Monumento ao Pequeno Jornaleiro

Em junho de 1933, o vespertino “A Noite” tomou a iniciativa de festejar, com o mais vivo realce, o “Mês da Cidade”, tendo para isto organizado interessante e variado programa, do qual constou, entre outras solenidades, a inauguração da estátua do pequeno vendedor de jornais, de modo a perpetuar no bronze a figura do jornaleiro, que é um colaborador eficiente e anônimo da Imprensa diária. Essa iniciativa, de que foram animadores os Srs. Carvalho Neto, Vasco Lima e Otávio Lima, teve o mais simpático acolhimento, sendo o monumento Inaugurado no dia 1 de junho daquele ano.

Por escolha do interventor Pedro Ernesto, o bronze foi localizado na convergência das ruas dos Ourives e do Ouvidor, com a Avenida Rio Branco, onde ainda hoje se encontra [1].

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As solenidades do “Mês da Cidade” foram iniciadas com a inauguração da estátua do “Garoto”; vendedor de jornais, cerimônia que se revestiu de alta expressão cívica. Decretado feriado escolar, cerca das 15 horas começou a concentração de alunos de todos os colégios convocados, iniciando-se a organização da parada quando já convergia para o centro da cidade grande massa de povo.

Os escolares estendiam-se pela Avenida Rodrigues Alves, com as respectivas bandeiras à frente, e as tropas escoteiras formavam ao longo da Avenida Venezuela. Pouco antes das 16 horas teve início a parada, sob o comando do tenente Castro Júnior. Quando as tropas juvenis entraram na Avenida Rio Branco, abria o desfile a banda de música dos Fuzileiros Navais, seguindo-se-lhe as bandeiras de todos os colégios. À sua aproximação do local da estátua, funcionavam sirenes, os clarins tocavam “sentido” e a massa popular festejava com palmas e aclamações os estudantes e escoteiros. Foi neste ambiente de entusiasmo que o monumento, executado por Fritz [2], coberto pelas bandeiras brasileira e do Distrito Federal, foi desvendado pelo menino José Bento de Carvalho, vendedor de jornais. Uma chuva de pétalas de rosas cobriu o artístico bronze, ouvindo-se prolongada salva de palmas, ao mesmo tempo em que foram soltos 300 pombos-correios pelos alunos do Colégio Vera Cruz.

O escritor Coelho Neto, dirigindo-se à multidão, pronunciou um discurso em que fez o elogio do jornaleiro, concluindo por entregar o monumento à cidade. Em seguida, a menina Dalila de Morais, de 9 anos de idade, aluna do Instituto La-Fayette, declamou o “Poema da Cidade”, de Álvaro Moreira. A senhorita Rita Cataldi, aluna do Colégio Silvio Leite, escreveu para a solenidade a “Exaltação do Jornaleiro Carioca”, que foi lida junto ao monumento. Davam guarda de honra ao monumento alunos do Colégio Silvio Leite, do Ginásio Vera Cruz, do Colégio Ultra, do Instituto La-Fayette, da Escola Normal de Comércio e das escolas municipais Benjamim Constant, Deodoro e Tiradentes, conduzindo bandeiras nacionais.

Também nas proximidades do monumento havia uma numerosa formação de vendedores de jornais, os quais, desde o primeiro momento, haviam levado aos promotores da iniciativa os aplausos da numerosa classe, por intermédio do Conde Vicente Perrota.

Em pavilhão armado junto à estátua encontravam-se o Comandante Amaral Peixoto, representante do Sr. Getúlio Vargas, chefe do Governo Provisório; Srs. Pedro Ernesto, interventor no Distrito Federal; Osvaldo Aranha, Ministro da Fazenda; representantes dos demais ministros de Estado, e outras autoridades, além de convidados.

Ao retirar-se, o Sr. Pedro Ernesto declarou: – “Em nome da cidade, apresento a “A Noite” as minhas melhores felicitações pela grandiosidade desta festa. É uma iniciativa que merece todos os elogios e todos os aplausos e à qual, como se está vendo, a população se associa com prazer”.

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A estátua do “Pequeno Jornaleiro” é um trabalho de autoria do artista Fritz, que compôs um tipo humano e real: o garoto, com as vestes remendadas e em desalinho, apregoa as folhas que tem sob o braço. Foi modelada e fundida nas oficinas Zani e descansa sobre um pedestal de granito.

Notas do Editor

  1. O Monumento encontra-se, atualmente, na Rua Sete de Setembro, em frente ao prédio número 88.
  2. Fritz é o pseudônimo de Anísio Oscar Mota (1895-1969).

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