Monumento a Santos Dumont

Alberto Santos Dumont nasceu a 20 de julho de 1873, no lugarejo de Cabangu, parada de João Aires, antigo município de Palmira, em Minas Gerais, onde viveu seu pai, Henrique Dumont, enquanto construiu a ponte sobre o Rio das Velhas e outras obras de engenharia. Quando Alberto completou sete anos, seu pai deixou a Serra da Mantiqueira e foi para Ribeirão Preto, em São Paulo. Com 12 anos veio para o Rio de Janeiro e depois foi matricular-se na Escola de Minas de Ouro Preto, cujo curso, porém, não concluiu. Aos 18 anos foi estudar em Paris e aí se dedicou ao estudo da química, da física, da astronomia e da mecânica. Muito dado, desde criança, a diferentes gêneros de desportos, cedo lhe viera a ideia da conquista do ar, que passou a constituir uma preocupação constante do seu espírito. Instalado na capital francesa, mandou construir o primeiro balão, que se chamou “Brasil”; era de forma esférica, com a capacidade de 113 metros cúbicos, podendo levar um lastro de 52 quilos e tendo na parte inferior uma barquinha de vime. O “Brasil” subiu ao ar, no dia 4 de julho de 1898, no Jardim da Aclimação. O segundo balão, denominado “América”, cubava 500 metros. Quando se dispunha a realizar nova ascensão nesta máquina, o Aeroclube de Paris abriu um concurso de balões para o estudo das correntes atmosféricas. Concorreram 12 balões, saindo vencedor Santos Dumont, que subiu mais alto e mais tempo se demorou no ar, onde manobrou durante 23 horas. Tendo reconhecido que os balões de forma esférica não podiam servir à aerostação moderna, mandou construir um outro, muito diferente: era um cilindro formado de dois cones, de 25 metros de extensão e de 1 metro e 75 centímetros de raio, cubando 600 metros. O leme era de lona e a hélice tinha 1 metro e 80 centímetros de comprimento. Aparentava a forma de um charuto, ou melhor, a de um fuso. Esse balão recebeu o nome de “Santos Dumont n.º 1”. A 18 de setembro de 1898, no momento da partida, rompeu-se, por causa de uma falsa manobra das pessoas que sustentavam as cordas que o prendiam ao solo. Consertada, porém, a máquina, realizou a sua ascensão, no meio de centenas de pessoas, que o aplaudiram. Em maio de 1899, apareceu o “Santos Dumont n.º 2”, mais resistente do que o anterior, mas, após várias experiências que obtiveram êxito, certo dia, em Nice, foi atirado por um tufão de encontro às árvores, despedaçando-se. Construiu nosso patrício o “Santos Dumont n.º 3”, que tinha a forma de um grosso charuto, medindo 20 metros de comprimento e cubando 550 metros, realizando-se a experiência, em Paris, a 13 de novembro de 1899. Apresentando novos melhoramentos, construiu o “Santos Dumont número 4” (1900), época em que Henri Deutsch, grande entusiasta da aviação, instituíra um prêmio de 100.000 francos para o balão que, partindo de Saint Cloud, fizesse a volta da Torre Eiffel, regressando, por linha previamente traçada, ao ponto de partida, no prazo máximo de 30 minutos. Santos Dumont concorreu ao prêmio, não tendo competidores. A ascensão realizou-se a 11 de julho de 1901, gastando a máquina 35 minutos. isto é, mais 5 do que os fixados. Não satisfeito ainda com os resultados obtidos, mandou construir outros balões – o “Santos Dumont” n.º 5, o n.º 6 e, finalmente, o n.º 7, marcando, sucessivamente, novos e importantes êxitos. Ganhando o prêmio instituído por H. Deutsch, de 100.000 francos, distribuiu essa quantia entre os pobres de Paris e os seus operários. No Brasil, onde o patriotismo vibrou com as memoráveis conquistas do inventor patrício, o Governo da República atribuiu-lhe um prêmio de 100 contos de réis. Tendo, até então, trabalhado com dirigíveis, resolveu depois demonstrar a possibilidade de realizar a navegação do mais pesado que o ar. Para Isso, construiu diversos aeroplanos, fazendo as suas últimas experiências com o de n.º 14-bis, que lhe fez ganhar, em 23 de outubro de 1906, a taça Archdeacon, de 3.000 francos. A 12 de novembro seguinte, realizou um voo na distância de 220 metros, a 8 metros acima do solo.

As experiências de Santos Dumont vieram dar um impulso decisivo ao problema da aviação. Sua fama correu mundo. Toda a imprensa mundial, sem restrições, proclamou-o, de maneira categórica, “O Pioneiro do Ar”.

Voltando ao Brasil, Santos Dumont fixou residência em Petrópolis, indo depois a Cabangu, no município de Palmira, onde nascera. Foi novamente à Europa, depois da Grande Guerra; e, ao regressar ao Brasil, em 1928, quando se comemorava o vigésimo aniversário do seu primeiro voo, um profundo desgosto o surpreendeu, deixando consternada toda a população: numerosas homenagens tinham sido organizadas para receber o glorioso patrício, mas o hidroavião “Santos Dumont”, que deveria deixar cair flores e expressiva mensagem de boas-vindas sobre o “Cap Arcona”, em que viajava o ilustre brasileiro, repentinamente se desgovernou e caiu ao mar, perecendo todos os seus tripulantes e passageiros, entre os quais se encontravam quatro professores da Escola Politécnica, um deputado federal e um estudante de engenharia: Tobias Moscoso, Amoroso Costa, Ferdinando Laboriau, Amauri de Medeiros, Paulo Castro Maia e Frederico Oliveira Coutinho.

Por ocasião do falecimento do “Pai da Aviação”, ocorrido a 23 de julho de 1932, em Santos, a cidade de Palmira, por ato do governo de Minas, passou a denominar-se Santos Dumont.

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O Aero Clube de França, interpretando os sentimentos do povo parisiense, que se havia interessado por todas as experiências e triunfos de Santos Dumont, elevou, em sua honra, um belo monumento em Saint Cloud. Esse monumento, de autoria do estatuário francês Colin, apresenta a figura de um homem, dotado de asas, levantando voo, e foi erguido no mesmo lugar de onde, em setembro de 1901, Santos Dumont partiu, no seu dirigível, para a primeira ascensão em torno da Torre Eiffel. O próprio Santos Dumont mandou colocar uma cópia desse monumento no Cemitério de São João Batista, a fim de servir de mausoléu da família. Ai repousa seu corpo.

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Em agosto de 1922, estando presentes nesta capital os aviadores portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral, um grupo de brasileiros, tendo à frente o Sr. Efigênio de Sales, lançou a ideia da ereção de um monumento a Santos Dumont, sendo aberta, para esse fim uma subscrição popular. A quantia arrecadada foi, entretanto, insuficiente para dar início ao projeto e, por isso, passou a comissão a pleitear auxílio dos poderes públicos. Aberta a concorrência e escolhido o trabalho do escultor Amadeu Zani, foi lavrado o contrato respectivo. Na maquete apresentada, apenas um ligeiro detalhe sofreu modificação. Santos Dumont, quando pousava para o escultor, fez reparos quanto à atitude pensativa que se lhe atribuía, dizendo que, nos momentos de suas cogitações, lhe era peculiar ficar com a fronte apoiada numa das mãos, atitude esta que o monumento reproduz. Outro interessante reparo de Santos Dumont foi reclamar do escultor que o fizesse com cabelos e, não calvo, pois na época do inolvidável feito ainda os possuía…

Dadas as deficiências de recursos e a grandiosidade do projeto, permaneceu, este, durante vários anos, como que esquecido. Suas principais figuras de bronze aguardavam, em São Paulo, no “atelier” do escultor, melhores dias. Na Constituinte de 1933, quando várias homenagens foram prestadas ao insigne brasileiro, o deputado Mário de Morais Paiva apresentou um projeto concedendo o crédito no valor de 250 contos de réis, para conclusão da obra. Lançada a pedra fundamental, e tendo a Prefeitura concedido também o auxilio de 200 contos, a comissão não mais descansou; e, finalmente, depois de vinte anos, foi inaugurado o monumento.

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Comemorava-se a 23 de outubro de 1942 o “Dia do Aviador”, consagrado a Santos Dumont, porque nesta data, em 1906, foi que o genial inventor deu ao mundo o aeroplano, realizando oficialmente o voo do mais pesado que o ar. Entre as comemorações evocadoras do grande feito, avultava, naquele ano, a inauguração do monumento. O ato revestiu-se de excepcional brilhantismo, estando presentes altas autoridades do país. Depois de celebrada missa no Aeroporto Santos Dumont, às 8 horas e 30 minutos, em memória dos aviadores mortos, sendo celebrante D. Benedito de Sousa, Bispo de Orisa, todas as pessoas presentes se dirigiram para o local próximo, onde o bronze se achava coberto pela bandeira brasileira. No palanque levantado em frente, ficaram as altas autoridades civis e militares, patentes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, e figuras de relevo na sociedade.

O Corpo dos Cadetes do Ar ali estava formado, em seu primeiro uniforme, vendo-se também a banda de música da Escola de Aeronáutica e, em outros pontos, formações de todos os colégios desta capital, destacando-se o Colégio Militar. Logo em seguida chegava o Sr. Getúlio Vargas, presidente da República, que se fazia acompanhar do Ministro da Aeronáutica, Sr. Salgado Filho, e do General Firmo Freire, chefe do Gabinete Militar da Presidência. Ouviu-se o Hino Nacional e, convidado pelo brigadeiro do ar Virgínius Delamare, o chefe do Governo dirigiu-se para o monumento, inaugurando-o com o descerramento da bandeira que o envolvia. O brigadeiro Virgínius Delamare ocupou, então, a tribuna, pronunciando um discurso alusivo ao ato. Em nome do presidente da República, falou o prefeito Henrique Dodsworth. Em seguida, alunos do Colégio Pedro II fizeram-se ouvir, numa série de canções orfeônicas, entre as quais a “Canção a Santos Dumont”. Por último, encerrando a cerimônia, os Cadetes do Ar abriram o pequeno desfile e contornaram o monumento, o mesmo fazendo a Juventude do Ar e os alunos dos demais estabelecimentos de ensino. A comissão incumbida de construir o monumento era composta dos Srs. Efigênio de Sales, Virgínius Delamare, Paulo Hasslocker, Demétrio Mércio Xavier, Mário de Morais Paiva, Cândido Campos, Artur Nunes da Silva, Pio de Carvalho Azevedo e Oscar de Carvalho Azevedo.

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No conjunto escultural do monumento, construído em base de granito, vê-se, em uma das faces, uma grande placa de bronze colocada abaixo da figura de Santos Dumont, pensativo, com estes sugestivos dizeres: “A Santos Dumont, Pioneiro da Aviação, o Brasil”. No lado oposto há outra placa incrustada no granito, com os nomes do presidente da República, do Ministro da Aeronáutica, do prefeito e dos membros da Comissão do Monumento. A obra em bronze foi executada na Fundição C. Zani-granitos E. M. Murtas.

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