Largo de Santa Rita

LARGO SANTA RITA – Arruado no século XVIII, pela mesma época da construção da primitiva Capela de Santa Rita, teve a sua área ampliada com o aterro das valas que delimitavam os terrenos da chácara e horta dos religiosos de São Bento – depois da extinção do cemitério dos pretos novos, ao tempo do vice-reinado do marquês do Lavradio.

Chafariz e Igreja de Santa Rita no Largo de Santa Rita, por Eduard Hildebrandt, 1844, via Kupferstichkabinett der Staatlichen Museen zu Berlin – Preußischer Kulturbesitz

Em 1765, sendo já deficiente o terreno destinado a sepultamentos, alguns senhores de escravos mandaram abrir covas na rua e nelas lançaram os cadáveres. É o que se lê nos autos de homens de negócios e mercadores de escravos, de 1758 a 1768. Ao lado de uma certidão do vigário de Santa Rita, lê-se, naqueles autos, o seguinte comentário, escrito por um advogado adverso aos possuidores de escravos: “Forte impiedade: enterrar na rua, por onde andam os povos, e os animais a despedaçar os cadáveres. Que desconhecimento de humanidade!”

Do cemitério de escravos e do Largo de Santa Rita – dos princípios do século XIX, que Luccock ainda conheceu enfeitado por uma cruz até os dias que transcorrem, que mundo de transformações, que diferença de cenários! Desapareceu dessa zona da cidade a chácara dos beneditinos, as valinhas e a necrópole dos pretos novos; o jogo da bola do Beco de Gaspar Gonçalves; o curtume e o chafariz construído em 1842 e retirado do local em 1872. Do passado só existe, insubmissa às picaretas e alviões, a Igreja de Santa Rita.

Fonte

Imagem destacada

  • Largo de Santa Rita no Guia e Plano da cidade do Rio de Janeiro, 1858, publicado por A.M.Mc. Kinney e Roberto Leeder, via Biblioteca Nacional.

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