Capela dos Terceiros Franciscanos

CAPELA DOS TERCEIROS FRANCISCANOS – Instituída a Ordem 3.ª de São Francisco da Penitência em 20 de março de 1619, começou a construir sua capela em 1653, inaugurando-a, com grandes acréscimos a 4 de outubro de 1773, cento e vinte anos depois. Desse ano a meados do segundo reinado executaram-se muitas obras de lavor artístico, discriminadas no Resumo Histórico da Venerável Ordem 3.ª de São Francisco da Penitência, de Antônio Ramos Machado e no trabalho de João Augusto da Cunha Porto relativo ao patrimônio dessa Ordem.

O acesso ao portentoso templo do patriarca de Assis se fazia por íngreme ladeira, transposto o portão de ferro construído em 1800. As muralhas que se vêm no fim da ladeira foram erguidas em grande parte pelo construtor Paulo Ribeiro, em princípios do século XVIII. É uma obra formidável da engenharia colonial. Num dos paredões pode ser ainda contemplado o relógio de sol feito em 1844 por Antônio Maria Bragança e modelado pelo que ali existia de era distante, talvez por iniciativa dos jesuítas.

A fachada do templo é de estilo barroco. O pórtico principal, revestido de mármore, tem no alto a abreviada legenda F-1619.

O seu interior é simplesmente deslumbrante, como obra de arte e pela suntuosidade de decoração. As principais obras de pintura a óleo e de escultura em madeira e em talha dourada, que se observam na nave, no altar-mor e nos demais altares, no púlpito e na sacristia, executou-as na metade do século XVIII Caetano da Costa Coelho. Entre outras preciosidades de caráter histórico e artístico da Igreja da Penitência, sobreleva a pintura a óleo do teto, obra do afamado Ricardo do Pilar. “É uma obra de mestre – escreve Araújo Porto-Alegre, onde as regras de perspectivas se acham desenvolvidas em toda a sua magia.”

Viajantes ilustres anotaram em seus livros um dos aspectos mais interessantes da vida do Rio de Janeiro, – a pompa, nas cerimônias religiosas durante o primeiro reinado, e dentre outros, cronistas, Walsh ficou vivamente impressionado com a despesa representada pelas velas consumidas nos templos. Numa noite de festa, o autor de Notices of Brazil in 1828 and 1829 contou 830 velas na Igreja de Santo Antônio e 660 na da Penitência. Deu-se aquele viajante inglês ao trabalho de calcular o consumo da cera nas quarenta e duas capelas e igrejas, então existentes na cidade. Deveriam gastar os devotos mil contos de réis. Custando a libra da cera 160 réis, quando Walsh esteve no Rio (1828- 29), equivaliam esses mil contos, ao câmbio da época, a avultada soma de 150 mil libras esterlinas.

À propósito do consumo de cera em festividades religiosas, publicamos na revista Sul América, de outubro de 1941, algumas notas de investigação histórica.

Fonte

Galeria de Imagens

Mapa – Convento de Santo Antônio e Igreja da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência