Monumento ao Prefeito Francisco Pereira Passos

O engenheiro Francisco Pereira Passos nasceu a 29 de agosto de 1836, na antiga vila, hoje cidade, de São João Marcos. Seus pais, o barão e a baronesa de Mangaratiba, eram fazendeiros nos municípios de São João Príncipe e de Mangaratiba. Fez os primeiros estudos na casa paterna, sob a direção de um professor contratado para esse fim. Aos 14 anos, entrou para o colégio de São Pedro de Alcântara, então estabelecido na Rua do Livramento desta capital, dirigido pelos padres Paivas. Aí completou seus estudos preparatórios. Em março de 1852, matriculou-se no curso de Engenharia Civil, na antiga Escola Central, hoje Escola Nacional de Engenharia. Em dezembro de 1856, tendo completado o curso, tomou o grau de bacharel em ciências físicas e matemáticas, que lhe dava o diploma de engenheiro civil. Em 1857, Francisco Pereira Passos partiu para a Europa e completou seus estudos de engenharia civil na Escola de Pontes e Calçadas, de Paris, frequentando como ouvinte as aulas de Arquitetura, Estradas de Ferro, Portos de Mar, canais e melhoramentos dos rios navegáveis. Praticou depois, como engenheiro, na construção da Estrada de Ferro Paris a Lyon e nas obras do porto de Marselha. Voltando ao Brasil, em 1860, foi logo nomeado engenheiro das Obras Públicas da antiga província do Rio de Janeiro e, em seguida, engenheiro fiscal da E. F. de Cantagalo; a seguir, engenheiro residente da E. F. Pedro II; depois, fiscal da E. F. de São Paulo e empreiteiro da E. F. Bagé a Uruguaiana. Representante do Governo imperial na Europa, teve aí de resolver diversas questões sobre a estrada de ferro inglesa de Santos a Jundiaí, prestando assinalados serviços ao seu país. Foi engenheiro-chefe da estrada de Mauá a Petrópolis, de cujo traçado foi o autor, bem como da linha de bondes elétricos do morro de Santa Teresa. Construiu o ramal de Porto Novo do Cunha. Exerceu os cargos de presidente da Companhia Ferro Carril de São Cristóvão; da E. F. Macaé a Campos; da E. F. Sapucaí, cujos trilhos estendeu até a fronteira de São Paulo, e da E. F. Corcovado, sendo desta também o engenheiro construtor. Ocupou por duas vezes o cargo de diretor da E. F. Central do Brasil, sendo uma destas na monarquia, devendo-lhe a Estrada, por essa ocasião, grandes e importantes obras, como sejam: a abertura de túnel no morro da Providência, a construção da estação Marítima e, finalmente, a reconstrução da estação Central. Exerceu, ainda, com grande proveito para o país, o cargo de engenheiro do Ministério do Império, no governo do conselheiro João Alfredo. A 29 de dezembro de 1902, o Governo da República convidou-o para o cargo de prefeito do Distrito Federal, o que aceitou, depois de grande relutância, sendo nomeado a 30 do mesmo mês. Tinha sido, antes, promulgada a Lei n.º 939, de 29 do referido mês de dezembro, que reorganizava o Distrito Federal e autorizava o prefeito a administrá-lo, durante seis meses, até a eleição do Conselho Municipal, com plenitude de poderes, exceto o de criar e elevar Impostos. Sabe-se como Pereira Passos correspondeu à confiança do Governo e às esperanças da população da cidade. Tendo encontrado as finanças municipais com um “déficit” crescente de ano para ano, conseguiu, por uma melhor arrecadação das rendas, elevar a receita de mais 20 por cento. Como prova da confiança que nele depositava, o Congresso votou uma lei ampliando extraordinariamente os seus poderes e autorizando-o a contrair um empréstimo para execução das obras de melhoramentos que projetara. E foi no desempenho das funções de prefeito da capital que mais se tornou credor da gratidão de seus patrícios. Transformou a velha capital numa cidade moderna, saneada, asfaltada, e com a sua orla marítima enriquecida de uma avenida que é das mais belas do mundo. As ruas São José, Assembleia, Sete de Setembro, Visconde de Inhaúma, Camerino, Uruguaiana, Treze de Maio, Frei Caneca e outras foram alargadas. Foram abertas as avenidas Mem de Sá, Gomes Freire, Passos e Salvador de Sá. Transformou os jardins da cidade. Canalizou o rio Carioca em galeria subterrânea, desde as Águas Férreas até o mar. Intensificou a arborização, nas ruas e praças urbanas, plantando milhares de espécimes. Reformou o calçamento, aperfeiçoando-o sobre base de macadame e de concreto, e introduzindo o asfalto. Na sua administração, atingiu a 150.000 metros quadrados a área dotada de calçamento especial. Reorganizou os serviços municipais, aperfeiçoando a arrecadação sem recorrer a qualquer nova tributação. Criou o montepio para os funcionários municipais. Seria longo enumerar, um a um, todos os melhoramentos executados durante a administração desse grande prefeito. Da vida de Pereira Passos, cheia de trabalho e atividade, toda consagrada ao serviço do seu país, pode dizer-se que o padrão de glória é a reforma da cidade do Rio de Janeiro.

Nunca aceitou títulos honoríficos, nem condecorações. Em 1880, o rei dos belgas conferiu-lhe o oficialato da Ordem de Leopoldo, o qual nunca usou.

Sua morte ocorreu em 1913, a bordo do paquete “Araguaia”, quando viajava para a Europa, pouco antes de chegar à Ilha da Madeira. Seu corpo foi embalsamado, desembarcado em Lisboa e depositado na capela do Cemitério dos Prazeres, da capital portuguesa. Em 19 de maio do mesmo ano, foi seu corpo trasladado para o Rio de Janeiro, a bordo do “Cap Finisterre”, em câmara ardente. O esquife foi aqui desembarcado no dia 30 de maio e colocado no galeão “D. João VI”, que o transportou para o Arsenal de Marinha, sendo daí conduzido para o Palácio da Prefeitura, onde ficou exposto à visitação pública. Os funerais realizaram-se com excepcional imponência no dia 31 de maio, sendo o sepultamento feito no cemitério São Francisco Xavier.

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Retrato do Prefeito Francisco Pereira Passos, c. 1912. Pintura de Eliseu Visconti (1866-1944). Coleção Instituto Ricardo Brennand, Recife, PE.

Comemorando o centenário do grande reformador da cidade do Rio de Janeiro, o “Diário de Notícias” fez circular uma edição especial, no dia 29 de agosto de 1936. A esse propósito, em data de 4 de agosto do mesmo ano, o Sr. Edgar Romero, primeiro secretário da Câmara Municipal, enviou ao diretor desta folha o seguinte ofício:

“Sr. diretor do “Diário de Notícias” — Passo às vossas mãos, para os devidos fins, a inclusa cópia do requerimento n.º 295, de 1936, apresentado pelo Sr. vereador Heitor Beltrão e aprovado por esta Câmara, na sessão do dia 29 do mês próximo findo, louvando a Iniciativa do “Diário de Notícias”, de fazer circular, a 29 do corrente mês, uma edição especial em homenagem ao prefeito Passos. — Saúde e Fraternidade. — Edgar Romero, primeiro secretário.”

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A cerimônia da Inauguração do busto de Pereira Passos, no pátio central da Prefeitura, ocorreu no dia 5 de novembro de 1944, às 14 horas.[1] A área interna do Palácio da Municipalidade, na Praça da República, achava-se ornamentada com guirlandas e galhardetes. Presentes o prefeito, general Bento Ribeiro, membros da comissão promotora da homenagem, funcionários municipais de todas as categorias e grande número de pessoas, a banda de música do Instituto Profissional João Alfredo executou o Hino à Bandeira, enquanto alunas do Instituto Orsina da Fonseca descerraram a herma, que se achava envolta numa bandeira do Distrito Federal. Ouviu-se, então, vibrante salva de palmas. Falou, em primeiro lugar, o prefeito Bento Ribeiro, que disse como lhe era agradável assistir àquela prova de justiça e gratidão ao grande reformador da cidade. A seguir discursou o Sr. Leôncio Correia, que fez o histórico dos serviços prestados por Pereira Passos ao Brasil e ao Rio de Janeiro.

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O monumento erigido à memória do engenheiro Francisco Pereira Passos, agora na Praia de Botafogo, em virtude da demolição do antigo Palácio da Prefeitura, foi construído por iniciativa dos funcionários da Municipalidade. O bronze, trabalho do escultor Bernardelli, representa o inesquecível prefeito assinando a planta de remodelação da cidade do Rio de Janeiro. O busto, em bronze, assenta sobre um pedestal de granito, de três metros de altura, sendo a altura do monumento de 4 metros e 50 centímetros, e pesando 11 toneladas.

No mesmo local onde se ergue agora o pequeno monumento encontrava-se outro busto do prefeito Pereira Passos, oferta do comendador Antônio Ribeiro Seabra à cidade e inaugurado em setembro de 1916, trabalho de Bernardelli. Foi removido, no mês de maio findo, para a Escola Pereira Passos, na Praça Condessa de Frontin.

Encontra-se outro busto do antigo prefeito no interior da Drogaria Granado, homenagem do comendador Coxito Granado.

Nota do Editor

  1. O monumento encontra-se atualmente na Praça Pio X, no Centro da Cidade, atrás da Igreja da Candelária, entre as avenidas Rio Branco e Presidente Vargas.

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