Monumento a Chopin

Frederico Francisco Chopin, pianista e compositor, nasceu na Polônia, em Zelazowa-Wola, perto de Varsóvia, no ano de 1809, e era de origem francesa. Começou ainda jovem a sua educação musical, aprendendo piano com o professor Adalberto Zwuny e composição com José Elsner. Tocou, em 1829, em Viena, e, em 1830, em Varsóvia. Ocupada esta cidade pelos russos, seguiu de Viena para Paris, ao saber da notícia, e aí fixou residência, relacionando-se com Liszt, Heine, Berlioz, Merimée, Ary Scheffer e George Sand, cuja romântica ligação com Chopin começou em 1837. Sua doença fê-los retirar-se para Mallorca, onde foi tratado pela romancista, que o descreveu no personagem “Príncipe Karol”, do romance “Lucrécia Floriani”, abandonando-o ao fim de oito anos. Chopin viveu depois retirado, dando lições e escrevendo composições. Foi o emancipador do piano, cuja música libertou da escravidão orquestral, colocando-a numa base de independência. Tal a razão por que, tendo composto quase que exclusivamente para ele, dentro de pequenas formas, tomou lugar de relevo entre os grandes compositores.

As suas composições para piano são notáveis pelo sentimento e pela expressão do estilo. Em poucos anos escreveu dois grandes concertos, sonatas, coleções de estudos, numerosas mazurcas, valsas, além de obras esparsas. A música de Chopin, caracteristicamente pessoal e de uma melancolia romântica, é por vezes de uma tristeza profunda. Nos ritmos, nas harmonias e na forma da melodia, afastou-se por completo das doutrinas clássicas. Sua música é cheia de encanto e de uma poesia penetrante de sofrimento e nostalgia. Entre as suas composições mais originais podem ser citadas a grande valsa em Mi Bemol e em Lá Menor, em Ré Bemol Maior e em Dó Sustenido Menor; a 8.ª Polonaise; a Fantasia improvisada; o Scherzo em Si Bemol; o Concerto em Mi Menor; os Noturnos; os Prelúdios e a Marcha Fúnebre, profundamente lúgubre. Sua morte ocorreu no ano de 1849.

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Monumento a Chopin na Praia Vermelha

Os poloneses domiciliados no Brasil resolveram exteriorizar e perpetuar num monumento a gratidão e amizade que os prendem ao nosso país, o qual, logo no alvorecer de sua independência, teve uma atitude para com a Polônia, tão espontânea e tão solidária, que ficou assinalada como um acontecimento da mais alta cordialidade entre os dois povos, em todos os tempos. O culto da admiração por Chopin no Brasil teria inspirado também os autores da iniciativa. De fato, tão querido é o grande musicista polonês, em nossa pátria, que o professor Aloísio de Castro já havia lançado, em 1927, a ideia de “erigir-se-lhe um bronze em terra brasileira”.

O monumento foi encomendado ao escultor August Zamoyski, que há alguns anos se encontra no Brasil. Sua entrega à cidade do Rio de Janeiro foi efetuada em uma solenidade no Teatro Municipal, com a presença de pessoas gradas, autoridades e representantes do Corpo Diplomático. Fazendo a oferta, falou o Sr. Tadeu Skowronski, ministro da Polônia. Em seguida, agradecendo o gesto da colônia polonesa, fez-se ouvir o prefeito Henrique Dodsworth, que enalteceu o patriotismo e a arte poloneses, tão bem representados em Chopin. A comissão incumbida de erigir o monumento teve a presidência do professor Aloísio de Castro, da Academia de Letras.

A inauguração do monumento realizou-se a 1 de setembro de 1944, na Praça General Tibúrcio, na Praia Vermelha, data que coincidiu com o quinto aniversário da guerra, iniciada com o ataque alemão à Polônia. O dia recordava, ainda, o triste episódio da derrubada, há dois anos, pelos soldados nazistas, do monumento erguido em Varsóvia a Frederico Chopin.

Pouco antes das 10 horas, numerosos membros da colônia polonesa se encontravam reunidos no trecho fronteiro ao monumento. Alunas do Instituto La-Fayette e do Instituto de Educação, com os respectivos estandartes, formavam na ala esquerda, vendo-se também, formados na ala direita, uniformizados, voluntários poloneses que iam partir para o “front”, precedidos do pavilhão de sua pátria. Ao ato estiveram presentes o representante do ministro da Guerra, coronel Décio Escobar; o prefeito do Distrito Federal, Sr. Henrique Dodsworth; o ministro da Polônia, Sr. Tadeu Skowronski; e outras autoridades, além de pessoas de destaque em nossos meios sociais.

Dando início à solenidade, o ministro Tadeu Skowronski pronunciou um discurso em que, depois de rememorar os dias trágicos da vida nacional polonesa e de exaltar a glória de Chopin, assim concluiu: “Chopin, sem dúvida, é dos filhos da Polônia o mais conhecido, o mais amado e o mais popular no Brasil. A admiração por Chopin sempre foi tão forte, entre os brasileiros, que, já em 1927, o professor Aloísio de Castro lançou a ideia, logo apoiada, de “exigir-lhe um bronze, para cultuar-lhe a memória na terra brasileira”. Esse antigo anelo acha-se agora realizado.

Ei-lo, este bronze, erguido na Cidade Maravilhosa, nesse recanto encantador da Guanabara, em meio da música da natureza: o silvo dos ventos e o ritmo das ondas.

Monumento a Chopin na Praia Vermelha

Senhor prefeito.

Em nome dos poloneses do Brasil tenho a subida honra de doar à Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro o monumento de Frederico Chopin, na bela concepção do artista August Zamoyski.

Possa este monumento atestar às gerações vindouras a gratidão dos filhos da Polônia, que foram hospitaleiramente acolhidos nesta abençoada Terra de Santa Cruz! Possa essa estátua ser o penhor, no futuro, dos laços espirituais que irmanam o Brasil e a Polônia num mesmo ideal de Civilização!

Foi este ideal que impeliu os soldados brasileiros aos campos de batalha! Nesta hora, brasileiros e poloneses, ombro a ombro, estão lutando na frente italiana, para preservar o seu comum patrimônio moral, a fim de que a Liberdade não morra no mundo!”

Agradecendo, em nome do prefeito do Distrito Federal, o oferecimento da estátua à cidade, falou o coronel Jonas Correia, secretário de Educação e Cultura da Prefeitura.

Falaram, ainda, o professor Aloísio de Castro, presidente da comissão que erigiu o monumento, e o Sr. Teodor Sabrys, presidente da Associação dos Poloneses do Rio de Janeiro.

Durante a solenidade, foram executados os Hinos do Brasil e da Polônia, tendo o conjunto vocal do Instituto de Educação entoado a canção “Salve Polônia”. Duas bandas de música, da Polícia Municipal e do Corpo de Bombeiros, no decorrer do ato inaugural, executaram composições de Chopin.

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Frederico Francisco Chopin, na estátua de August Zamoyski, é representado sobre um pedestal, ouvindo as vozes da Polônia: ele capta essas vozes para repeti-las ao mundo inteiro, através dos acordes imortais de suas “polonesas”, de suas “mazurcas”, de seus noturnos e de seus prelúdios. Foi esta a concepção do autor do monumento. O bronze mede 2 metros e 50 centímetros de altura, assenta sobre um pedestal de granito de 1 metro de alto e está colocado um pouco adiante do monumento aos heróis de Laguna e Dourados.

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Foi entregue pelo ministro da Polônia ao prefeito da cidade o seguinte documento:

“Ao primeiro dia do mês de setembro do ano de graça de 1944 – quinto aniversário da deflagração da Segunda Guerra Mundial, com a Invasão da Polônia pela Alemanha – os POLONESES DO BRASIL oferecem à mui nobre Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro o Monumento do Grande Filho da Polônia – o Gênio da Música – FREDERICO CHOPIN – obra do escultor August Zamoyski. – O ministro da Polônia no Brasil, Dr. Tadeu Skowronski, junto com o presidente do Comitê, professor Aloísio de Castro, pelo presente ato fazem a entrega solene ao prefeito da cidade – Doutor Henrique de Toledo Dodsworth – do dito monumento, erigido na Praia Vermelha. – A imagem de Frederico Chopin é destinada a perpetuar na capital da República dos Estados Unidos do Brasil as afinidades espirituais da Polônia e do Brasil, e expressar a gratidão de todos os poloneses que têm sido nesta terra hospitaleiramente acolhidos. Frederico Chopin, filho da Polônia, hoje é um cidadão do mundo civilizado, que considera unicamente digna de Homem a vida estabelecida sobre as bases da Liberdade, Justiça e Fraternidade, princípios que a Polônia sempre sustentou através dos séculos. Esse monumento, ereto na terra brasileira, concretiza no bronze esses conceitos que Chopin encarna na sua Arte – nesta arte tão apreciada no Brasil – e que irmana, num mesmo Ideal a Polônia e o Brasil”.

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