Convento e Igreja de Santo Antônio

CONVENTO E IGREJA DE SANTO ANTÔNIO – A 19 de abril de 1607 a Câmara da cidade, sob a governança de Martim de Sá, consentiu que os frades franciscanos erguessem sua casa conventual no morro que fora adquirido em 1591 pelos carmelitas e dado por estes religiosos ao papa e à igreja romana – porque os frades de Santo Antônio não eram por seu instituto capazes de domínio e propriedade. Ultimaram-se em 1616 as obras mais urgentes da capela e do convento. Em 1653 deu-se começo à igreja para substituir a capela do mesmo orago, fazendo-se no correr dos anos acréscimos no vetusto edifício conventual, que lhe não modificaram, entretanto, os traços arquitetônicos do século XVII. Lançaram-se em 1715 os alicerces do paredão ou muralha, de pedra e cal, circundando a área ocupada pelos religiosos, prosseguindo através dos anos essa construção, que se ultimou em 1772 com admirável solidez.

O Convento de Santo Antônio é imponente como obra da arquitetura jesuítica, mas oferece em seu interior aspecto sombrio e mesmo soturno.

A igreja é revestida de talha e, conquanto pobre, em confronto com a da Penitência, que lhe fica ao lado, foi, em tempo do esplendor dos claustros, a mais notável desta cidade – assim o diz Felix Ferreira: “notável pela fama de seus grandes pregadores, entre os quais se apontam Mont’Alverne, que, depois de cego e arredio do púlpito, pregou, a instâncias do Imperador, um sermão na Capela Imperial, atraindo uma multidão, contida a custo no templo.”

Em 1710, o governador Francisco de Castro Morais pediu ao superior do convento a imagem do orago, para implorar o seu patrocínio em favor das armas lusas contra os franceses capitaneados por Duclerc. Santo Antônio, de simples soldado de infantaria, subiu por carta régia de 21 de março de 1711 ao posto de capitão. Remonta a esse ano a colocação do Santo num nicho da portaria do convento, iluminado por uma lanterna.

A 31 de agosto de 1814 foi ainda conferido ao milagroso santo a patente de tenente coronel e condecorado com a Grã Cruz da Ordem de Cristo.

O ilustrado embaixador Macedo Soares, em sua monumental obra – Santo Antônio de Lisboa – militar no Brasil, retraça-nos, com opulenta documentação, a glorificação do taumaturgo no hagiológio português.

No número dos brasileiros ilustres que viveram no convento, citemos o inimitável patriota e fulgurante orador sacro, frei Francisco de Santa Tereza de Jesus Sampaio, que teve decisiva intervenção nos sucessos da independência nacional.

O grande historiador carioca Dr. Vieira Fazenda consagra ao luminar da Ordem seráfica interessantes páginas em suas Antiqualhas e Memórias do Rio de Janeiro (Revista do Instituto Histórico – tomo 88 – pág. 376).

Fonte

Galerias de imagens

Imagem destacada

  • Painel de Azulejos do Século XVIII da Sacristia do Convento de Santo Antônio, representando Santo Antônio curando um cego: autoria atribuída a Valentim de Almeida.

Mapa – Convento de Santo Antônio e Igreja da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência