Manuel de Araújo Porto-Alegre

Manuel de Araújo Porto-Alegre, Barão de Santo Ângelo – Chamado antes da Independência do Brasil Manuel José de Araújo, nasceu na cidade do Rio Pardo, província do Rio Grande do Sul, a 29 de novembro de 1806 e faleceu a 29 de dezembro de 1879 em Lisboa, onde servia o cargo de Cônsul Geral do Império, sendo grande dignitário da Ordem da Rosa, cavaleiro da de Cristo, comendador da ordem espanhola de Carlos III; professor jubilado de arquitetura da escola militar; ex-professor de pintura histórica da Academia de Belas-artes e seu diretor e reformador; sócio honorário do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, onde exerceu cargos importantes, como o de orador por espaço de quatorze anos; membro do antigo Instituto Histórico da Bahia, do Instituto Histórico da França, da Sociedade das Belas-artes e belas letras, e da Sociedade Politécnica de Paris, do Instituto Nacional de Washington, da Academia Real das Ciências e da Academia de Belas-artes de Lisboa, da Arcádia de Roma e de várias associações literárias do Brasil. Muito jovem, estudando preparatórios em sua província, demonstrou sua inclinação pelas ciências naturais e tanto que organizou para si um estreito gabinete de história natural. Em 1826, vindo para a corte, decidido a matricular-se na Academia Militar, como esta estivesse em férias, frequentou a Academia de Belas-artes com aplicação tal, que na primeira exposição obteve prêmios de pintura e de arquitetura e, assim começando, tornou-se, na carreira que abraçou, um vulto venerando. Foi em 1831 à França, com seu mestre Debret, aperfeiçoar seus estudos, viajando até 1837 pela Bélgica, Itália, Suíça, Inglaterra e Portugal, a princípio sofrendo privações, que foram minoradas com o auxílio prestado por um amigo e depois com uma subvenção concedida pelo governo imperial. Foi um dos fundadores do Conservatório Dramático e da Academia da Ópera Lírica e exerceu o cargo de Cônsul Geral do Brasil na Prússia desde 1859, antes de exercer esse cargo em Portugal. Cultivou com esmero a poesia e manejava a pena na prosa com a mesma elegância e mestria com que empunhava o pincel de artista.

Escreveu:

– Canto genetlíaco ao faustíssimo dia 23 de fevereiro de 1845. Rio de Janeiro, 1845, in-4º – É consagrado ao nascimento do Príncipe D. Affonso.

– A destruição das florestas: brasiliana em três cantos. Rio de Janeiro, 1846, in-8º – 2ª edição na Biblioteca Brasileira, 1862.

– O corcovado: brasiliana. Rio de Janeiro, 1847, 48 págs. in-8º. São composições admiráveis que exaltam o duplo talento do pintor o do poeta, como disse o conselheiro Olegário.

– Brasilianas: poesias. Viena, 1863, in-8º.

– Colombo: poema. Rio de Janeiro, 1866, 2 vols. in-8º– Foram publicados alguns cantos no Guanabara em 1851 e na Revista Brasileira, mas então não estava o poema concluído. Muitos consideram ser esta a melhor obra do autor.

– A Noite de São João: Ópera lírica, posta em música pelo maestro Giovani – Creio que não foi publicada.

– O prestígio da lei: drama lírico em três atos. Rio de Janeiro, 1859, 84 págs. in-12º – Foi posto em música pelo maestro Francisco Manoel da Silva.

– Angélica e Firmino: drama em quatro atos. Rio de Janeiro, 1848, in 8º.

– A estátua amazônica: comédia arqueológica, dedicada ao Ilm.º. Sr. Manoel Ferreira Lagos, em 1848. Rio de Janeiro, 1851, 86 págs. in-4º com uma est. – O autor ridiculariza o procedimento ingrato de certos viajantes europeus que em paga de finezas e favores dos brasileiros, saem do Brasil deprimindo-os e escrevendo um amontoado de falsidades, como fez o Conde Castelnau que levou para a França uma pedra mal lavrada que encontrou no Rio Negro, e expôs no Louvre, dando-lhe o título de estátua do tempo das Amazonas brasileiras!

– O espião de Bonaparte: comédia, inédita.

– O sapateiro politicão: comédia, inédita.

– Dinheiro e saúde: comédia, inédita.

– Discurso recitado pelo orador do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro no enterro do conselheiro José Joaquim da Rocha. Rio de Janeiro, 1848, 7 págs. in-8º.

– Estatutos do Atheneu Artístico. Rio de Janeiro, 1859, 12 págs. in-4º – Assina-os como presidente, seguindo-o outros.

– Discurso proferido por parte do Instituto Histórico à beira do túmulo do Senador Francisco de Paula e Souza – Na Revista do Instituto, tomo 15º, págs. 239 a 241.

– Discurso proferido por ocasião de dar-se à sepultura o cadáver do padre mestre Fr. Francisco de Monte-Alverne – Idem, tomo 21º, págs. 499 a 501.

– Estudos sobre o Brasil Meridional, considerado em suas relações físicas, acompanhados de um bosquejo sobre a colonização e livre emigração por Waldemar Schutz. Leipzig, 1865.

– Relatório sobre as belas-artes – Acha-se anexo ao «Relatório sobre a Exposição Universal de 1867 pelo secretário da comissão brasileira Júlio Constâncio de Villeneuve», Paris, 1868. (Veja-se este autor.)

– Relatório da comissão que representou o império do Brasil na Exposição Universal de Viena d’Áustria em 1873. Rio de Janeiro, 1874, 41 págs. in-4º.

– Informações sobre a posição comercial dos produtos do Brasil em Portugal – Vem no livro «Informações sobre a posição dos produtos do Brasil nas praças estrangeiras». Rio de Janeiro, 1875 de págs. 109 a 162, com várias tabelas.

– Os Voluntários da Pátria: drama em três atos. Lisboa, 1877, in-8º– Foi sua última obra e é pouco conhecida.

Porto Alegre redigiu as seguintes revistas:

– Niterói: revista brasileira. Ciências, letras e artes. Paris, 1836, in-8º– De seus escritos nesta revista, em que teve por companheiros Domingos José Gonçalves de Magalhães, Francisco de Salles Torres Homem e Eugênio Monglave, citarei:

– Ideia sobre a música – no n. 1º, págs. 160 a 183. E

– Contornos de Nápoles: fragmentos das notas de viagem de um artista – no n. 2º, págs. 161 a 215, sendo prosa até a pág. 186 e daí em diante o poema «A voz da natureza».

– A Lanterna Mágica: periódico plástico-filosófico. Rio de Janeiro, 1844-1845, in-4º.

– Guanabara: revista mensal, artística, científica e literária, redigida por uma associação de literatos. Rio de Janeiro, 1849-1856, 3 vols. in-4º – Foram seus companheiros de redação Antônio Gonçalves Dias e Joaquim Manuel de Macedo.

Entre seus trabalhos nesta revista estão:

– Academia de Belas-artes. A exposição pública de 1849 – No tomo 1º, págs. 69 a 77.

– O Marquês de Maricá – No mesmo tomo, págs. 316 a 319 – Colaborou em muitas revistas de ciências e letras, das quais mencionarei os seguintes escritos:

– A Igreja da Santa Cruz dos Militares – No Ostensor, tomo 1º, Rio de Janeiro, 1845-1846, págs. 241 e segs.

– Epitalâmio, oferecido ao meu prezado amigo Domingos José Gonçalves de Magalhães no dia de seu casamento com a Ilma. Sra. D. Januária Pinto Ribeiro de Magalhães a 16 de outubro de 1847 – Na Crônica Literária, n. 10, 1848, págs. 75 a 78.

– Festas imperiais – a chegada de S. M. a Imperatriz – Na Minerva Brasileira, tomo 1º, págs. 23 a 26.

– Fragmentos de viagem de um artista brasileiro – Arquitetura – Idem, págs. 71 a 76.

– Exposição pública. Academia de Belas-artes. – Idem, págs. 116 a 121, 148 a 154 e 308 a 311.

– Brasiliana, dedicada ao Ilm.º. Sr. Ignácio Dias Paes Leme – Idem, págs. 301 a 305, reproduzida em folhinhas de Eduardo e Henrique Laemmert (Folhinha patriótica brasileira para 1852), com a data de Fazenda de São Pedro, na Serra de Sant’Anna, 30 de janeiro de 1844.

– Brasiliana ao consórcio da sereníssima princesa imperial, a senhora D. Januária, etc. – Idem, tomo 2º, págs. 433 e 434.

– O Voador: brasiliana a Bartholomeu Lourenço de Gusmão – Idem, págs. 656 a 659.

– Uma palavra acerca do artigo do Sr. Chavagnes, intitulado «0 Brasil em 1844 » – Idem, págs. 711 a 719.

– A igreja paroquial de N. S. da Candelária – Idem, tomo 3º, págs. 29 a 31 e 60 a 62 com uma estampa.

– A estátua equestre do Sr. D. Pedro I – Na Revista Brasileira, tomo 2º, 1859, págs. 37 e segs. com uma estampa.

– O jequitibá da Serra de Santa Brasiliana – Idem, tomo 1º, págs. 407 a 417.

– A música sagrada no Brasil – No Íris, tomo 1º, págs. 47 e seguintes.

– Cartas sobre a Itália – Na Nova Minerva, tomo 1º, série 2ª, págs. 138 e seguintes.

– Biografia de Luiz Pedreira do Couto Ferraz. Biografia de Francisco de Lima e Silva – Na Galeria dos brasileiros ilustres, tomo 1º.

– Memória sobre a antiga escola de pintura fluminense – Na Revista Trimensal do Instituto, tomo 3º, págs. 547 a 557 da 2ª edição.

– Discurso recitado na sessão comemorativa da perda do Príncipe Imperial D. Affonso – Idem, tomo 11º, e também na «Oblação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro à memória de seu presidente honorário, o Sr. D. Affonso, etc.», págs. 7 a 12.

– Iconografia brasileira – Idem, tomo 19º, págs. 349 a 354.

– Apontamentos sobre a vida e obras do padre José Maurício Nunes Garcia e de Valentim da Fonseca e Silva – Idem, tomo 19º, págs. 354 a 378.

– Há ainda nesta revista muitos discursos e biografias, como há vários trabalhos em outras. Quanto a seus quadros, citarei apenas:

– S. M. I. o Sr. D. Pedro I, dando o decreto de reforma ao diretor da Escola de Medicina a 9 de setembro de 1826 – Ao redor do príncipe estão retratados o ministro do império, Visconde de São Leopoldo e os professores da escola. Está na faculdade de medicina esse quadro, que basta para justificar a fama de seu autor.

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