Frei José de Santa Rita Durão

Filho do capitão-mor Paulo Rodrigues Durão e Dona Anna Garcez de Moraes, nasceu em Cata-Preta, arraial da freguesia do Infeccionado em Minas Gerais, pelo ano de 1720, segundo cálculo, e faleceu em Portugal a 24 de janeiro de 1784, sendo doutor em teologia pela Universidade de Coimbra e aí lente opositor dessa ciência por concurso realizado depois da reforma de 1772, e eremita da ordem da Santo Agostinho, professo no Convento da Graça a 12 de outubro de 1738. Para subtrair-se à perseguição do Bispo de Leiria, em cujo desagrado caíra, ou por ser amigo dos jesuítas que foram os seus primeiros mestres, ou por outro qualquer motivo ainda não averiguado, – perseguição em que talvez tornasse parte seu provincial, que era irmão do bispo – seguiu em 1762 para Espanha com o desígnio de passar à Itália; mas, declarada a guerra entre os dois reinos da península, foi preso por suspeito de espia e detido no Castelo de Segóvia, de onde só saiu depois de celebrada a paz em 1763. Seguindo então para a Itália, obteve por proteção tio Cardeal Ganganelli em Roma ser nomeado bibliotecário da livraria pública Lancisiana, cargo em que foi jubilado ao cabo de nove anos de exercício, tendo sido admitido nas mais notáveis associações de caráter eclesiástico. Foi mestre em sua ordem, muito respeitado pelo seu grande talento e ilustração, grande orador e um dos mais notáveis poetas do Brasil. Escreveu:

– Caramuru: poema épico do descobrimento da Bahia, Lisboa, 1781, 307 págs. in-8ª – É um poema em dez cantos, onde se celebra o naufrágio de Diogo Alvares com outros companheiros salvos das ondas, mas devorados pelos índios; como este livrou-se de ter igual sorte, etc. Além da notícia dos ritos e tradições dos habitadores do Brasil e de sua história natural, oferece em muitos episódios notícias históricas do país como a da viagem de Diogo Alvares a França com Paraguaçu.…

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