A Pseudo Degenerescência do Barroco

3 – Um dos três altares da Igreja dos Jesuítas, no morro de São Januário (Castelo) de feição Plateresca – Renascentista, conservado na Igreja de Nossa Senhora do Bonsucesso no Rio de Janeiro

Barroco não é, segundo às vezes tem sido julgado, desacertadamente, o estilo de um período decadente da arte. Ele é, ao contrário, uma realidade, porquanto constitui a expressão de uma época representativa de um ideal, consubstanciado na ação contra reformista da Igreja.

Essa realidade, Hartmann proclama, com sobeja autoridade: “El Barroco no és una degradación, ni siquiera la fase de una evolución, sinó un arte radicalmente distinto del que le ha precedido en el curso de la historia.”

E, prosseguindo, diremos que o Barroco representou uma exaltação do absolutismo, para o que chefes de Estados e insignes prelados presidiram à sua eclosão e prestigiaram com abundantes recursos o seu desenvolvimento. De outra feita nos foi dado escrever: “O Barroco serviu para tornar expressivos os monumentos grandiosos, pomposos, teatrais e, ao mesmo tempo, místico, que representavam a importância dos dois poderes: O Real e o Religioso”.

Sendo o Barroco a arte da ‘Contrarreforma’, religiosa e sociologicamente estava intimamente ligado às ideias então dominantes na Igreja. Culturalmente, atendia às correntes espirituais de sua época, que visavam substituir a Renascença por outra fase artística de natureza diferente, em que a pompa teria o seu apanágio. E socialmente entrosado estava com o arrebatamento e o luxo de uma sociedade fulgurante.

Barroco foi uma explosão; um estilo subversivo. E sendo uma explosão, ele ampliou o sentido das formas arquitetônicas, porquanto, não podendo aprisionar os vazios interiores, ele se lança a uma superespacialidade, o que é, em arquitetura, símbolo daquilo fácil de dizer, mas difícil de fazer: o monumental, a expressão de uma sublimidade.

O Barroco no Brasil