O Sistema Aquaviário no Rio de Janeiro

CAPÍTULO I
O SISTEMA AQUAVIÁRIO NO RIO DE JANEIRO
CONTEXTUALIZAÇÃO GEOGRÁFICA, ECONÔMICA E HISTÓRICA

Criado há quase dois séculos para ligar a cidade de Niterói à Corte, o serviço de transporte de barcas faz parte da história e da cultura da população do Rio de Janeiro. O primeiro grupo a explorar o serviço, ainda no século XIX, foi a Companhia de Navegação de Nichteroy. Em 1862, a Companhia Ferry entra no mercado estabelecendo o transporte por balsas e em 1877 passa a explorar o transporte para Paquetá. Ainda no final do século XIX as duas companhias são incorporadas e o transporte na baía de Guanabara passa a ser controlado pela Companhia Cantareira e Viação Fluminense, que explora o serviço até 1953, quando a concessão do serviço passa para as mãos da Frota Barreto, do armador José Carreteiro. Como os preços aumentavam constantemente, provocando protestos da população, o governo passou a subsidiar a companhia. Em 1957, surge a Frota Popular, com uma única embarcação que vivia lotada devido às constantes greves do Grupo Carreteiro.

Um dos episódios mais expressivos da história do transporte aquaviário no Rio, a Revolta da Cantareira, acontece no dia 22 de maio de 1959. Na véspera, o barco da Frota Popular afundou e, à meia-noite, os marítimos do Grupo Carreteiro entraram em greve. A companhia pediu à Marinha que fizesse a travessia e ainda pediu ao Exército para garantir a segurança. Já revoltada com os altos preços e a precariedade do serviço e, agora, com o destempero dos soldados que administravam o embarque e desembarque, a população explode em fúria destruindo a frota de embarcações, o terminal de passageiros, o estaleiro e até a mansão da família Carreteiro.

Em consequência, o Governo Federal decreta a desapropriação dos bens da empresa e das edificações da Estação da Cantareira, o transporte é transferido para outras embarcações. Em 1967, dentro do processo de estatização promovido pelo regime militar, o transporte aquaviário na baía passa a fazer parte do Serviço de Transporte da Baía da Guanabara (STBG), uma sociedade de economia mista. Em 1971 o controle da STBG passa da União para o Estado do Rio de Janeiro e dois anos depois é criada a Companhia de Navegação do Estado do Rio de Janeiro (Conerj).

Em março de 1974 é inaugurada a Ponte Rio-Niterói e o transporte por balsas é extinto. Na época, com nove embarcações de 2 mil lugares cada, a STGB transportava cerca de 160 mil passageiros/dia. Em 1986, a Conerj contava com 21 lanchas, sendo 11 na ligação Rio-Niterói. Em 1987 incorpora à frota as lanchas Brizamar e Uruguaiana, com capacidade para 500 passageiros cada, construídas pelo estaleiro Mac-Laren por 22 milhões de cruzados cada.

Em 1998, o transporte aquaviário volta a ser explorado por uma empresa privada. A Conerj é vendida ao Consórcio Barcas S/A deixando uma frota de 23 embarcações, sendo quatro delas de apoio, e os terminais da Praça XV, Niterói, Paquetá, Ribeira (Ilha do Governador) e na baía de Sepetiba (Angra dos Reis, Mangaratiba e Ilha Grande).

Fonte: Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro – Ano XXXV – Nº 115 – Parte II – Rio de Janeiro, quarta-feira – 1 de julho de 2009

CCR Barcas

No dia 2 de julho de 2012, o Grupo CCR assumiu o controle acionário da Concessionária Barcas S/A, adquirindo 80% das ações da empresa. Com a chegada do grupo, uma das maiores entidades privadas de concessões de infraestrutura da América Latina, a Concessionária passa a se chamar CCR Barcas, marcando o início de uma nova fase para esse transporte de massa que tem 181 anos de existência.

Fonte: Sobre a CCR Barcas

Mapa – Barcas na Baía de Guanabara (Praça XV, Praça Arariboia, Charitas, Cocotá e Paquetá)

Mapa – Barcas na Baía de Sepetiba (Angra dos Reis, Mangaratiba e Ilha Grande)