Rua das Violas

RUA DAS VIOLAS – Aberta em meados do século décimo sétimo, um dos primeiros ou talvez, o primeiro nome que teve foi o de Domingos Coelho. Por morte de Domingos Coelho Valadares, abastado proprietário, que construíra vários prédios no logradouro e fora irmão da Ordem Terceira da Penitência, sua viúva, Serafina de Andrade, legou um daqueles prédios à Santa Casa da Misericórdia, que desistiu do legado por achar que a casa estava situada em lugar deserto e oferecer possivelmente insignificante rendimento à instituição. No Dietário, do Mosteiro de São Bento, encontramos registada a nominação de Rua Serafina, em memória da viúva de Domingos Coelho. Em 1710 não ultrapassava a via pública da Rua dos Ourives e não podia ser prolongada devido aos grandes alagadiços, que se estendiam até o local chamado de Ilha Seca. Em meio desses terrenos pantanosos, permaneceu assim insulada a área entre as ruas dos Ourives, do Fogo e Estreita de São Joaquim.

Rua dos Três Cegos é outra denominação que lhe foi dada nos primeiros tempos. Na porção que fica aos fundos da Igreja de Santa Rita – chamou-se Rua Detrás de Santa Rita e também da Ilha Seca. Em fins do século XVIII passou a se chamar das Violas, em atenção aos violeiros que se estabeleceram na rua ou em suas redondezas.

Deveria ser reduzido o número de fabricantes e mercadores daqueles instrumentos musicais. Antônio Duarte Nunes, em seu Almanaque Histórico da Cidade de São Sebastião, (1799), regista apenas cinco violeiros na cidade Não nos diz se eram todos estabelecidos na Rua das Violas. Seriam, todavia, poucos e bem poucos, para uma terra de amigos da música e de trovadores de reisados e cantatas da festança do Divino Espírito Santo.

Apesar dos pântanos e das inundações que se seguiam às chuvas torrenciais, tornou-se assaz animado o comércio dessa rua. Em sua History of Brazil, o inglês James Hendersen regista a frequência de mercadores na Rua das Violas, – interessados na venda de produtos para o interior do país. A alguns dos lojistas vendiam, negociantes britânicos, vultosas partidas de mercadorias, que atingiam de trezentas a quatrocentos libras esterlinas diariamente.

Perdeu a Rua das Violas o seu antigo nome por deliberação da Ilma. Câmara Municipal, em sessão de 11 de novembro de 1869, recebendo o nome de Rua Teófilo Otoni, por proposta do vereador João Batista dos Santos, em memória do ilustre patriota Teófilo Benedito Otoni, falecido a 17 de outubro do mesmo ano.

Fonte

Imagem destacada

  • Rua das Violas no Guia e Plano da cidade do Rio de Janeiro, 1858, publicado por A.M.Mc. Kinney e Roberto Leeder, via Biblioteca Nacional.

Mapa