Criação da Freguesia da Glória

A freguesia de Nossa Senhora da Glória foi criada pelo Decreto da Assembleia-Geral n.º 13, de 9 de agosto de 1834, e desmembrado na mesma data o seu território da de São José (68 – Teve os seus limites alterados pelos Decretos Municipais n.ºs 434, 864 e 3816). A igreja Matriz, ereta na Praça Duque de Caxias, está sob a invocação da padroeira da paróquia. A irmandade foi fundada antes de 1720. Em época remota a sede da irmandade era na capela de Antônio Joaquim Pereira Velasco, na Rua das Laranjeiras, ereta sob a invocação de Nossa Senhora dos Prazeres. Em 4 de abril de 1835 foi comprada pela quantia de 5:187$686, inclusive despesas de transmissão de propriedade, a capela de Antônio José de Castro, construída em 1720, no Largo do Machado e reconstruída em 1818, pela Rainha Carlota Joaquina. Nessa capela esteve a Matriz de 1835 a 1837, construindo-se depois a igreja, no mesmo local, por ter sido demolido o pequeno templo de Antônio José de Castro (69 – A Irmandade do Santíssimo Sacramento de Nossa Senhora da Glória foi fundada em 26 de janeiro de 1835, aceitando a Capela de Nossa Senhora dos Prazeres como Matriz provisória. A igreja Matriz não foi construída no terreno da antiga capela da Rainha D. Carlota (atual Rua das Laranjeiras, n.º 9), pois, este foi vendido em leilão ao Comendador José Batista Martins de Souza Castelhões, que aí construiu uma bela residência. Foi no terreno cedido por Carvalho de Sá, com frente para o Largo do Machado, entre a Rua das Laranjeiras e Rua Gago Coutinho (antiga Rua Carvalho de Sá), que se construiu a Igreja de Nossa Senhora da Glória). Em 18 de julho de 1842 teve lugar a cerimônia da colocação da pedra fundamental da Matriz, em terreno cedido à irmandade por Domingos Carvalho de Sá. Terminadas as obras do templo, foi ele aberto aos fiéis no dia 28 de setembro de 1872. O primeiro vigário que teve a freguesia foi o Padre Joaquim de Melo Castelo Branco. É atualmente vigário o Cônego Mariano Antônio de Velasco Molina.

Praça Paris com o Outeiro da Glória ao fundo

Possui a paróquia de Nossa Senhora da Glória as seguintes igrejas e capelas: a de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, no Morro da Glória; a de Nossa Senhora da Lapa do Desterro, no Largo da Lapa; a de São João de Deus, no Hospital da Beneficência Portuguesa, da Sociedade do mesmo nome, na Rua Santo Amaro; a de Nossa Senhora da Piedade, na casa da Rua Marquês de Abrantes, n.º 19, antiga propriedade do Visconde de Silva; e a do Coração de Jesus, na Rua Benjamin Constant.

No Largo da Lapa fica o Convento do Carmo, da Ordem de Nossa Senhora do Carmo (69A – Os carmelitas se mudaram para a Lapa, em 1810, após a chegada da Corte Portuguesa, porque o convento daqueles frades, na atual Praça Quinze de Novembro, passou a servir como dependência do Paço).

Tem sede na freguesia as Irmandades de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, dependente da igreja do mesmo nome; e a do Santíssimo Sacramento, na Igreja de Nossa Senhora da Glória (Matriz da paróquia).

Encontramos na Glória dois templos de religião protestante: a Igreja Metodista Episcopal do Sul (Metodist Episcopal Church) na Rua Conde Baependi, n.º 1; e a Igreja Metodista Americana (Anglo American Church), no Largo do Catete, n.º 7.

Dos templos católicos o que merece mais atenção é o de Nossa Senhora da Glória, no morro do mesmo nome. A Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro foi em princípio ermida em que se recolheu em 1671 Antônio Caminha. É de tradição que a imagem de Nossa Senhora da Glória se tornou querida pelos milagres que fazia, mormente aos sábados com a concorrência do povo crente. O Dr. Cláudio Gurgel do Amaral, possuidor do sítio da Glória, fez doação à confraria, estabelecida no Outeiro, das terras e da capela, por escritura pública de 20 de junho de 1669, sob a condição de a mesma edificar à sua custa a igreja, a qual foi acabada em 1714. Além da missa que se rezava sempre aos sábados, em memória dos milagres da santa, realizava-se e ainda hoje se realiza anualmente a festa da padroeira, com pompa sem igual, a 15 de agosto. Nos últimos anos do Vice-reinado, a festa da Glória era uma comemoração popular; a ela concorriam os Vice-reis, protetores da irmandade, moços e velhos, pobres e ricos; tudo que o Rio de Janeiro possuía de chique e de elegante, de bom e de mau comparecia ao pátio da igreja, entrava no templo, ria e brincava: – os trovadores de esquina cantavam sentimentais modinhas, que fizeram sucesso até depois de 1830.

De 1808 em diante, com o desenvolvimento que tomou o Rio de Janeiro pela residência efetiva do Rei D. João VI e elevação do Brasil a Reino Unido, a Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, como todas as instituições da cidade, teve um progresso extraordinário, aviventando o esplendor das festas da padroeira.

As damas e os cavalheiros da Corte esforçavam-se para que a Igreja do Outeiro mantivesse e aumentasse o culto a Nossa Senhora.

Fonte

  • Santos, Francisco Agenor de Noronha. As Freguesias do Rio Antigo: vistas por Noronha Santos. Introdução, Notas e Biobibliografia por Paulo Berger. Rio de Janeiro, 1965.
P – 064 – NOSSA SENHORA DA GLÓRIA

Fundação: 30/10/1834
Endereço: Largo do Machado, s/n – Laranjeiras – 22221-020
Telefone: 2225-0735
Site: Igreja Matriz de Nossa Senhora da Glória

Imaculada Conceição (Instituto João Alves Afonso)
Rua Ipiranga, 70 – Laranjeiras – 22231-120
Telefone: 2556-6046

Jesus Sacramentado (Apoio Fraternal)
Rua das Laranjeiras, 110 – Laranjeiras – 22240-000
Telefone: 2225-5208

Nossa Senhora do Cenáculo (FEM 015)
Rua Pereira da Silva, 135 – Laranjeiras – 22221-140
Telefone: 2557-5438

Nossa Senhora do Sagrado Coração
Rua Tavares Bastos, 296 – Catete – 22221-030
Telefone: 2205-9447

Santa Teresinha (Palácio Guanabara)
Rua Pinheiro Machado, s/n – Laranjeiras – 22231-090
Telefone: 2334-3301

São José (Lar de São José – FEM 108)
Rua Dr. João Coqueiro, 95 – Laranjeiras – 22221-120
Telefone: 2557-3981

Imagem destacada

  • Igreja Matriz de Nossa Senhora da Glória.

Mapa – Igreja Matriz de Nossa Senhora da Glória