprias pranchas.

Nota do Editor

  1. antiquado – diz-se da obra de arte realizada diretamente a partir da natureza (Do francês d’après nature, «ao natural»). Infopédia.

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