Monumento a Eça de Queiroz

O romancista português José Maria Eça de Queiroz nasceu na Póvoa de Varzim, em 25 de novembro de 1845, sendo seu pai o magistrado José Maria Teixeira de Queiroz. Passou a sua juventude na cidade do Porto, onde frequentou vários colégios particulares, realizando os seus primeiros estudos; em seguida, transferiu-se para Coimbra, onde se matriculou na faculdade de Direito, completando o seu curso em 1866. Em Coimbra, na época da agitação da Sociedade do Raio, Eça de Queiroz viveu a fase mais inquieta da sua existência, tomando parte em movimentos que lhe caldearam o espírito, com larga repercussão na mentalidade do escritor que já se afirmava através de colaborações esparsas em diferentes publicações. O seu vasto acervo de obras, a erudição e o talento que revelou na formação da literatura realista fizeram desse escritor uma singular figura das letras portuguesas, sendo considerado o criador do realismo dessa mesma literatura. Estilo inconfundível pelo colorido e originalidade; raros dotes de observação, de humorismo e de ironia são as mais finas características da literatura do festejado escritor lusitano, que conseguiu notável influência sobre a literatura nacional do Brasil.

São numerosas as obras de Eça de Queiroz. Entre outras, podem ser citadas: “Os Maias”, “O crime do padre Amaro”, “O primo Basílio”, “A cidade e as serras”, “Relíquias”, “A ilustre casa dos Ramires”, “O mandarim”, “Prosas bárbaras”, “Contos”, “Cartas de Inglaterra”, “Cartas familiares”, “Ecos de Paris”, “Notas contemporâneas”, “Últimas páginas”, etc. Com Ramalho Ortigão colaborou nos primeiros números das “Farpas”, tendo sido a sua colaboração reunida em um volume sob o título de “Uma campanha alegre”. Fundou e dirigiu a “Revista de Portugal”, onde escreveram os autores mais eminentes de Portugal, nessa época, e traduziu primorosamente as “Minas de Salomão” do escritor inglês Rider Haggard.

Eça de Queiroz foi sepultado no Panteon dos Jerônimos e a 9 de novembro de 1903 foi-lhe elevada, num dos largos de Lisboa, uma estátua em mármore, obra do escultor Teixeira Lopes. Nesta capital, por iniciativa de um grupo de homens de letras, foi-lhe também erguido um monumento.

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A inauguração ocorreu no dia 25 de fevereiro de 1923, às 14 horas, na Avenida Santos Dumont, atualmente Aparício Borges, e revestiu-se de solenidade. Estiveram presentes os Srs. Alaor Prata, prefeito do Distrito Federal; Duarte Leite, embaixador de Portugal; Visconde de Morais, Humberto Taborda, Artur Morais, escultor Pinto do Couto e senhora, escritora Júlia Lopes de Almeida, cônsul de Portugal, comissões da Associação dos Empregados no Comércio, da União dos Empregados no Comércio e da Academia Brasileira de Letras, artistas, literatos e jornalistas. Bandeiras brasileira e portuguesa cobriam o monumento, que foi descoberto pelos Srs. prefeito Alaor Prata e embaixador Duarte Leite, ante os aplausos de quantos ali se encontravam. O escritor Coelho Neto, principal propugnador da iniciativa, pronunciou um discurso oferecendo o monumento à cidade. O orador fez o estudo e o elogio da obra de Eça de Queiroz e assim concluiu a sua oração: “É a Eça, incontestavelmente, que se deve o meneio que hoje tem a língua portuguesa. A ele, o grande artista, devemos a fluidez e a beleza do idioma que hoje falamos”. Muitos aplausos recebeu o escritor patrício ao terminar o seu discurso, com o qual ficou encerrada a solenidade.

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Encontra-se, hoje, na Avenida Rui Barbosa, próximo da Praia de Botafogo, o monumento a Eça de Queiroz, esculpido em mármore e inicialmente inaugurado na Avenida Santos Dumont (atual Aparício Borges) [1]. A iniciativa da construção do monumento é devida a um grupo de homens de letras, com Coelho Neto à frente, incumbindo-se da construção o escultor Rodolfo Pinto Couto, então domiciliado nesta capital (Rio de Janeiro). O conjunto escultural apresenta uma figura de mulher — a Arte — coroando de louros o grande escritor, cujo busto, em bronze, tem uma expressão magnífica.

Nota do editor

  1. O monumento encontra-se atualmente no canteiro central da Avenida Lauro Sodré, em Botafogo, em frente do Shopping Rio Sul, próximo ao Túnel Novo, e não mais na Avenida Rui Barbosa.

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