Influências de Além-Mar

Através de análises sucintas sejam apreciadas as influências oriundas da Europa. Tais influências sofreram, pela mão dos artífices portugueses e patrícios, variadas adaptações e interpretações curiosas, porquanto eles souberam fundir feições. Daí resultaram várias frásicas, correspondentes à intervenção de cada um ou de seus sucessores no decurso das construções.

Rocalha – Esse termo, que constitui uma adaptação do “rocail” francês, deveria ser somente usado para designar fragmentos de rochas empregados na ornamentação de grutas artificiais. Mas, passou a ser aplicado às conchas, ou melhor, aos concheados que constituíram a base do estilo, empregado moderadamente na ornamentação de alguns templos citadinos.

O estilo perdurou na França de 1723 a 1750, como contribuição para que o cunho religioso da Contrarreforma se transformasse numa arte de expressão monárquica. O estilo persistiu durante longo tempo em países da Europa e também, com variantes em Portugal e no Brasil. Como elementos ornamentais do Rocalha se fazem notar nos templos citadinos: os concheados (ou conjuntos de conchas), as conchas (estilizadas), os painéis bruscamente recortados ou encaracolados, os festões de flores, as coroas, os penachos tripartidos de plumas de avestruz, os ornatos constituído de uma cabeça ou de um motivo central engastado em elementos imitativos de um crustáceo encrespado.

Observe-se que o Rocalha foi aqui empregado com tendência para simetrizar as partes componentes de um mesmo motivo ornamental. Assim, os concheados às vezes estão afrontados, segundo um sentido de regularidade, incompatível com o Rocalha. E se podem ser observados cogulhos (ornatos figurando folhagem) assimétricos (quando terminados na parte superior por elementos folhudos, encrespados, mas inclinados para um dos lados), também podem ser observados os simétricos (em que os elementos folhudos estão distendidos para o alto e também encrespados). Esses cogulhos não estão aplicados isoladamente, mas como arremates de estreitos painéis com molduragem vertical, salvo nas extremidades, onde o curvilinismo se apresenta.

Faça-se notar, ainda, que onde o Rocalha se impõe em alguns templos é nos altares-mores, mormente nos anéis concheados que formam os arcos que os envolvem na parte mais alta.

7 – Fachada da Igreja de São Francisco de Assis em Ouro Preto. Influência militar evidenciada pelos flancos torreados, cúpulas, coruchéus e nas colunas (semelhantes a canhões). A altura das pessoas evidencia a grandiosidade da mesma.

Rococó – O exagero ou deturpação do Rocalha deu origem ao que se convencionou chamar Rococó. Com o seu aparecimento, na segunda metade do século XVIII, o Barroco entra em crise na Europa pelo domínio do profano, caracterizado pelo exotismo. Surge, pois, uma diferença entre Barroco e Rococó. Por sua vez, cumpre evidenciar a diferença entre o que foi denominado Rococó na Itália e o que na França recebeu igual nome. Os italianos classificavam o Rococó como a obra barroca caracterizada pelo que de excessivo, confuso e mesmo, reprovável, se introduzira no Barroco. Conseguintemente, consideravam o Rococó como sendo o último estágio de Barroco.

Mas os franceses costumavam chamar Rococó ao que do Rocalha proviera como cansaço da forma. Entretanto, a lei do cansaço da forma, ou lei geradora de novas formas, não constitui – como ensina Schubert – uma expressão de decadência, de aniquilamento, mas o ponto de partida de uma reação da qual surgem novas expressões. Todavia, para que essa reação venha a ocorrer, torna-se necessário que a forma anterior, a frásica precedente, seja muito repetida, dando origem à saturação. Contrariamente à lei do cansaço da forma, pode-se admitir a existência de uma lei da decadência da forma, decorrente do seu aviltamento.

Não prosseguiremos sem chamar a atenção, como exemplos flagrantes da citada reação, nos tempos que correm, para as obras do arquiteto Oscar Niemeyer em Brasília. Soube ele reagir, contra o predominante retilinismo atual, por meio das calotas do Palácio do Congresso; dos arcos invertidos (quais velas de navios) do Alvorada; do sentido ogivalesco do Palácio das Relações Exteriores; do contorno espiralado de uma capela; do ascensionalismo curvilíneo – côncavo da Catedral.

Rococó se singulariza sob os seguintes aspectos. Interiormente: as paredes são ornadas com feixes de símbolos, emblemas, cornucópias. As colunas e pilastras são menos empregadas, pois preferência merecem os estípites (pilastras em forma tronco-piramidal invertida), tendo os capitéis substituídos por mísulas ou cariátides; as linhas curvas e quebradas muito irregulares e os arabescos abundam, demonstrando mau gosto. Exteriormente: os frontões tornam-se mixtilíneos, como constituídos de curvas e contracurvas. As janelas possuem ombreiras com molduras sinuosas de feição vegetal. Todo esse exotismo profano, que caracterizou o Rococó na Europa, não ocorre no Brasil, contra qualquer expectativa, pois o exotismo da terra estava presente para a devida interpretação e adaptação. Dessa sorte, se alguns motivos ornamentais traem a sua origem portuguesa, noutros ocorre a transfiguração, ao mesmo tempo em que surgem ornatos de inspiração brasileira: a flora e a fauna nativa, a proliferação de estrelas, a lua cheia, o sol resplandecente.

No Brasil, a conjugação do adventício com o nacional, apresenta notável comedimento, visto o Rococó ter ficado conjugado com o Barroco. Porém, dita conjugação não foi feita com o caráter de laicidade do Rococó francês, mas unindo o Barroco religioso ao Rococó leigo, para servir à Igreja. Essa coexistência, que deu origem ao que se convencionou chamar de Barroco-Rococó, ocorre em templos do Rio de Janeiro e em Minas Gerais, onde constitui exemplo a portada da Igreja da Ordem Terceira de N. S. do Carmo (de Ouro Preto).

Acrescente-se, como necessário, que o Rococó, propriamente dito, se apresenta chocante em vários templos da Cidade, quando foi realizado fora de sua época ou levado a efeito pela mão de artistas que, não sentindo a sua frásica, deixaram de devidamente plasmá-lo ou interpretá-lo. Haja vista a moderna fachada e torre da Catedral (constituindo fraca imitação da Torre dos Clérigos, do Porto), as aberrantes alterações da fachada e, principalmente, da nave da Igreja do Convento de Santo Antônio e a horrível fachada da Sé.

A fábrica da Ordem Terceira da Penitência, do Rio de Janeiro, se apresenta, na sua predominante feição Rococó, de primeira grandeza, nela pompeando os ornatos florais, pássaros, anjos, peanhas balanceadas sustentando imagens santas, as coluninhas torçais, o magnífico retábulo do altar-mor e a delicadeza dos altares laterais. E tudo isso, revestido de ouro,

E dominando todo esse maravilhoso conjunto, a obra pictórica de Caetano da Costa Coelho: a glória. As glórias, ou seja, os painéis decorativos das naves das igrejas, tiveram como inspirador o Padre Jesuíta Andrea Pozzo, notável arquiteto italiano do século XVII. Foi ele que, no seu tratado Princípios de Arquitetura, contribuiu de maneira notável para desenvolver a perspectiva. Pozzo, como decorador pictórico de igrejas, foi excepcional. Possuía uma facilidade incrível no gênero que os franceses chamam de trompe l’oiel. E assim pintou falsas cúpulas em Turim, MódenaArezzo e noutras cidades da Itália.

Lançando para o exterior, através de ousadas perspectivas, profusos elementos arquitetônicos, os pintores do Barroco realizaram aquilo que outro ilustre colega, Professor Wladimir Alves de Sousa, tão acertadamente classificou como sendo a desintegração da arquitetura.

Seria ilógico que os ensinamentos de Pozzo não tivessem divulgação no Brasil, permitindo a feitura da maravilhosa glória da Penitência. Não tem a grandeza do teto espacial e perspectivista de Pozzo na abóbada de Santo Inácio, de Roma, mas guardadas as proporções, com relação ao meio social e artístico, o que Costa Coelho fez merece admiração. Quem no Brasil mais se aproxima à arte de Pozzo é José Joaquim da Rocha, na Igreja de N. S. da Conceição da Praia da cidade do Salvador.

8 – Feição Plateresca da Fachada da Igreja da Ordem Terceira da Penitência na Cidade do Salvador (Bahia), via Wikimedia Commons.

O D. JOÃO V – A arte portuguesa do Século XVIII, que se caracterizou por uma variante barrocal que recebeu o nome de Estilo D. João V, igualmente influiu na arquitetura e, principalmente, na ornamentação escultórica templária do Rio de Janeiro. Aquela variante que resultara do entrelaçamento do Barroco com o Rocalha e de um deslizamento até o Rococó, viria a sofrer, no Brasil, o acréscimo de elementos com características oriundas dos meios geográficos ou da interpretação ou criação dos artistas locais. Haja vista a cabeça primorosamente estilizada de indígena, entre as volutas da padieira da Capela privada de São Bento; as cabeças de anjinhos coroados de plumas indígenas da Conceição e Boa Morte; as cabeças caricaturais com a língua de fora da Igreja de N. S. da Conceição, da cidade de Viamão (antiga capital da Província de São Pedro): as cabeças, não menos caricaturais, com pendentes orelhas barrocais de uma igreja de Parati; a proliferação de aves (principalmente pombas) de alguns templos de Minas Gerais); os ornatos imitando cabeças de focas de um templo de Minas Gerais; as volutas empinadas de outro templo mineiro, que no seu conjunto parecem monges penitentes.

Mas a genuína frásica do D. João V consistiu em completar as caprichosas volutas e os curiosos enrolamentos com outros elementos ornamentais, tais como: os medalhões ovalados, de contornos encrespados; os meninos sustentantes de cartelas ou de legendas (de meio corpo ou de corpo inteiro, às vezes inclinados); os indefectíveis e originais brasões eclesiásticos ou da Soberania (engastados em composição movimentada de maneira sui-generis).

Nas fachadas dos templos, o D. João V se fez sentir em vários arremates de torres, nos azulejos nelas contidos, nas portadas (como as do Carmo), nas sobreportas, pingadeiras e padieiras dos vãos, nos coruchéus (propriamente ditos) e nos fogaréus (ou urnas chamejantes). E não seja esquecida a influência desse estilo, nitidamente português, no mobiliário das sacristias, nos tocheiros e candelabros, nos componentes dos altares, nas cruzes e outros objetos do culto. Muita obra desse estilo foi atribuída a Mestre Valentim e outras, que não eram dele, passaram a ser-lhe atribuídas. Exemplo típico: uma revista do Rio publicou a reprodução de um lampadário de prata, atribuindo sua autoria a Valentim. A peça apresentou-se aos nossos olhos híbrida, porquanto se a parte sustentada era nitidamente barrocal, os sustentantes (que deveriam ser elos de corrente trabalhados) apresentavam uma feição arabesca, incondizente com a outra. Corremos ao templo – a Catedral – e lá não nos convencemos da asserção da revista. Mestre Valentim não uniria umas peças em forma de S, envolvendo ornatos de feição árabe, com uma base de lâmpada barrocal. Isso, pelas fontes de inspiração que tal conjunto revelava, somente poderia ter ocorrido em Portugal. Passam-se os anos, vamos a Lisboa e na Igreja de Santa Marta verificamos que lampadários iguais pendiam da nave. Mas os daqui desapareceram. Como desapareceu o Palácio dos Tecidos que projetamos e construímos na Exposição de 1922, o qual nos seus 5.000 metros quadrados não era – modéstia a parte – no seu D. João V tão ruim assim. Foi abaixo por cem contos de réis. Como foram abaixo os demais palácios construídos pelos nossos distintos colegas. Restou o palacete, em estilo de nada, onde funciona o Museu da Imagem e do Som.

A CONTRIBUIÇÃO ESPANHOLA – A influência da arquitetura espanhola, nas suas feições platerescachurriguerescaherreriana e renascentista, pode ser constatada quer nos templos do Rio de Janeiro, quer nos de outros pontos do Brasil. Todavia, essa influência tem sido subestimada ou desconhecida. Não veio ela diretamente trazida pelos mestres espanhóis da profissão. Chega pela idéia e pela ação dos que vieram de Portugal, na qualidade de mestres do risco, lavrantes, toreutas, canteiros e carpinteiros, engenheiros, militares, monges, jesuítas.

É de presumir que antes do Barroco ter iniciado a sua trajetória no Rio de Janeiro, o Plateresco nele tivesse deitado as suas raízes. Genuinamente espanhol, esse estilo se desenvolvera durante os Reinados de Joana-a-Louca e de Carlos V (1504-1558). Tivera a sua origem na ação de Pedro Diez, renomado toreuta catalão, ao intervir, depois de sua vida da Itália, em obras de arquitetura ogival.

A sua fonte de inspiração foi a obra dos plateros (artífices da prata cinzelada), que criaram, na fusão do estilo mudéjar com o ogival decadente, um estilo que lhes permitiu fazer obras valiosas, entre as quais as saias de altares, tais como as existentes em muitas igrejas do Rio de Janeiro. E, assim, os arquitetos espanhóis, adaptando a obra dos prateiros e lançando mão da escultura ornamental em madeira ou pedra, formaram os componentes que definitivamente sagraram o estilo. Sua duração abrangeu, na Espanha, os últimos anos do século XV e a metade do século XVI. O que não o impediu de prosseguir a sua expansão alhures. Está constituído, principalmente, de uma ornamentação abundante, minuciosa e muito caprichosa, onde predomina o baixo relevo. Isso o diferencia do Barroco, propriamente dito, em que o alto relevo domina.

Observe-se que esse estilo representou, arquitetonicamente considerado, a transição do ogival terciário ao greco-romano. Apresentou várias modalidades, de acordo com os elementos constitutivos e a inspiração dos executores, sendo que os componentes de base ogival, deram origem ao que se convencionou chamar de Ogival Plateresco. Mas, nele, Plateresco, a presença renascentista é evidente.

Carlos V contribuiu para que o Plateresco se expandisse nos seus domínios até Flandres. E assim a Espanha passou a possuir valiosas obras, que podem ser vistas nos domos de catedrais, nas portadas de palácios e nos retábulos. Na França, a sua aceitação se faz sentir na arquitetura meridional, mormente na região de Toulouse. Na América Hispânica abundou, nos templos, a contribuição Plateresca. E aí, a mão de obra e a ideação indigenista marcou sua presença.

Análogo ao Plateresco é o Manuelino, de Portugal, com feições muito próprias, originais e interessantes. Merecedor de apreço e, não, do descaso com que, às vezes, lhe tem sido injustamente dado. É um estilo de bela ideação temática, como consagradora do ciclo das navegações portuguesas, e de adequada realização arquitetônica e ornamental. Haja vista os dois Gabinetes Portugueses de Leitura, do Rio e do Salvador.

As fachadas mais nitidamente platerescas existentes no Brasil são a da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco e a do Paço do Saldanha, esculpidas em pedra e existentes na cidade do Salvador. E ambas de autoria do mestre Gabriel Ribeiro. A igreja foi construída por volta de 1704, mas antecedida pelo Paço, erigido em redor de 1701. Essas datas são reveladas pelo nosso eminente Presidente Dr. Pedro Calmon em estudo, sob o título de Aquela casa foi capital de Minas, da série Segredos e Revelações da História do Brasil. Referindo-se ao autor da obra, o nosso Presidente, atribuiu o Paço como pertencendo à mesma família arquitetônica do portal da Casa das Sereias ou do portal da Casa da Prelada do Porto, traço também de Gabriel Ribeiro. A divulgada denominação de Paço do Saldanha se apresenta imprópria, pois segundo D. Marieta Alves (O Século de Ouro das Artes na Bahia, in Anais do Congresso do Bicentenário da Transferência da Sede do Governo do Brasil), o edifício fora mandado construir por Antônio da Silva Pimentel, segundo desse nome, que se casou com Isabel Maria Guedes de Brito, rica herdeira do opulento mestre-de-campo Antônio Guedes de Brito, que foi um dos maiores latifundiários do Brasil. O imóvel fora herdado pela filha do casal Antônio-Isabel Maria, D. Joana da Silva Caldeira Pimentel Guedes de Brito, casada em primeiras núpcias com D. João de Mascarenhas e em segundas núpcias com o fidalgo português Dom João de Saldanha da Gama.

Coube-nos, de outra feita, fazer referência pela primeira vez entre nós, ao estilo plateresco dos retábulos da Igreja de N. S. do Bom Sucesso, ou da Misericórdia, oriundos da Igreja dos Jesuítas no Castelo. E fixado fique, neste momento, a analogia perfeita dos mesmos com os retábulos platerescos espanhóis dos séculos XV-XVI. Uma reprodução fotográfica acompanhará o texto deste estudo As fotografias originais podem ser vistas no arquivo PDF no final do texto.

E seja permitido trazer à colação a opinião de um historiador paulista, G. Oscar Campiglia, que assinala, na sua obra “Igrejas do Brasil”, que a ornamentação externa plateresca transportou-se para o interior dos templos brasileiros, dando origem à ornamentação dos retábulos.

Churrigueresco – Constituiu, na Espanha do século XVII, um estilo sumamente ornamental, que aliou elementos ogivais com o Barroco e o Plateresco, que lhe precedera. Seus criadores foram José de Churriguera e seus filhos Joaquim e Nicolau. Representou uma reação ao formalismo de Juan de Herrera, criador do Herreriano (exposto mais adiante). O Churrigueresco apresenta marcante diferença com o Borromínico, criado por Borromini, discípulo de Bernini. Por quê? Porque, no Borromínico predomina uma exuberância ornamental aplicada ao Barroco de Bernini, mas sem ocultamento integral dos elementos tectônicos, estruturais. Agradou, pelo que se desenvolveu na Itália, Espanha, Portugal e no Brasil.

Já no Churrigueresco ocorre o contrário. O elemento tectônico, estrutural, desaparece em face do integral revestimento ornamental das paredes, pilares, pilastras, arcos, portadas. As paredes interiores são inteiramente inundadas de ornatos escultóricos e de figuras ladeando ou envolvendo painéis quadrados ou retangulares (umas vezes contendo retratos pictóricos, mas, geralmente, representando em alto relevo efígies de bispos, abades, santos).

Nas colunas salomônicas – muito empregadas no estilo – vislumbra-se, apenas, o movimento da hélice geradora, porquanto completamente cobertas de folhagem, flores, anjinhos. A opulência dos detalhes atinge ao paroxismo. As obras dos lavrantes e escultores dominam. Outra das características do Churrigueresco é a aplicação de colunas salomônicas nas portadas das mansões, nos retábulos e nos altares espanhóis. Tal inovação foi devida a Churriguera. No Rio de Janeiro não são poucos os templos que, nos altares, possuem colunas salomônicas ornadas.

São magníficos protótipos do Churrigueresco, a Igreja de N. S. de Monte-Serrate do Mosteiro de São Bento, nesta cidade, e a do Convento de São Francisco, na Bahia.

herreriano – Entre tantas afirmações barroquistas e afins, existentes nos templos do Rio de Janeiro, se introduz quase sub-repticiamente o herreriano. Seu nome proveio de ter sido Juan de Herrera quem lhe deu vida, quando sucedendo a Juan de Toledo prosseguiu nas obras do Escorial de Madrid. Ficou, assim estereotipado um estilo severo que no século XVI predominou, na Espanha, absolutamente condizente com o espírito dos arquitetos e matemáticos de Filipe II e com o deste Soberano.

Nesse estilo, tal e qual ocorrera com Toledo, fica ressaltado o sentido fundamentalmente matemático, de medida, que dominou aquele período da arquitetura espanhola. No herreriano predomina a uniformidade dos partidos, o comedimento na decoração, a singeleza dos detalhes, a grandiosidade das soluções e, principalmente, o predomínio da massa. Como grandes panos de paredes externas se caracterizassem pelo revestimento de enormes e singelas placas quadradas ou retangulares, o estilo herreriano também foi classificado como arquitetura de placas.

Pois bem, tal tipo de revestimento pode ser visto na fachada da Igreja da Ordem Terceira de N. S. do Carmo, na Rua Primeiro de Março. Assim, o corpo central está enquadrado por duas pilastras com capitéis de feição jônica, destacando-se nos maciços seis placas retangulares laterais e quatro na parte central.

Porém, o melhor exemplar do herreriano é no Brasil, a fachada da Igreja de Santo Alexandre, dos Jesuítas, em Belém do Pará. As placas retangulares com as quinas curvilíneas, colocadas verticalmente, imprimem à fachada uma frásica de absoluta severidade. Em flagrante contraste desse exterior, a nave apresenta dois púlpitos, verdadeiramente notáveis, cuja ornamentação longiforme representa como que a cabeça de um apavorante cetáceo ou de peixe fantástico. Plateresco? Churrigueresco? Criação brasileira? Chi lo sa?

Já que tratamos da influência espanhola seja permitido apontar a cima fronte e a porta da Igreja do Rosário, na Rua Uruguaiana, como protótipos da Renascença espanhola. Uma e outra são, na singeleza, equilíbrio e composição verdadeiramente notáveis.

E em homenagem ao meu genitor, cujo quadragésimo ano de falecimento ocorre neste momento, assinalemos que doou, como fruto de seu talento, singular tipo templário no estilo mudéjar (dos mulçumanos que adotaram a religião Católica): a Igreja do Sagrado Coração de Maria (no Méier). Sua Santidade o Papa Paulo VI, ao elevar a Igreja à categoria de Basílica, classificou o templo como dos mais belos que conhecera.

Imagem destacada

  • 6 – Portada da Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo em Ouro Preto. Maravilhosa concepção do Barroco Mineiro.

O Barroco no Brasil