Rua da Vala

RUA DA VALA – Desde 1636 procurou-se dar melhor alinhamento às ruas da cidade. Esta não ultrapassava do Campo do Rosário e ainda em 1770, das Marinhas ao Rosário circunscrevia-se, propriamente, a urbs, com a sua população, governança, mercadores e oficiais mecânicos. “O Campo do Rosário era uma parte do campo da cidade[1], e compreendia grande área entre o fosso, hoje Rua Uruguaiana e os Mangues de São Diogo. Foi nesse campo que a 22 de dezembro de 1705 se demarcou a área destinada para o rossio da cidade, com 103 braças de comprimento por 50 de largura, desde a Rua do Ouvidor, até a da Alfândega, estendendo-se à Rua dos Andradas. Do Campo do Rosário resta hoje diminuta área, à qual se dá o nome de Largo do Rosário”. (Índices e Extratos de aforamentos – fasc. I – pág. 66 – Restier Gonçalves).

Os autos de correições dos ouvidores registam provimentos sobre a vala que da Lagoa da Ajuda se dirigia à Prainha. Em 30 de dezembro de 1735 estabeleceu o ouvidor Agostinho Pacheco Teles uma postura proibindo despejar entulhos e imundícies na vala, sob pena de multa de 20$000 ao infrator de condição livre, e de cem açoites e dois meses de galés aos escravos. No vice-reinado do Conde da Cunha colocaram-se lajes sobre a vala, correndo a despesa com a cobertura por conta do rendimento do subsídio dos vinhos, – providência que fora solicitada à metrópole em 23 de julho de 1757.

“Cresceu com esse benefício – diz-nos Monsenhor Pizarro (Memórias Históricas) – mais uma travessa que em diante facilitou a passagem de carros e seges”.

É de 1798 a Memória do célebre médico Dr. Manuel Joaquim Marreiros, na qual se refere às ruas estreitas, às casas mal arejadas, além das igrejas recheadas de cadáveres, por uma indiscreta devoção; à vala da cidade e ao cano, construído na rua do mesmo nome.

“Os animais mortos enchem, entulham a famosa vala que liga Santo Antônio à Prainha – escreve Luiz Edmundo, sublinhando a memória de Marreiros: “Cada rua é uma artéria úmida e podre, secando ao sol”. (O Rio de Janeiro no tempo dos vice-reis – pág. 14).

Chamou-se Rua Pedro da Costa, segundo um documento do Arquivo Nacional (tomo XI das Publicações) e como quer o douto Vieira Fazenda (Revista do Instituto Histórico – tomo 95 – pág. 574). Dentre outras nominações, citemos a de Rua Fronteira ao Rosário, (no trecho da Rua do Ouvidor à do Hospício), da qual tratam alguns cronistas, inclusive Hermeto Lima (Correio da Manhã, de 11 de janeiro de 1924).

Por proposta do vereador Dr. João Batista dos Santos (posteriormente Visconde de Ibituruna), de 14 de novembro de 1865, aprovada por portaria do Ministério do Império, de 1 de dezembro do mesmo ano, denominou-se – Rua Uruguaiana – em memória da rendição das tropas invasoras paraguaias, a 18 de setembro, na cidade de Uruguaiana.

O decreto municipal n. 459, de 19 de dezembro de 1903, aprovou o plano de retificação do alinhamento dessa rua. Outro decreto, de n. 568, de 11 de dezembro de 1905 aprovou os planos organizados para o seu alinhamento até a Rua Marechal Floriano (trecho antes denominado – Estreita de São Joaquim) e prolongamento até a face sul do Largo da Carioca.

Nenhum vestígio existe atualmente que nos possa dar a impressão da estreita, feia e tristíssima rua, transformada pelo grande prefeito Pereira Passos numa das mais lindas vias públicas da cidade.

Nota do editor

  1. Chamava-se Campo da Cidade toda a vasta superfície compreendida entre o antigo fosso (Rua da Vala) e os mangues de São Diogo (hoje Cidade Nova). Ainda em 1711 toda esta imensa área era assim designada nas memórias que relatam a tomada da Cidade pelos franceses, apesar de se achar já por esse tempo retalhada e edificada em muitos lugares por diferentes chácaras. (Haddock Lobo, Tombo das Terras Municipais, pág. 10, 1863)

Fonte

Imagem destacada

  • Casa Cavé – Esquina das ruas Uruguaiana e Sete de Setembro.

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