Esboço Biográfico de Vieira Fazenda

Vieira Fazenda (*1847–†1917) – Fotografia do acervo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro

Índice

  1. Família
  2. Colégio de Pedro II
  3. Faculdade de Medicina
  4. Clínica Médica
  5. Intendente Municipal
  6. No Instituto Histórico
  7. Colaborador da “A Notícia”
  8. Associações a que pertenceu Vieira Fazenda
  9. Enfermidade e falecimento

Família

Filho legítimo de Antônio Cândido Daniel, português, natural da Ilha Terceira, e de Dona Rosa Maria Cândida Fazenda, brasileira, nasceu Vieira Fazenda a 28 de abril de 1847, segundo domingo da quaresma, no prédio de sobrado da Rua do Cotovelo n. 8.

Antônio Cândido Daniel viera muito moço para o Rio de Janeiro, adotando a nacionalidade brasileira. Aqui se casou com Dona Rosa Maria Cândida Fazenda, filha do negociante português José Vieira Fazenda, estabelecido há muito tempo com armazém de molhados naquela rua. Por falecimento de seu sogro, passou Antônio Cândido a dirigir a casa comercial, conseguindo, à custa de economias e trabalho, amontoar alguns haveres. Em 1847, figurava como único negociante de molhados no citado logradouro, conforme se vê do “Almanaque Mercantil e Industrial” (4.º ano), publicado por Eduardo e Henrique Laemmert (pág. 319).

A 24 de maio do mesmo ano batizou-se Vieira Fazenda na igreja matriz da freguesia de São José, oficiando na cerimônia o padre coadjutor José Homem do Amaral, no impedimento do vigário Bernardo José da Silva Veiga [1]. Foram padrinhos Joaquim José de Castro Araújo Sampaio e Nossa Senhora das Dores.

Do consórcio de Antônio Cândido Daniel e dona Rosa Maria Cândida Fazenda, nasceram os seguintes filhos: Antônio Cândido Daniel Fazenda, Rosa Daniel Fazenda, José Vieira Fazenda, Deolinda Daniel Fazenda e Guilherme Daniel Fazenda [2].

A primeira irmã de Vieira Fazenda casou-se com o médico Dr. João Antônio Kelly de Godói Botelho, falecido em 1883 [3].

A segunda, Dona Deolinda, casou-se com o Dr. Antônio Fernandes Pereira Portugal, médico clínico na Paróquia de São José, falecido a 24 de agosto de 1908 [4].

Em 1877, decorridos dezenove anos do falecimento de Antônio Cândido Daniel, sua viúva possuía na Rua do Cotovelo os seguintes prédios:

Número 13, moderno, e 17, antigo – térreo contíguo ao de João Lourenço Gomes de Carvalho e ao de Antônio Joaquim da Costa Macedo – o 1.º de sobrado, o 2.º térreo;

Número 17, moderno, e 23, antigo – contíguo ao de Costa Macedo e ao de Baltazar Rodrigues Gamboa – ambos térreos; e

Número 10, moderno, e 8, antigo – sobrado, onde nasceu Vieira Fazenda. (Informes extraídos da “Nova Numeração da Cidade do Rio de Janeiro” – Cruvelo Cavalcanti – 1.º vol. – pág. 159).

Naquele ano a Rua do Cotovelo principiava junto à Ladeira do Castelo, ficando o prédio n. 10 situado do lado direito. Com a mudança de direção, – do litoral para o interior – isto é, para o lado da encosta e subida do Morro do Castelo, o prédio passou a ter numeração ímpar, o que importa dizer, na face esquerda do logradouro.

Casa da Rua do Cotovelo, onde nasceu Vieira Fazenda, segundo tradição transmitida por contemporâneos do historiador.

Colégio de Pedro II

Ultimados os estudos primários no afamado Colégio Vitório, dirigido pelo Dr. Adolfo Manuel Vitório da Costa e Azevedo, pai do provecto professor Emídio Adolfo Vitório da Costa, situado à Rua dos Latoeiros (atual Gonçalves Dias), aos onze anos de idade, órfão de pai, passou Vieira Fazenda, em 1858, a morar com sua mãe em companhia da família de Antônio José Tavares da Silva, amigo dedicado de seus progenitores. [5]

Nesse ano, matriculou-se o jovem estudante no externato do Imperial Colégio de Pedro II e dois meses depois transferiu a matrícula para o internato, criado por decreto de 24 de outubro de 1857. [6]

Foram mestres de Vieira Fazenda, entre outros, o professor José Francisco Halbout, autor da conhecida “Gramática Francesa”, Jorge Furtado de Mendonça, o geógrafo Pedro José de Abreu, Antônio Maria Corrêa de Sá e Benevides, José Ventura Bôscoli (de origem portuguesa), Felipe da Mota de Azevedo Corrêa, o romancista Joaquim Manuel de Macedo, Joaquim Caetano Fernandes Pinheiro e Lucindo Pereira dos Passos.

No internato teve por condiscípulos: Afonso Carlos Moreira, Custódio Américo dos Santos [7]Francisco de Paula Rodrigues Alves (futuro Ministro de Estado e Presidente da República), Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo (grande paladino da libertação dos escravos e ilustrado orador e diplomata), Luiz Betim Pais Leme, Alfredo Moreira Pinto, (geógrafo e historiador, autor do “Dicionário Geográfico do Brasil”) e Carlos Artur Moncorvo de Figueiredo (notável médico pediatra).

O primeiro diretor do Internato, Dr. José Marcos de Almeida Rego, irmão do Barão de Lavradio (Dr. José Pereira Rego), procurou cercar-se de excelentes elementos e, instalado o Internato – escreve Escragnolle Dória – logrou um bom auxiliar, transferindo do cargo de vice-diretor do Externato, frei José da Purificação Franco.

“Contrabalança no Internato à bondade do reitor. Era disciplinador – atestou-o em 1914, antigo bacharel do internato – Vieira Fazenda, dizendo-nos pitorescamente na habitual bonomia de grande sabedor da história do berço natal” [8].

Nas crônicas “Chuva de pedra”, “Hinos da Independência”, “Órfãos de São Pedro”, “Santo Aleixo”, “São Joaquim” e “Trinta de Março de 1862”, revivem episódios, fatos e memórias do Internato, localizado na Chácara do Mota, à Rua São Francisco Xavier, esquina do Largo da Segunda-Feira.

Aos 18 anos de idade, bacharelou-se Vieira Fazenda em belas letras, realizando-se a cerimônia da entrega do diploma a 8 de dezembro de 1865, no mesmo ano em que chegavam do teatro da guerra do Paraguai as primeiras notícias das vitórias dos nossos marinheiros e soldados, em Riachuelo, Mercedes, Cuevas e Uruguaiana.

Secretário do Instituto dos Bacharéis em Letras (instalado em 1863), elaborou dois interessantes trabalhos, submetidos à crítica daquele grêmio e denominados História da Cidade do Rio de Janeiro e Apontamentos para a História civil e eclesiástica do Rio de Janeiro. Estes estudos já revelavam os pendores do jovem bacharel para os assuntos de investigação histórica, que mais tarde o recomendariam ao apreço de seus concidadãos.

Faculdade de Medicina

A 15 de março de 1866 matriculou-se na Faculdade de Medicina, com mais de cinquenta estudantes, dos quais alguns deles eram seus colegas do Colégio de Pedro II.

Calouro de Alfredo Piragibe, Érico Marinho da Gama Coelho, João Batista de Lacerda, Henrique Samico, Antônio Alves do Rego, Pedro Afonso Franco, Oscar Bulhões, Lucindo dos Passos Filho, Benjamin Franklin Ramiz Galvão, Cândido Barata Ribeiro, Domingos José Freire, Luiz Feijó, Carlos Halfeld, João Joaquim Pizarro, José Pereira Rego Filho, João Pizarro Gabizo e Mota Maia.

Pela evolução normal no acesso às séries do curso médico, tornou-se Vieira Fazenda veterano de Chaves Faria, Oscar Vinelli, Vitorino Ricardo Barbosa Romeu, Neves Gonzaga, Ramiro Fortes Barcelos, Joaquim Duarte Murtinho, Lourenço da Cunha, Nuno Ferreira de Andrade e José Lopes da Silva Trovão.

No transcurso das lides acadêmicas, foi pensionista, por concurso, do Hospital da Santa Casa da Misericórdia. [9]

Doutor em medicina na turma de 1871, escolheram-no para orador na cerimônia da colação de grau, que se realizou sob a presidência do conselheiro Dr. José Martins da Cruz Jobim, senador do Império, lente catedrático, diretor da Faculdade, médico da casa imperial e um dos fundadores da Academia de Medicina.

A festividade da formatura, com a presença da Princesa Dona Isabel, então regente do trono, realizou-se no velho edifício do Recolhimento da Santa Casa, à Praia de Santa Luzia, a 9 de janeiro de 1872, após a missa celebrada com grande pompa na Igreja da Venerável Ordem Terceira de São Francisco de Paula.

Vieira Fazenda recorda o seu contato com o conselheiro Jobim em 1872 – precisamente cinquenta anos transcorridos do Fico, em 9 de janeiro de 1822: [10]

“Havia eu sido escolhido orador do ano e tinha como de praxe de submeter a minha arenga à crítica do diretor. Fiz-me anunciar receoso da má catadura do homem. Leu o discurso e no alto escreveu – Visto, depois de fazer algumas considerações sobre a conveniência de não ser recitado um tópico com referência à recusa feita pela República Argentina dos serviços de estudantes brasileiros por ocasião da mortífera epidemia que assolara Buenos Aires.”

A tese de doutorando em ciências médicas, datada de 27 de dezembro de 1871 e aprovada com distinção (impressa in-4.º gre., com 137 págs.), dedicou-a a treze colegas da turma, entre os quais o Dr. Caetano Joaquim da Silva Araújo, irmão do farmacêutico Luiz Eduardo da Silva Araújo, que teve grande ascendência no comércio de drogas, como fundador da reputada Farmácia Silva Araújo, na Rua Direita (atual Primeiro de Março). [11]

Versou a tese sobre “Mefitismo dos esgotos em relação à cidade do Rio de Janeiro e sua influência na saúde pública” [12]

Em 1874, foi refundida e republicada essa tese com o título “Dos esgotos da cidade do Rio de Janeiro”, nos números 16.º a 20.º e 22.º, da Revista Médica (1873-74).

Sacramento Blake, em seu Dicionário Bibliográfico Brasileiro, refere-se a outros trabalhos de autoria do Dr. Vieira Fazenda acerca dos primórdios da cidade e como subsídio à proposta que fora apresentada em 9 de maio de 1840, ao Instituto Histórico, pelo sócio Alexandre Maria de Mariz Sarmento [13].

Clínica Médica

Médico, aos 24 anos de idade, começou Vieira Fazenda a exercer a clínica na Paróquia de São José, onde residia, a princípio na Rua do Cotovelo, e mais tarde na Rua São José, tendo por companheiros seus cunhados Drs. Godói Botelho e Pereira Portugal, além do velho amigo Dr. José Mariano da Costa Velho, clínico de nomeada e que exerceu o mandato de vereador no período de 1861-66.

“Singelo e caridoso, tornou-se estimado dos pobres e procurado pelos ricos” [14].

A farmácia de João Luiz da Silva era o ponto de reunião dos médicos da Freguesia de São José [15]. Ali dava consulta e recebia chamados a domicílio o Dr. Vieira Fazenda.

“Clínico prático, de bom senso – sem se meter em altas cavalarias – assim dizia Fazenda, granjeou doentes, curas e ingratos.” [16]

No exercício da medicina, foi contemporâneo de Souza Lima, seu vizinho, na Rua de São José; dos Barões de Lavradio (José Pereira Rego), de Maceió, de São Felix (Antônio Felix Martins) e de Vila da Barra; de Benjamin Antônio da Rocha Faria, Felício dos Santos, Júlio de Moura, Porciúncula, Fernando Francisco da Costa Ferraz, Barros Henriques, Camarão, Hilário Soares de Gouvêa, Joaquim Murtinho, José Cardoso de Moura Brasil, José Pereira Guimarães, e Pedro Afonso Franco (futuro Barão de Pedro Afonso).

Com o avanço dos anos, restringiu Vieira Fazenda a atividade clínica – que era a segura proteção aos pobres. Limitou-se ao exercício da profissão na enfermaria da Santa Casa da Misericórdia – a enfermaria das velhas, abrigo de mulheres, cujo morbus principal era a velhice – observa Escragnolle Doria, na mais completa biografia publicada acerca de Vieira Fazenda.

Àquele tempo manifestou-se com mais afinco o interesse do médico pelo passado de sua terra natal.

“Ledor, cheio de memória, nobremente curioso, armazenou, na espécie, avultadíssimo cabedal de conhecimentos e recordações, sobretudo, no período da Colônia. Este parecia seduzi-lo com mais afã, por ser aquele ao qual mais se referia e do qual mais se deleitava ao tratar.” [17]

Clínico prestativo e muito caridoso, dispunha naturalmente de amigos. Conquistou, sem disputar, certo prestígio eleitoral, que o levou a um cargo de eleição popular.

Nomeado no mesmo dia em que defendeu tese, médico interino do Hospital da Misericórdia, teve dias depois, a 25 de janeiro de 1872, confirmado esse cargo. Na Santa Casa foram seus companheiros os Drs. José Benício de Abreu (lente da Faculdade de Medicina), Agripino Xavier de Brito e Francisco Corrêa Dutra.

A 2 de novembro de 1881, exonerado a pedido de médico da Santa Casa, obteve a nomeação para o Hospício de São João Batista, em Botafogo, onde se conservou até 10 de fevereiro de 1886 – data em que permutou com o Dr. Vicente Ferreira Gomes Sobral o lugar de facultativo do Hospital Geral da Santa Casa. Ali conviveu, de preferência com os velhos enfermos – pleiteando mesmo um contato mais direto com a velhice e, talvez, por este motivo, lhe dessem dentro de alguns anos a chefia da enfermaria das velhas.

Intendente Municipal

Embora inafeito pelo caráter ilibadíssimo às tricas e acomodações eleitorais, pertencera o Dr. José Vieira Fazenda ao partido liberal do Império.

Membro de uma associação defensora da libertação de escravos – a Sociedade Emancipadora, declarou-se sempre adversário irredutível da escravidão. Acompanhou desde a mocidade, com grande devotamento, a campanha abolicionista, concorrendo com recursos monetários a favor da liberdade do negro.

Patriota, sem patriotadas, amava Vieira Fazenda o Brasil grandioso, no culto de suas tradições e no amor ao passado, no que ele tem de respeitável.

Durante muitos anos exerceu o cargo de 1.º juiz de paz da Freguesia de São José, quando os liberais estiveram no poder.

Intendente municipal, na República, no biênio de 1895-1896, foi um dos mais operosos representantes da Cidade do Rio de Janeiro no antigo Conselho Municipal. Aliou a competência e esclarecida visão no estudo dos problemas da grande metrópole brasileira, a mais escrupulosa probidade no julgar os projetos submetidos à deliberação dos edis, como se verifica dos Anais do Conselho Municipal relativos àquele período. [18]

Na investidura política que soube honrar e dignificar, apresentou ao Conselho vários projetos de utilidade. Propôs a decretação de um prêmio destinado a recompensar o autor da melhor história do Distrito Federal. “A melhor história – pondera Escragnolle Doria – teria sido a escrita por ele e a ninguém melhor caberia a recompensa.” [19]

Figuram nos Anais do Conselho Municipal pareceres, estudos e projetos do laborioso intendente, acerca da revisão do Código de Posturas, em aditamento a uma proposta do intendente Pizarro Gabizo sobre os trabalhos históricos do Dr. José Ricardo Pires de Almeida, publicados no “Jornal do Comércio” (relativamente ao regime das águas e saneamento da cidade) e acerca da venda das fazendas de Camorim, Vargem Grande, Vargem Pequena e Alto Crumarim.

Em outubro de 1895, tendo os intendentes Júlio Carmo e Xavier da Silveira, apresentado projeto mandando publicar o arquivo do Marechal Floriano – que se converteu no Decreto Legislativo n. 181, de 18 daquele mês e ano – Vieira Fazenda defendeu o aludido projeto, mostrando o valor de semelhante publicação.

De sua iniciativa foi a proposta considerando feriado municipal o dia 20 de janeiro, pelo qual se comemora não só a criação definitiva da Municipalidade do Rio de Janeiro, como se recorda a ação dos fundadores da cidade. Essa proposta se transformou no decreto n. 239, de 10 de março de 1896, sancionado pelo Prefeito Dr. Francisco Furquim Werneck de Almeida.

Ainda sob sua inspiração, a 10 de abril daquele ano, o Conselho Municipal determinou conservar nas disposições do emblema da cidade a esfera armilar e as setas que, desde distanciados tempos, figuravam nas armas do Rio de Janeiro. Acrescentou-se-lhe para atender certamente à harmonia e à estética do desenho do professor Bernardelli, além do barrete frígio, uma vela aberta, de embarcação, cuja proa formava a base das armas do Distrito Federal. Nestas estavam representados ainda dois golfinhos, ao lado da quilha de embarcação. Coroando, finalmente, esses detalhes via-se o símbolo de cidade fortificada – o clássico castelo das cidades latinas, e pouco abaixo, o louro e o carvalho, que lembravam as virtudes cívicas do povo.

Assinaram o projeto de 10 de abril de 1896, além de Vieira Fazenda, os intendentes Honório Gurgel, Silva e Souza, Sá Freire, Domingos Ferreira e Manuel Rodrigues Alves. O decreto do prefeito Furquim Werneck, n. 312, de 1 de agosto do mesmo ano, sancionou a resolução do poder legislativo municipal que alterou as armas da cidade do Rio de Janeiro.

No Instituto Histórico

Político acidental, logo que deixou o Conselho Municipal retomou o Dr. José Vieira Fazenda a ser o clínico querido na Santa Casa da Misericórdia.

A 6 de março de 1898, o conselheiro Olegário Herculano de Aquino e Castro, presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, nomeou-o bibliotecário da douta instituição. A partir do dia 7 daquele mês e ano até a data do seu falecimento, em 1917 – por espaço de 19 anos, o ilustre historiador assentou tenda de trabalho na sala de leitura do Instituto.

Trabalhador infatigável, frequentou a Biblioteca e o Arquivo Nacionais, as livrarias Quaresma (Rua de São José), Garnier (Rua do Ouvidor), e com muita assiduidade, o arquivo da Santa Casa da Misericórdia. Durante anos ininterruptos folheou volumes e documentos dos séculos dos governadores e vice-reis. Releu velhos papéis da época dos ouvidores, provedores e juízes, traficantes, fidalgos e escravos. Organizou catálogos, verificou o acervo ali recolhido, anotou livros e cimélios, com auxílio de Max Fleiuss, o estimado, prestimoso e saudoso secretário da veneranda casa que honra a cultura brasileira.

Pelas onze horas da manhã, chegava Vieira Fazenda da visita às velhas da Misericórdia. Galgava vagarosamente as escadas do casarão que foi o Convento do Carmo. Ali se conservava até às três horas da tarde, calmo, sorridente, brincalhão, no seu consultório intelectual.

Emérito cultor da nossa história e dos mais capazes, comprazia-se no trabalho de ser o orientador seguro e probo da crônica carioca. A todos que o procuravam na biblioteca do Instituto ele atendia e esclarecia com acentuada bondade – constituindo isso um encanto pela modéstia do erudito, que, com suas investigações, determinou novos processos de estudos, abrindo horizontes à verdade histórica.

Escragnolle Doria retraça admiravelmente nas linhas que se seguem o apostolado intelectual de Vieira Fazenda, na sala de leitura do Instituto Histórico:

“Toca a atender ao erudito paciente, ao curioso azucrinador, ao repórter azafamado, ao simples estudante, que asseteavam de perguntas o bom bibliotecário. Ali ficava todo o dia. Quando l’ho consentiam, lia quanto livro, quanto folheto lhe caía nas mãos, sem jamais delas lhe tombar e não esbrugado por completo.
Ali era sua casa – dizia-o à saciedade, onde gostava de ser procurado, onde recebia visitas, amigos, afeições antigas, correspondência, onde estudava, ria, palestrava, ensinando, aprendendo, remexendo. Conhecia as estantes em bloco e os volumes, um por um.
Para dirimir dúvidas, para atender consultantes, visitava-os e trazia-os. Abrindo os volumes, com ar de ligeiro triunfo, apontava a página que resolvia a dúvida ou convencia o consultante.”
“…E com o passo tranquilo, ia repor, cuidadoso, o livro na estante, levando-o carinhosamente como quem conduz amigo que acaba de servir-nos – digno, portanto, de uma atenção e respeito, além da constância do nosso reconhecimento.
Acolhia os seus afeiçoados com exclamações alegres e simpáticas: – Oh! senhor, seja muito bem aparecido! – Que fim levou V. Ex.? – Há muito tempo V. Ex. não figura no meu caderno (caderno onde diariamente assentava os nomes dos frequentadores da sala de leitura do Instituto) – Seja muito bem-vindo por esta casa!
Algumas vezes, acrescentava algum dito trocistamente afetuoso, como por exemplo: – Com certeza V. Ex. anda por mares nunca dantes navegados
Era prazer trocar ideias com esse homem, honesto, erudito, despretensioso, brando de coração e duro de espinha. Incapaz de lisonja, o seu elogio parco, condecorava. Franco com todos, ríspido e ombro a ombro com os poderosos, jamais sorriu para adular ou cortejou para obter.
Sabia ser o mesmo diante de quem quer que fosse.
Às três horas da tarde, fechava o consultório da biblioteca do Instituto. Já ganhei o dia e declinava por extenso a quantia correspondente ao seu dia de trabalho como bibliotecário. Devagarinho, saía para a Rua do Cotovelo, onde morou muito tempo, no prédio n. 33 (Ano de Cristo, observava, quando oferecia a casa, só a íntimos).
Raras vezes saía à noite ou jantava fora. A muita instância conheceu o cinematógrafo.
Preferia escrever cartas, já respondendo a consultas de todos os pontos do país, já cavaqueando de pena com amigos, como o Dr. Leite Velho, falecido nonagenário, no uso e gozo de admirável memória. Era de ver-se a prosa alegre dos dois anciãos, trocando impressões, debicando-se com amizade e graça, sobretudo se apareciam quinaus a dar.
Fazenda habitava na Rua do Cotovelo, entre a Rua de São José e o mar, numa verdadeira célula do Rio de Janeiro antigo. Aprazia-lhe nomear e rememorar todas as ruelas, travessas e becos circunstantes.
Ora, vamos lá! – dizia – Sabe por que o Beco da Música assim se chama? – Porque na casa da esquina do Largo de Moura se realizavam diariamente os ensaios das bandas de corpos aquartelados no chamado Quartel de Moura.
– Sabe por que o Beco do Teatro tem esse nome? E sem dar tempo à resposta possível, dizia – Porque foi aberto no fundo do velho Teatro São Januário. Conheço isso, pois ali passei a flor da minha idade, como dizia Dirceu.
Assim desfiava toda a história das vetustas vias de comunicação do bairro da Misericórdia: a Travessa Costa Velho, o Beco da Fidalga, a Travessa do Paço, o Beco dos Ferreiros. Por muitos anos fincou vida na Rua do Cotovelo, de onde só se mudou quando o Instituto se transferiu para a Lapa.
Pincelado à larga, eis o retrato imperfeito do homem prestante que acaba de sumir-se e ser enterrado em dia de Carnaval, quando o Rio, sob a prensa da pobreza e das dificuldades, delirava em Momo.
Fazenda conheceu e amou até as menores pedras da cidade. Dê-lhe esta uma bem larga, bem bela, para base da herma que lhe é devida sob as árvores do Passeio Público. Aí, o velho amigo do passado nos sorrirá futuro adiante e parecerá dizer-nos: – Meus amigos, vocês sabem por quem foi feito o Passeio? Ora, eu lhes conto. Era no tempo do vice-rei Luiz de Vasconcelos – que governou esta cidade de 1779 a 1790…” [20].

Vieira Fazenda reuniu cabedal de documentação que jamais poderá ser excedido pelo esforço de um homem. Foi dos mais assíduos pesquisadores dos arquivos, tendo lido tudo quanto se publicou sobre a crônica e a história pormenorizadas do Rio de Janeiro.

Abordou variados aspectos do passado. Releu e confrontou documentos e roteiros, que o orientaram na obra opulenta de historiador honestíssimo.

Era-lhe, sobretudo, invejável a memória. Citava nomes, episódios, pequenos incidentes em torno de fatos narrados por cronistas antigos ou referidos em alfarrábios, registros da Santa Casa da Misericórdia ou de arquivos públicos e particulares, com uma precisão espantosa e uma fidelidade contra a qual não se podia opor nenhuma restrição.

Desenvolve-se, assim, através do trabalho de Vieira Fazenda, a lógica e a sabedoria. E este esforço se destaca tão excelente e tão digno de apreço, quando se medita nas dificuldades que a cada passo se encontram nas fontes da história documentada.

Patriota e amoroso por tudo que dizia respeito às coisas brasileiras, conhecia todo o nosso passado, sem a ele se prender incondicionalmente, amarrado à rotina e alheio ao progresso.

Colaborador da “A Notícia”

Em 1901, o Dr. José Vieira Fazenda iniciou colaboração no vespertino carioca A Notícia. Saíam, geralmente, as crônicas na terceira página, em coluna corrida, tendo aparecido por vezes na segunda página.

A 27 de setembro de 1901 – diz-nos Nogueira da Silva [21] saiu o primeiro artigo “A Casa da Aula”, que foi escrito pelo autor a 24 do citado mês [22].

“O Dr. Vieira Fazenda sempre datava seus trabalhos e assinava a princípio Vieira Fazenda e depois V. Fazenda, e, finalmente, Vieira Fazenda. Raramente assinava-se V. F. A última crônica que saiu em coluna corrida intitulada “Engrossamento à antiga”, foi publicada a 21 de novembro de 1901. Seguiu-se no dia 7 de dezembro o primeiro folhetim no alto da terceira página, intitulado “Festas populares – 1786”.

Nos anos de 1912 e 1913 os folhetins tiveram uma publicação irregular e atormentada – esclarece Nogueira da Silva – ficando alguns na estante da tipografia durante meses, como aconteceu com o último publicado. Esse folhetim “Gonzaga e Marília”, o último que para A Notícia escreveu o Dr. Vieira Fazenda, tem a data de – domingo, 24 de agosto de 1913, e só foi publicado a 30 de setembro.

“Desse dia em diante cessou completamente a longa e ilustre colaboração do operoso e erudito escavador das nossas antiqualhas. Essa ausência só foi quebrada uma vez por uma circunstância digna de registro. Foi isso em 1916, a 2 de fevereiro. O então secretário da A Notícia mandou ao Instituto Histórico um dos seus redatores, J. Galhanone de Oliveira [23], pedir ao Dr. Vieira Fazenda algumas notas sobre a fundação do teatro entre nós. O ilustre historiador ditou àquele redator o folhetim, publicado no já referido dia 2 de fevereiro. Este último trabalho do Dr. Vieira Fazenda intitulava-se “Os primórdios do teatro no Rio de Janeiro” e saiu subordinado à epígrafe geral Coisas do Passado.” [24]

Associações a que pertenceu Vieira Fazenda

Entre as associações literárias e científicas que distinguiram o historiador José Vieira Fazenda, acolhendo-o em seus grêmios, citemos:

Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro – então presidida pelo Marquês de Paranaguá – Foi sócio efetivo, eleito a 26 de julho de 1907;

Academia de Altos Estudos – fundada por iniciativa do Instituto Histórico, para a qual foi escolhido como professor honorário de uma das cadeiras;

Congresso de História Nacional (Primeiro) – reunido, no Rio de Janeiro, de 7 a 16 de setembro de 1914 – no qual desempenhou o cargo de relator da seção de História Literária;

Congresso Internacional de História da América – que se deveria reunir no Rio de Janeiro a 7 de setembro de 1922, para comemorar o primeiro centenário da Independência Nacional.

Por motivo do falecimento não pode o ilustre brasileiro prestar o seu valioso concurso ao importante certame, preestabelecendo, contudo, várias dissertações, que constituíram assuntos ali debatidos.

Enfermidade e falecimento

A 11 de janeiro de 1917 levantara-se como de costume, à hora matinal, para cumprir Vieira Fazenda os deveres profissionais no Hospital da Misericórdia. Ao sair à rua já se sentira adoentado, prevenindo às pessoas de casa do seu estado de saúde.

De regresso à residência, pelas 10 horas da manhã daquele dia, acompanhado dos médicos Drs. Marcos Batista dos Santos e Edgard Roquete Pinto, seguiu a pé pelas ruas Santa Luzia, do Passeio e Largo da Lapa. No princípio da rua deste nome acusava um estado vertiginoso, tendo, no entanto recusado a companhia daqueles colegas até a sua moradia, no sobrado da Rua Joaquim Silva n. 71 [25]. Os amigos notaram que Vieira Fazenda caminhava sem firmeza nas pernas e receosos de qualquer acidente foram novamente ao seu encontro; viram-no desfalecido, sob a influência de um acesso de angina-pectoris.

Chamada a Assistência Municipal, imediatamente compareceu ao local uma ambulância. Transportaram-no em maca para sua residência. Aplicados os socorros médicos de urgência, os Drs. Batista dos Santos e Roquete Pinto, Alves Campeão e senhora cercaram o doente de todo o carinho. Infelizmente, a lesão orgânica ia seguindo a marcha invasora e fatal. Repetiram-se os acessos, diariamente, ora com maior, ora com menor intensidade, cedendo, às vezes, à custa de injeções e inalações de éter sulfúrico, administrados por seu sobrinho Dr. Oscar Godói [26] e pelos Drs. Marcos Batista dos Santos e Roquete Pinto. Estes médicos e amigos, com rara dedicação, não mais abandonaram a cabeceira do enfermo.

Durante a moléstia pode sair o doente à rua apenas uma vez, transportando-se em automóvel para tratar de negócios de interesse urgente, acompanhando-o seu afilhado, filho de Alves Campeão, e o Sr. Alexandre Camisão, empregado do Instituto Histórico. [27]

Nos últimos dias de janeiro visitamo-lo e, apesar da depreciação orgânica observada, tivemos a ilusão de que o doente teria forças para resistir às crises da esclerose. Animava-o a mesma vivacidade de espírito de outros tempos.

Em meados de fevereiro, agravaram-se-lhe, porém, os padecimentos. No dia 18, à noite, foram avisados desse fato, seu irmão Guilherme, sua filha Dona Judite Vieira Gomes e outros parentes, e com insistência, o Dr. Oscar Godói. Este ilustre médico pressurosamente se dirigiu à casa da Rua Joaquim Silva, às primeiras horas da madrugada de 19 – já encontrando morto o seu querido tio. Tratando-se de um parente consanguíneo, muito próximo, teve o Dr. Oscar Godói escrúpulo de atestar a causa-mortis, o que foi feito, no entanto, pelo Dr. Marcos Batista dos Santos, também médico assistente, que lavrou o atestado de óbito por arteriosclerose. O passamento ocorrera, precisamente, à uma hora da madrugada daquele dia.

Removido o corpo para a sede do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, no edifício do Silogeu, à Rua Augusto Severo (Lapa), deste local saiu o cortejo fúnebre às 16 horas, de 20 de fevereiro, para o Cemitério de São João Batista, em Botafogo. O enterramento procedeu-se às 17 horas, no carneiro de adultos n. 2.301, com a assistência de grande número de amigos e admiradores, do Prefeito do Distrito Federal, Dr. Amaro Cavalcanti, sócios do Instituto Histórico e da Sociedade de Geografia e de representantes do Presidente da República, Dr. Venceslau Braz Pereira Gomes, de ministros de Estado, do Centro Carioca (do qual era o ilustre morto presidente honorário) e das Irmandades de São José e do Santíssimo Sacramento dessa paróquia, que homenageavam o seu antigo provedor jubilado.

Ao baixar o corpo à sepultura, falaram o Dr. Benjamin Franklin Ramiz Galvão (Barão Ramiz Galvão), membro da diretoria do Instituto Histórico e o advogado Alberto de Carvalho.

Relembraram estes oradores a ação utilitária e esforçada exercida pelo ilustrado historiador que, ao se lhe fecharem os olhos, quase aos 70 anos de idade, teria talvez sonhado com a sua linda cidade – escondida no Morro do Descanso – quando os tamoios ainda investiam contra os portugueses e a “festa das canoas” enchia de doçura a alma dos primeiros povoadores.

5-Abril-947.

NORONHA SANTOS

Notas

  1. – José Homem do Amaral residia à Rua São José n. 10 e Bernardo José da Silva Veiga, no Beco dos Ferreiros n. 6, nas imediações da Igreja de São José.
  2. – Faleceram antes de Vieira Fazenda seus irmãos Antônio Cândido, Rosa e Deolinda. Guilherme Fazenda, que foi funcionário da Caixa Econômica do Rio de Janeiro, sobreviveu a seu irmão, terceiro filho do casal.
  3. – O Dr. Kelly Godói Botelho exerceu o cargo de médico da sala do banco do Hospital da Misericórdia, distinguindo-se como especialista de moléstias de crianças.
  4. – O Dr. Fernandes Portugal, proprietário do prédio à Rua da Misericórdia n. 78, além de chefe da enfermaria de estrangeiros, do Hospital da Misericórdia, foi médico da Caixa de Socorros D. Pedro V, tendo seu nome inscrito entre os dez grandes beneméritos da Instituição.
  5. – Tavares da Silva era possuidor de fartos recursos monetários e de um grande prédio de dois andares na Rua do Cotovelo n. 31 (antigo 35), além do imóvel sob n. 30 (térreo), no mesmo logradouro.
  6. – Criado na gestão do ministério presidido pelo Marquês de Olinda, sendo ministro do Império o conselheiro Luiz Pedreira do Couto Ferraz, posteriormente Barão e Visconde de Bom Retiro.
  7. – Afonso Moreira e Custódio Américo distinguiram-se como professores do reputado estabelecimento de ensino.
  8. – “Memória Histórica do Colégio de Pedro II” – 1837-1937 – pág. 91 – Escragnolle Doria.
  9. – Secretário do Instituto Acadêmico, fundado por estudantes do curso médico, o esforçado discípulo de Hipócrates pleiteou várias medidas em favor de seus colegas junto aos poderes públicos.
  10. – Crônica publicada na A Notícia, em janeiro de 1907, e incluída em “Antiqualhas e Memórias do Rio de Janeiro” – tomo 93 – pág. 48, com o título Nove de Janeiro (1822-72).
  11. – O Dr. Carlos da Silva Araújo, descendente do médico e do farmacêutico a que nos referimos, recorda aquele fato no discurso proferido na Academia Carioca de Letras, a 19 de agosto de 1944, ao tomar posse da cadeira n. 23, patronímica de Vieira Fazenda, anteriormente ocupada por Nogueira da Silva. O ilustre recipiendário, que foi saudado pelo historiador Roberto Macedo, exaltou a obra do médico cujo centenário celebramos, dando-nos um painel magnífico do velho e pestilento Rio de Janeiro.
  12. – Tese com as subepígrafes: “Da Cefalotripicia e suas indicações, da escolha de medicamentos em geral e em particular; dos vegetais, em relação à idade, o solo, o clima, à cultura, à estação e à época da colheita.”
  13. – Dicionário Bibliográfico Brasileiro – 5.º vol. – págs. 233 e 234. Sacramento Blake declara que nunca foi publicado esse trabalho.
  14. – Escragnolle Doria – “Jornal do Comércio” – 25 de fevereiro de 1917.
  15. – João Luiz da Silva, sucessor dos boticários do bairro da Misericórdia – Baltazar de Andrade Botelho, Domingos Luiz de Abreu Rangel e José Lopes Ferreira Júnior.
  16. – Escragnolle Doria – “Jornal do Comércio” – 25 de fevereiro de 1917.
  17. – Escragnolle Doria – “Jornal do Comércio” – 25 de fevereiro de 1917.
  18. – O segundo Conselho Municipal do Distrito Federal, eleito de conformidade com as leis – Orgânica, de 20 de setembro de 1892, e N. 248 de 15 de dezembro de 1894 – compreendeu o período de 1895-1896. Foram eleitos 15 intendentes, assim discriminados: pelo 1.º distrito eleitoral – os Drs. Luiz Alves Pereira, Domingos Antunes Ferreira, Joaquim Dias Nogueira, Artur Ambrosino Herédia de Sá e Antônio Antunes de Campos; pelo 2.º distrito – os Drs. João Pizarro Gabizo; Júlio Henrique Carmo, Manuel Rodrigues Alves, José Vieira Fazenda e João José da Silva e Souza; e pelo 3.º distrito – Drs. Joaquim Xavier da Silveira Júnior, Milcíades Mário de Sá Freire, Carlos José de Azevedo Magalhães, Cesário Pereira Machado e Honório José da Cunha Gurgel do Amaral.
  19. – Escragnolle Doria “Jornal do Comércio” – 25 de fevereiro de 1917.
  20. – Jornal do Comércio – 25 de fevereiro de 1917.
  21. – As crônicas do Dr. Vieira Fazenda – Nogueira da Silva – A Notícia – 22 de maio de 1917.
    Manuel Nogueira da Silva, jornalista, homem de letras, crítico de arte, foi o organizador da biblioteca da Associação Brasileira de Imprensa e auxiliar prestimoso do arquivo histórico da Igreja da Ordem 3.ª de São Francisco de Paula. Dentre seus valiosos trabalhos, destacaremos a opulenta Bibliografia de Gonçalves Dias, publicada em 1942 pelo Instituto Nacional do Livro.
    Nogueira da Silva nasceu no Maranhão a 26 de dezembro de 1880 e faleceu no Rio de Janeiro a 14 de novembro de 1943.
    Fundada a Academia Carioca de Letras a 8 de abril de 1926 e reorganizada a 13 de Julho de 1932, Nogueira da Silva a 26 de junho de 1934 foi eleito para a cadeira n. 23, patronímica de Vieira Fazenda.
  22. – A Casa da Aula não figura em “Antiqualhas e Memórias”.
  23. – José Galhanone de Oliveira – antigo jornalista, hoje funcionário do Instituto de Previdência e Assistência aos Servidores do Estado (IPASE).
  24. – A crônica Os primórdios do teatro no Rio de Janeiro não figura em “Antiqualhas e Memórias”.
  25. – A sua última residência, à Rua Joaquim Silva n. 71, sobrado, no bairro da Lapa, era a casa dos compadres e amigos Antônio Alves Campeão e senhora Maria Braga Campeão.
    Anteriormente, morou o Dr. Vieira Fazenda, na Rua do Cotovelo nos prédios números 8, 10 e 32; na Rua de São José, números 4, 19, 20 e 97 (neste último prédio, de 1890 a 1893, manteve frequentadíssimo consultório, em frente à Igreja de Nossa Senhora do Parto), e na Rua Barão de São Gonçalo n. 12. No prédio n. 20 da Rua São José começou o Dr. Fazenda a morar com Alves Campeão, ex-negociante e empregado da Companhia Cantareira e Viação Fluminense. Isso durante 12 anos, até a mudança para à Rua Joaquim Silva n. 71, onde faleceu.
  26. – O Dr. Oscar Godói era filho do Dr. João Antônio Kelly de Godói e de Dona Rosa Fazenda de Godói. Nasceu no Rio de Janeiro a 2 de dezembro de 1866 e faleceu na mesma cidade a 25 de março de 1936. Republicano histórico e ardoroso abolicionista, logo que se formou clinicou na Freguesia de São José com seu tio Dr. Vieira Fazenda, sendo nessa época um dos médicos de maior clientela nesse trecho da cidade. Intendente municipal, no período de 1892-94, foi depois eleito deputado pelo Distrito Federal. Pertenceu ao diretório do Partido Republicano Federal com os Drs. Xavier da Silveira, Tomaz Delfino dos Santos, José Murtinho, Manuel Timóteo da Costa e outros.
  27. – Alguns desses pormenores constam do artigo publicado no Jornal do Comércio, a 28 de abril de 1918 – com a epígrafe “Vieira Fazenda” – e firmado pelo médico Dr. Joaquim José da Silva Sardinha, velho e dedicado amigo do historiador.

Imagem destacada

  • Instituto Cartográfico Canabrava Barreiros, Map of The Central Part of Rio de Janeiro, Rua Vieira Fazenda, via Biblioteca Nacional.

Mapa

Vieira Fazenda