Monumento ao Prefeito Pedro Ernesto

Era o Dr. Pedro Ernesto Batista natural do Estado de Pernambuco, tendo nascido na cidade de Recife, em setembro de 1884. Fez o curso de humanidades e os dois primeiros anos do de Medicina na Bahia, vindo completá-lo nesta capital (Rio de Janeiro), onde fez toda a sua carreira profissional. Dedicou-se à cirurgia, fundando, em 1918, a “Casa de Saúde Pedro Ernesto”, cujas instalações ampliou e aperfeiçoou em 1922. Na direção desse estabelecimento, consolidou a sua reputação de cirurgião, exercendo também com igual êxito a clínica médica. Seu interesse pelas coisas políticas revelou-se com o surto revolucionário de 1922. Desde então se tornou um líder civil, nesta capital, dos movimentos insurrecionais que tiveram seu desfecho em 1930, prestando, inclusive, devotada assistência a todos os elementos militares ou civis envolvidos nas conspirações malogradas. Esteve preso em 1924 como participante da conspiração chefiada pelo almirante Protógenes Guimarães. Com a vitória da revolução, em 1930, fez-se o Dr. Pedro Ernesto um dos líderes da organização das forças políticas nascidas desse movimento e que congregava, no Clube 3 de Outubro, os elementos veteranos das rebeliões anteriores. Nomeado interventor no Distrito Federal em 1932, exerceu o cargo até 1936, quando, envolvido no processo relativo à rebelião extremista de 1935 e do qual veio a ser absolvido, esteve alguns meses recolhido à prisão, recebendo grande manifestação popular no dia em que recuperou a liberdade. Sua administração caracterizou-se por iniciativas concernentes à educação e à assistência hospitalar, com a criação de numerosas escolas e a construção de vários hospitais.

Como político, chefiou o Partido Autonomista do Distrito Federal, que obteve a maioria da representação carioca na Assembléia Constituinte e na legislatura ordinária que se seguiu. Em 1937, esboçada a campanha da sucessão presidencial, que se encerrou com a dissolução do Congresso, a extinção dos partidos políticos e a implantação do regime vigente, em 10 de novembro, Pedro Ernesto filiou-se à União Democrática Brasileira, que sustentava a candidatura do Sr. Armando de Sales Oliveira à suprema magistratura. Desde então, voltou a dedicar-se, exclusivamente, às suas atividades profissionais. Foi mais tarde aos Estados Unidos em busca dos cuidados de um especialista da moléstia pertinaz que o acometera, mas não conseguiu debelá-la.

Seu falecimento ocorreu nesta capital, no dia 10 de agosto de 1942. Os funerais realizaram-se no dia seguinte, registrando-se grande comparecimento.

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Várias homenagens foram prestadas ao Dr. Pedro Ernesto, interventor no Distrito Federal, no dia 25 de setembro de 1933, data de seu aniversário natalício, destacando-se a missa solene na Catedral, o banquete de 700 talheres no Automóvel Clube e a inauguração de um busto em bronze, no edifício da Prefeitura, homenagem do funcionalismo municipal como agradecimento pelas leis assinadas em seu benefício. A inauguração desse busto ocorreu às 15 horas daquele dia, perante numerosa assistência. Usou da palavra o Sr. Rafael Pinheiro, que recordou os principais traços biográficos do homenageado e as etapas de sua atividade como homem público, como médico e como administrador. O Dr. Pedro Ernesto falou a seguir, para agradecer. Em seguida, subiu ao seu gabinete, onde foi muito felicitado pelos representantes do Governo, delegados de instituições e outras pessoas presentes.

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Palácio Pedro Ernesto, sede do Legislativo Municipal, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

O pequeno monumento encontra-se, hoje, no jardim do Passeio Público, para onde foi removido em virtude da demolição do Paço Municipal, no mês de maio de 1944. [1] O busto em bronze, assenta sobre um pedestal de granito róseo lustrado, medindo 3 metros de altura. Numa folha de pergaminho em bronze, desenrolada sobre o mármore, lado da frente, vê-se a seguinte inscrição: “A Pedro Ernesto, o funcionalismo agradecido – 25 de setembro de 1933”. Nos cantos do pedestal vêem-se as inscrições seguintes, abertas no granito: “Decreto 3.786. 27-2-932”. “Decreto 4.003, de 3 de setembro de 1932” e, na face posterior, a seguinte: “Trabalho, Honestidade, Justiça”. É de autoria do escultor Pinto do Couto.

Homenageando ainda o antigo prefeito do Distrito Federal, existe também um medalhão com a sua efígie incrustado no granito, sobre a qual se ergue uma figura de mulher, trabalho em bronze, de autoria do escultor Humberto Cozzo, em frente ao Teatro Municipal, obra decorativa ali colocada para compor o respiradouro de ventilação do mesmo teatro.

Nota do editor

  1. O monumento encontra-se atualmente no Palácio Pedro Ernesto, sede do Legislativo Municipal (Câmara Municipal do Rio de Janeiro).

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