Monumento ao Visconde de Bom Retiro

Luiz Pedreira do Couto Ferraz, visconde do Bom Retiro, nasceu no Rio de Janeiro em 1818. Parlamentar e estadista do Império, sua atuação em prol dos interesses nacionais foi das mais proveitosas, distinguindo-se em todos os setores da administração e do Parlamento pelos seus sentimentos patrióticos. Dele dizia o imperador Pedro II: “É a consciência mais pura que tenho conhecido”.

Doutorou-se em Direito na Faculdade de São Paulo, em 1838, sendo nomeado lente substituto da mesma escola no referido ano e catedrático no seguinte. Foi deputado em 1848 e, em 1856, era chamado ao Conselho da Coroa, como ministro do Império. Em 1846, havia sido designado pelo Governo para a presidência da Província do Espírito Santo e, em 1848, para a do Rio de Janeiro. Como ministro do Império, deu grande impulso à instrução pública, que lhe mereceu atenção especial. Promoveu a reforma da instrução primária e secundária e das Faculdades de Direito de São Paulo e Olinda, das Escolas de Medicina do Rio de Janeiro e da Bahia, da Aula do Comércio, transformada em Instituto Comercial, fazendo ainda a reforma do Conservatório de Música e da Academia de Belas Artes. Criou o Imperial Instituto dos Meninos Cegos, coadjuvou o dos Surdos-Mudos, concluiu as obras do Museu Nacional, edificou a Pinacoteca, criou vários núcleos de colonização em diferentes províncias, renovou os contratos das Companhias de Navegação do Amazonas e, nesta capital, renovou também os contratos com a empresa de estradas por trilhos de ferro para a Tijuca e o Jardim Botânico. Obteve os meios para a construção de um majestoso teatro, mandou planejar e iniciou os trabalhos do canal da Cidade Nova e realizou outros melhoramentos nesta capital. O seu falecimento ocorreu, no Rio de Janeiro, no ano de 1886.

Um seu biógrafo, depois de fazer-lhe o elogio e descrever a sua obra, estranhou que não houvesse uma estátua evocativa da memória de tão grande brasileiro. Mas, em 1928, o ex-presidente Washington Luiz, que mandara erigir dois monumentos na Floresta da Tijuca em homenagem ao barão de Taunay e ao barão d’Escragnolle, fazia erguer um terceiro ao visconde do Bom Retiro, dando-lhe também o nome a uma pequena praça localizada acima da Vista do Almirante, já no caminho dos Picos.

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Nenhuma cerimônia marcou a inauguração do monumento, o qual, terminada a construção, foi incorporado ao patrimônio da cidade e exposto à contemplação de quantos demandam o cume das florestas da Tijuca.

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Obelisco em homenagem ao Visconde do Bom Retiro, na Floresta da Tijuca

Ergue-se o mesmo sobre um pedestal de granito da Tijuca, com três degraus, formando um obelisco de 7 metros de altura, contados da base. Numa das faces, logo acima do pedestal, há um medalhão em bronze com a efígie do grande brasileiro e a inscrição: “Dr. Luiz Pedreira do Couto Ferraz, Visconde do Bom Retiro”. Nas faces laterais e na parte posterior encontram-se as seguintes inscrições: “Dentre os homens de Estado brasileiros, nenhum houve que à Floresta consagrasse o afeto e o interesse do morador da solidão – Luiz Pedreira do Couto Ferraz, nascido no Rio de Janeiro a 7 de maio de 1818”. – “Esta homenagem à memória de tão ilustre brasileiro, neste local, chamado do Bom Retiro, determinou que realizasse o exmo, sr. dr. Washington Luiz Pereira de Sousa, presidente da República dos Estados Unidos do Brasil – Agosto de 1928”. E, na face posterior: “Bacharel pela Faculdade de São Paulo em 1838. Doutor em direito e lente da Faculdade de São Paulo em 1839. Presidente do Espírito Santo e Rio de Janeiro (1846-1848). Deputado geral pelo Espírito Santo e Rio de Janeiro em 1848, 1850, 1853, 1857. Conselheiro de Estado em 1866. Senador do Império pelo Rio de Janeiro em 1869. Barão do Bom Retiro em 1867. Visconde do Bom Retiro em 1872. Falecido no Rio de Janeiro a 12 de agosto de 1886”.

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