Rua do Erário

RUA DO ERÁRIO – OU DO REAL ERÁRIO – que depois se chamou do Sacramento e é atualmente a Avenida Passos, foi cordeada em 1791 em terrenos que haviam pertencido a Pedro Coelho e a sua primeira esposa D. Teresa de Jesus Almeida. Não passava de pequena servidão pública, limitada pela Rua do Alecrim (trecho da atual Rua Buenos Aires, pelos campos da Polé e de São Domingos ou da Lampadosa e comunicando-se com a Rua São Francisco, também chamada Ilharga da Sé (Luiz de Camões). A planta da cidade, de 1808, assinala o nome de travessa da Lampadosa – dado a atual avenida que recorda a ação do benemérito transformador do Rio de Janeiro. Naquele ano já terminava na Rua Senhor dos Passos. Deveria ser insignificante o número de prédios, porquanto, do lado par, nas imediações do local onde se construiu a Igreja do Santíssimo Sacramento da Antiga Sé (inaugurada a 4 de junho de 1820, em virtude de provisão episcopal de 1 de abril de 1816 e sede da paróquia do Sacramento, criada a 13 de junho de 1826, pela bula Studium paterni affectus, do Papa Leão XII) ficava a infecta Lagoa da Polé ou da Pabuna, que se estendia em direção ao Caminho de Fernão Dias (Rua Senhor dos Passos), indo um dos braços do brejal encontrar-se com os quintais da Rua dos Ferradores (trecho da Rua da Alfândega). A única edificação regular que antes de 1808 ali se fizera, do lado oposto ao da lagoa, fora a da casa dos pássaros, por iniciativa do vice-rei D. Luiz de Vasconcelos – e cujas arcarias serviram em 1818 à construção do edifício do Real Erário.

Sobrados na Avenida Passos com Luiz de Camões

Através de terrenos baldios e paludosos que iam da Rua do Alecrim ou da Vala do Alecrim à do Senhor dos Passos, alcançava-se em princípios do século XIX a Rua dos Ferradores.

Instalado o Erário no caminho que se estendia pelo Campo da Polé, passou a denominar-se o logradouro Rua do Erário e, transitoriamente da Moeda, por funcionar numa das dependências do tesouro régio a oficina da Casa da Moeda.

Restaurado o prédio em 1837, só em 1869 se fizeram grandes obras, conservando, porém, o palacete o mesmo aspecto tradicional e artístico, até 1937, quando foi demolido. Depois de 1820 adotou-se invariavelmente a nominação Sacramento. Em 1840 projetou-se o prolongamento até o Largo de São Domingos e, em 1884, o engenheiro Antônio de Paula Freitas sugeriu ligá-la ao bairro da Saúde, através da Rua da Imperatriz.

Em 1890 iniciaram-se as desapropriações para o alargamento da rua e cogitou-se de prolongá-la segundo o plano do engenheiro Antônio Lustosa Pereira Braga.

Em 1894, decretava-se finalmente o prolongamento, da Rua Senhor dos Passos à Rua Larga de São Joaquim, baixando-se para esse fim os decretos municipais ns. 13, 14, 19 e 74, de 30 de janeiro, 6 de fevereiro, 14 de março e 14 de junho daquele ano.

Sobrados na Avenida Passos com Buenos Aires

Apesar de todos esses atos do governo municipal, quando o Dr. Pereira Passos assumiu o governo da cidade, estavam apenas desapropriados dois prédios e um terreno. Para realizar a obra de alargamento do trecho mais estreito, entre a Rua do Hospício e Senhor dos Passos e a do prolongamento até a Rua Larga de São Joaquim fez o prefeito Passos demolir 72 prédios. Decorridos oito meses, da administração Pereira Passos, inaugurava-se a 27 de julho de 1903 o prolongamento na extensão de 550 metros, tomando o logradouro, por iniciativa popular, a denominação de Avenida Passos.

Com o título A Avenida Passos e sua história, publicamos na A Nação, de agosto de 1936, por ocasião do centenário do nascimento do Dr. Francisco Pereira Passos, desenvolvido estudo retrospectivo acerca do velho logradouro carioca.

Fonte

Imagem destacada

  • Rua do Sacramento no Guia e Plano da cidade do Rio de Janeiro, 1858, publicado por A.M.Mc. Kinney e Roberto Leeder, via Biblioteca Nacional.

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