Rua do Cano

RUA DO CANO – Na correição que fez na casa da Câmara, o ouvidor João da Rocha Pita, a 4 de agosto de 1679, pediram os oficiais do conselho que se construísse um cano a partir da Rua Detrás do Carmo. Em 1693, em correição de 28 de fevereiro determinou o ouvidor Miguel de Siqueira Castelo Branco a feitura de consertos na rua que chamam do Cano, por se achar intransitável, motivando reclamações dos frades do Carmo. No ano seguinte, noutra correição, a 20 de fevereiro, o ouvidor Manuel de Carvalho Moutinho mandou proceder com brevidade os consertos na rua que chamam do Cano, para dar saída às águas que continuamente estão nela, em prejuízo da saúde dos moradores. Dessas correições se infere que em fins do século XVII já estava franqueada ao povo a atual Rua Sete de Setembro, a partir da Rua do Carmo.

Depois da chegada da família real, pretenderam o prior e mais religiosos do Carmo abrir uma rua ao lado de sua igreja, a qual deve vir a sair à outra que fica entre o convento e a cerca. Tratava-se de prolongar a Rua do Cano que não ia além da do Carmo. Em 1837, um dos moradores mais prestigiosos da rua, o visconde de Condeixa (João Maria Colasso de Almeida), solicitou ao presidente da Câmara Municipal, Luiz de Menezes Vasconcelos Drumond, autorização para prolongar o logradouro até o Largo do Paço. Este melhoramento inaugurou-se nove anos depois, a 7 de setembro de 1856, incumbindo-se das respectivas obras a Companhia Reformadora, organizada em 1854. Em 1857 ultimou-se a construção do passadiço fechado sobre essa rua, com seis janelas de cada lado, ligando a capela imperial a dependências do Paço Imperial da cidade. Demoliu-se em 1890 essa passadiço, iniciando-se no mesmo ano as obras da fachada lateral da igreja metropolitana.

Na primeira Intendência Municipal que se instalou após a proclamação da República, entre os vários projetos que foram ali discutidos, estava o do engenheiro Tito Barreto Galvão, que muito antes do decreto de 29 de setembro de 1889, do último ministério monárquico (autorizando grandes obras e melhoramentos no porto e cidade do Rio de Janeiro), cogitara da abertura de uma avenida constituída pela Rua Sete de Setembro, ligando as praças D. Pedro II (Quinze de Novembro) e Constituição (Tiradentes).

O projeto do engenheiro Barreto Galvão teve posteriormente a contribuição transitória de José Luiz Caminada. Em 1896, obteve o Dr. Galvão nova concessão e com o mesmo traçado (decreto n. 281, de 29 de maio), não logrando executar ainda dessa vez o seu velho plano. Por exclusiva iniciativa da Prefeitura, foi em 1904, aprovado o projeto de alargamento entre a Praça Quinze de Novembro e a Rua Uruguaiana.

“Vai desaparecer a estreita e feia Rua Sete de Setembro – dizia Gonzaga Duque, na Kosmos, de fevereiro de 1905 – e dentro de pouco tempo o alvião desbravador fará de todo o lado direito, a começar da Rua Júlio César e terminando na Rua Uruguaiana, um monte de escombros, donde se evolará, com o fumo da poeirada, mais um dos últimos alentos da velha e andrajosa Sebastianópolis. E o coração do carioca sentirá um grande alívio, porque a vergonha que o oprimia, vai se transformando num justo orgulho, apesar de ser voz corrente que o bom, o imaginoso carioca possui a nostalgia de la bone.

Pobre carioca! Os escritores que, como tu, viram a luz de seus dias nesta formosa terra, têm sido os que mais se batem pela limpeza, pelo embelezamento, pela dignificação da sua cidade bem amada, generosa e alegre; terra que a todos recebe e acolhe, fazendo de seus farrapos guirlandas festivas de recepção, numa alacridade ingênua de criança pobre.”

Em 1913, o decreto n. 948, de 26 de dezembro, mandou proceder às obras de alargamento, da Rua Uruguaiana à Praça Tiradentes, trecho que ainda não recebera nenhum benefício dos poderes municipais.

Fonte

Veja também

Imagem destacada

  • Rua do Cano no Guia e Plano da cidade do Rio de Janeiro, 1858, publicado por A.M.Mc. Kinney e Roberto Leeder, via Biblioteca Nacional.

Mapa