Palácio do Catete

Na parte mais larga da Rua do Catete, outrora denominada Largo do Valdetaro, ergue-se o Palácio da Presidência, mais conhecido pelo nome que deu lugar à sua origem – Palácio Friburgo. O primeiro Barão de Nova Friburgo, Antônio Clemente Pinto, tinha predileção pelas grandes construções; assim foi que fez construir dois grandes palácios, nas suas duas primeiras fazendas de café em Cantagalo – deixou quinze que eram trabalhadas por 2.500 escravos e igual número de colonos – das Areias e dos Gaviões. Foi quem construiu o palácio que hoje serve de moradia aos presidentes da República. Foram empregados na construção desse palácio mais de três mil contos de réis em dinheiro, servindo de trabalhadores muitos escravos, entre eles, pedreiros e carpinteiros, vindos das fazendas daquele titular.

Barão e Baronesa de Nova Friburgo – Óleo sobre tela, Emil Bauch, séc. XIX. Acervo do IHGB/RJ (em comodato no Museu da República)

Conta-se que estavam marcados os alicerces no centro da chácara, para dar começo à edificação, quando o Barão de Nova Friburgo levou a senhora, que muito estremecia, para mostrar o lugar onde ia levantar a sua casa da cidade; e que ela dissera que, no lugar determinado, ficaria a casa sem vista, e nesse caso preferia morar em Friburgo. Prevaleceu a opinião da senhora, edificando-se a casa onde está, para que, chegando à janela, pudesse gozar a vista da rua.

Por morte dos pais, os seus dois filhos Antônio Clemente (Barão, Visconde de São Clemente, nome da fazenda do avô materno, em Cantagalo, onde sua mãe nascera) e o Dr. Bernardo Clemente Pinto (2.° Barão, 1.º Visconde e Conde de Nova Friburgo, que construiu à sua custa a Estrada de Ferro de Cantagalo, que cedeu à então Província do Rio de Janeiro – e bem assim o ramal de Cantagalo, hoje pertencente à Companhia Leopoldina, construção a que se abalançou para facilitar a saída do café de suas fazendas e das de seu irmão) ficaram com o palácio em comum.

Retrato de Getúlio Vargas no Museu da República

A Proclamação da República fê-los vender esse palácio, que foi adquirido pela Companhia Grande Hotel Internacional, que tencionava nele instalar um estabelecimento de 1.ª ordem, o que não levou a efeito, por ter-se já manifestado a crise da Bolsa, em virtude da qual essa e outras companhias naufragaram. Todos os títulos da referida companhia foram comprados pelo Conselheiro Francisco de Paula Mayrink, que ficou, desse modo, único proprietário do palácio, tendo nele residido durante algum tempo. Mais tarde, em liquidação de contas com o Banco da República do Brasil, o Conselheiro Mayrink deu-o em pagamento a esse instituto de crédito, que por sua vez o transferiu ao Governo, por encontro de contas com o Tesouro Federal, ficando desde o dia 3 de abril de 1896, no governo do Dr. Manuel Vitorino, Vice-presidente da República, considerado próprio nacional, para servir de residência oficial do Chefe da Nação.

(62 – O Palácio do Catete serviu durante 63 anos de residência oficial dos Presidentes da República. Foi inaugurado como palácio presidencial em 24 de fevereiro de 1897 com uma grandiosa festa promovida pelo Vice-Presidente em exercício, Dr. Manuel Vitorino. Em 21 de abril de 1960, com a transferência da Capital para Brasília, cedeu o antigo “Palácio das Águias” as honras presidenciais ao Palácio da Alvorada, sendo transformado em Museu da República, cuja inauguração se deu a 15 de novembro de 1960)

Fonte

  • Santos, Francisco Agenor de Noronha. As Freguesias do Rio Antigo: vistas por Noronha Santos. Introdução, Notas e Biobibliografia por Paulo Berger. Rio de Janeiro, 1965.

Mapa