Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Já dissemos como de um horto de iniciativa particular se originou o Jardim Botânico. É que o Príncipe Regente se interessava muito pela aclimação entre nós das especiarias e outras plantas úteis, de proveniência exótica. Por isso, de quantas mudas ou sementes lhe chegassem deste ou daquele ponto, fossem da Ilha de França ou de Caiena, tratava logo de remetê-las para o aludido parque que, dentro em pouco, podia ostentar, na sua grande área, pés de cravo-da-índia, de pimenta-do-reino, cana de Caiena, árvore da cânfora, canela, cinamomo, noz-moscada, e, entre as árvores frutíferas, a fruta-pão, a fruta-de-conde, a lechia da China, mangueiras, jaqueiras, jambeiros, caramboleiras, amoreiras e outras mais. Das Antilhas, em 1809, veio-lhe a planta mater da Oreodoxa oleracea, a imponente palmeira-real, hoje tão disseminada por todo o País, e que Dom João ali foi plantar de suas próprias mãos. O soberano mostrou-se tão concho desse novo espécime alienígena, acrescido à nossa flora, que ordens severas foram dadas para que dele não se fornecessem sementes a ninguém. Mas o que é proibido é sempre tentador e isso aguçou o desejo de muita gente que, a troco de uns cobres passados aos escravos do jardim, em pouco viam também nos seus parques rebentos legítimos da palmeira-real. Em 1810, no mesmo horto, se iniciou a cultura do chá com plantas importadas de Macau e para cujo trato recebemos, na mesma ocasião, uma colônia de perto de duzentos chineses. Em 1819, com o nome de Real Jardim Botânico, o parque da Lagoa Rodrigo de Freitas foi anexado ao Museu Nacional e facilitaram-lhe a visita do público. Em 1824, a ele e ao Passeio Público deram como Inspetor o carmelita Frei Leandro do Sacramento que, no último, professou aulas de Botânica e Agricultura. O Jardim Botânico, justamente pelo excesso de plantas exóticas, desapontou alguns dos estrangeiros que o percorreram e deixaram impressões sobre o Rio, como Maria Graham, Gardner e Charles Ribeyrolles, todos curiosos da nossa flora tão rica, mas que a esse respeito, nas suas alamedas e nos seus canteiros, quase nada acharam digno de nota.

Fonte

  • Cruls, Gastão. Aparência do Rio de Janeiro: Notícia histórica e descritiva da cidade. Prefácio de Gilberto Freyre, desenhos de Luis Jardim e fotografias de Sascha Harnisch. Rio de Janeiro: José Olympio, 1949. 2 v. (Edição do IV Centenário, 1965).

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  • Deusa Thetis no Lago Frei Leandro no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

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Jardim Botânico do Rio de Janeiro