Monumento ao Visconde de Mauá

Irineu Evangelista de Sousa (Visconde de Mauá) nasceu a 28 de dezembro de 1813, na freguesia de Nossa Senhora do Arroio Grande, município de Jaguarão, na então província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Foram seus pais João Evangelista de Sousa e d. Mariana de Sousa e Silva. Aos 9 anos de idade veio para o Rio de Janeiro completar os estudos necessários à carreira comercial a que se destinava e, três anos depois, em 1825, ingressava como simples caixeiro na casa do comerciante Antônio José Pereira de Almeida. Mais tarde, retirando-se do comércio o chefe dessa casa e tendo em grande apreço a maneira pela qual se distinguira o seu jovem empregado, apresentou-o ao chefe da firma Richard Carruthers, onde passou a trabalhar. De tal modo se houve nos serviços comerciais desse estabelecimento, revelando grande inteligência e qualidades excepcionais, que fez ali uma carreira prodigiosa, chegando, mais tarde, aos 23 anos de idade, à situação de sócio da firma e, nesta qualidade, substituiu o antigo chefe, que viajara para a Inglaterra. Sob a sua competente direção, a firma Carruthers teve grande projeção, fundando-se filiais no Rio Grande do Sul, em Londres e em Nova York. Daí por diante a carreira comercial de Irineu Evangelista de Sousa foi uma sequência de êxitos e a sua figura dominou todo o trabalho no Brasil em grande parte do século XIX. Esteve na Europa e, ao regressar, iniciou grandes atividades no campo da indústria e das obras públicas, adquirindo, para desenvolvê-la, a antiga fundição de Ponta d’Areia, onde armou um estaleiro, construindo aí numerosa frota de pequenos navios. A 11 de março de 1851, contratou com o Governo Imperial a iluminação a gás do Rio de Janeiro, num perímetro de três milhas. Não encontrou sócios para esse empreendimento de vulto. Fê-lo só. Na noite de 25 de março de 1854, aniversário da Constituição do Império, a cidade apareceu toda iluminada a gás. Dirigindo sua atividade para o serviço de ferrovias, construiu a primeira estrada de ferro brasileira – a Estrada de Mauá. Numerosas foram as realizações do visconde de Mauá em favor do progresso do país, destacando-se, entre outras, a navegação a vapor do rio Amazonas, o cabo submarino, a companhia de transportes fluminenses, a fundição de ferro, a companhia de luz esteárica, a companhia de curtumes, a companhia de rebocadores para a barra do Rio Grande do Sul, a companhia Jardim Botânico, a via férrea de Santos a Jundiaí, o Banco Mauá, com filiais no Brasil e no estrangeiro, a companhia de iluminação a gás e a E. F. de Teresópolis. Foi deputado pelo Rio Grande do Sul, sócio do Instituto Histórico e de outras associações, e durante dez anos foi tesoureiro da comissão encarregada de erigir a estátua de José Bonifácio. Era portador da Ordem da Rosa. A 21 de outubro de 1889 faleceu em Petrópolis o grande gerador de atividades que conquistou a admiração pública e a gratidão consagradora da posteridade.

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Monumento ao Visconde de Mauá na Praça Mauá

A iniciativa da construção de um monumento a Mauá teve origem no Clube de Engenharia, quando, em sessão de 1 de setembro de 1903, a comissão encarregada de comemorar a data do cinquentenário das estradas de ferro apresentou um parecer naquele sentido, merecendo aprovação. Em 3 de novembro, em reunião do Conselho Diretor, foram apresentadas pelo professor Rodolfo Bernardelli duas “maquetes” e, a 16 de dezembro, o mesmo professor entregava ao Clube de Engenharia a “maquete” definitiva. O projeto inicial era um arco monumental, sob o qual ficaria a primeira locomotiva que correu na estrada de ferro de Mauá, vendo-se no alto do arco o busto do grande industrial. Essa ideia não foi aceita, prevalecendo então a coluna, tal como está. A pedra fundamental do monumento foi lançada no dia 30 de abril de 1904, no início das obras da Avenida Central (Rio Branco, hoje), pelo Clube de Engenharia. A inauguração ocorreu no dia 1 de maio de 1910, às 2 horas da tarde. A parte principal da cerimônia não foi efetuada junto ao monumento. As altas autoridades e convidados reuniram-se em um dos salões do andar térreo do grande edifício da Ordem de São Bento, existente na Avenida Central, em face da estátua. Foi uma cerimônia simples. Presidiu-a o sr. Alcebíades Peçanha, secretário do presidente da República, comparecendo o ministro da Viação, o prefeito da capital, representante do ministro da Marinha, demais autoridades e convidados. Em uma fila de cadeiras encontrava-se a família do visconde de Mauá e, em outra fila, a diretoria do Clube de Engenharia. O dr. Paulo de Frontin, presidente desta associação, depois de agradecer a presença dos que ali se encontravam, deu a palavra ao orador oficial, dr. Castro Barbosa, que pronunciou um discurso alusivo ao ato. O dr. Floresta de Miranda, em breves palavras, fez um apelo ao representante da Companhia Leopoldina, ali presente, a fim de restituir à estrada de ferro que o grande industrial construíra – o nome de Mauá. Em seguida, dirigiram-se todos para o local da estátua que se erigia na praça. O dr. Paulo de Frontin convidou o dr. Alcebíades Peçanha, o prefeito Serzedelo Correia e senhoras d. Irene de Sousa Ribeiro e baronesa de Ibiramirim, filhas de Mauá, ao puxar os cordões presos à cortina verde e amarelo que cobria a coluna. A cortina caiu sob uma salva de palmas da multidão, descobrindo-se o povo, reverentemente, diante do bronze de Mauá. O dr. Paulo de Frontin falou, então, entregando o monumento à cidade, respondendo o dr. Serzedelo Correia. Falou, por último, o jovem Carlos Frick, neto de Mauá, que agradeceu a homenagem, em nome da família. Voltando todos ao salão, onde se iniciara a cerimônia, foi ai assinada a ata da inauguração e encerrada a solenidade.

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O monumento ao visconde de Mauá, que se ergue no extremo norte da Avenida Rio Branco, à entrada da praça Mauá, é obra de Rodolfo Bernardelli. Compõe-se de uma coluna dórica de 8 metros e 30 centímetros de altura, talhada em granito de Irajá; assenta em uma base de cantaria e é encimada pela estátua do grande industrial. O bronze representa Mauá, de pé, frente para o porto, tendo na mão o chapéu alto e a bengala. A fisionomia tem a expressão concentrada, quase absorta, na qual se desenha, entretanto, uma resolução enérgica. No corpo da coluna há uma inscrição alusiva à homenagem prestada e na base existem dois baixos-relevos em bronze, simbolizando, um, a indústria, e representando, o outro, a “Baronesa”, a locomotiva tradicional que primeiro, no Brasil, percorreu uma linha de estrada de ferro.

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