Lagoa Rodrigo de Freitas

Engenho da Lagoa de Sacopenoapan, ou de Diogo de Amorim Soares, ou de Sebastião Fagundes Varella ou de Rodrigo de Freitas.

Diogo de Amorim Soares, pelos anos de 1596 a 1598 obtendo terras próximas a Lagoa de Secopenopan, hoje de Rodrigo de Freitas construiu um engenho a que denominou de Nossa Senhora da Conceição da Lagoa, pouco adiante do Jardim Botânico, que depois passou a seu genro Sebastião Fagundes Varella, por quanto nos documentos antigos do senado da câmara do Rio de Janeiro, verifiquei, conforme o livro primeiro dos aforamentos a pág. 54 v. que Diogo de Amorim Soares, em 27 de Novembro de 1609 aforou mais 300 braças de terra com vertentes para a Tijuca a razão de 600 rs. de foro contíguas ao seu engenho; e em 27 de Junho de 1609 (mesmo livro a pág. 148) fez ele o seguinte requerimento:

Diz Diogo de Amorim Soares, que ele estava de caminho para fora desta cidade, com mulher e filhos, e por este respeito queria traspassar umas terras do conselho desta cidade, sitas na Lagoa, junto às terras do seu engenho, que ora tinha dado em dote, e vendido a seu genro Sebastião Fagundes Varella, com obrigações originais; que para isso lhe dessem licença conveniente, com as confrontações, lugar e parte aonde esta vão, conforme ao título e carta, que tinha das tais terras, também passadas pelos oficiais dos anos passados, que serviram então nesta câmara, e pelo que lhes pedia, lhe desse esta licença, para o fazer, e lhe mandasse passar nova carta, etc.»

A Câmara concedeu a transferência, mandando passar nova carta de aforamento em favor do novo senhor do Engenho da Lagoa, Sebastião Fagundes Varella.

No dia 22 de Junho de 1609 obteve Fagundes Varella, carta de aforamento, por dois 9 anos das terras desde o Pão d’Açúcar até Copacabana, não só para pastos dos gados do seu engenho, como para fazer lenha, e tirar madeiras para as obras que tivesse de fazer, cujas terras vindo da Praia Grande ou Praia da Lagoa, ou da Copacabana iam 400 braças para o sertão.

Por outro aforamento de 23 de Setembro de 1611, obteve mais terras, sendo por esse tempo vereadores da câmara: Chrispim da Cunha, Amaro de Barros, Bartholomeu Vaz, João de Souza Pereira, Antônio Francisco Porbem, e porteiro da câmara Manoel Fernandes.

Em 19 de Julho de 1617, requereu as terras da Copacabana para aumento de pasto dos gados. (L. 1º fl. 44.)

Sebastião Fagundes Varella, possuindo por alguns anos o Engenho de Nossa Senhora da Conceição da Lagoa, depois o vendeu a Rodrigo de Freitas Mello e Castro, natural de Guimarães, em Portugal, o qual enriquecendo no Rio de Janeiro, retirou-se para o lugar do seu nascimento e como tivesse um filho e depois netos com o seu próprio nome de Rodrigo de Freitas, que ficaram na administração do engenho, perdeu os nomes primitivos e ficou conhecido com o de Engenho da Lagoa de Rodrigo de Freitas.

Com a trasladação da corte de Lisboa para o Rio de Janeiro, desejando o Príncipe Regente erigir uma fábrica de pólvora, outra de fundição de peças de artilharia e um Horto Botânico fora da cidade, por decreto de 13 de Junho de 1808, mandou desapropriar e incorporar o engenho e terras da Lagoa de Rodrigo de Freitas, aos próprios nacionais para nele se estabelecerem as fábricas e procedendo-se a avaliação da propriedade, e a indemnização, e julgada a adjudicação por sentença de 30 de Janeiro de 1810, foi paga a quantia de 42:193$430, valor da fazenda da Lagoa de Rodrigo de Freitas, e incorporada aos próprios nacionais com as formalidades da lei de 28 de Setembro de 1835[1].

Os terrenos pertencentes ao engenho da Lagoa de Rodrigo de Freitas, pagavam 6$400 de foro ao senado da câmara.

Nota

  1. Todos os documentos da desapropriação e escrituras foram examinados por mim no Tesouro Nacional e pelo conselheiro Dr. José Maurício Fernandes Pereira de Barros, e com escrupuloso cuidado conferidos.

Fonte

Imagem destacada

  • Lagoa Rodrigo de Freitas, por Johann Moritz Rugendas.

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