Rua do Fogo

RUA DO FOGO – Aberta em terras do arcediago Duarte Correa Vasqueanes de Aguilar, anteriormente pertencentes à sesmaria de 365 braças em quadra, compradas a 25 de novembro de 1700 por aquele arcediago ao mestre carpinteiro Domingos José Franco e sua mulher Domingas Pereira, estendia-se através de terrenos desmembrados da chácara do Fogo. Vasqueanes possuiu, além das terras citadas, uma chácara contígua, na várzea do rossio, que fora de Marinha Madeira, recebida de seu marido Domingos de Oliveira, em quinhão de partilhas, por motivo de divórcio conjugal e sentença eclesiástica. Doada em testamento à família do Dr. Miguel Pereira Forjaz Coutinho Barreto e Resende, Visconde de Azurara, essa chácara deu motivo a séria contenda com o Senado da Câmara.

Em 1742 já estava aberta a rua numa grande parte, denominando-se Rua da Pedreira do Aljube, em razão de seu prolongamento em direção à Ladeira da Conceição, onde se erguia a cadeia dos eclesiásticos ou cárcere do Aljube. Melo Morais, filho, informa-nos que, “do princípio até à Rua da Alfândega esteve essa rua servindo por algum tempo de uma das testadas do rossio da cidade ou Campo do Rosário (fundos da Igreja do Rosário), no seu lado ímpar”. (Revista Arquivo do Distrito Federal – vol. II – pág. 354). Sendo aforados vários terrenos do rossio, que reduziram o campo ao pequeno espaço do atual Largo do Rosário, a Rua do Fogo começava nesse local – “porque o outro trecho, – acrescenta o autor de Festas e Tradições Populares do Brasil – estava interceptado por terrenos de aforamentos de Rocha Machado e Pedro Dias Paes Leme”. Por um atalho, que partia dos fundos da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, havia comunicação com o Largo de São Francisco, em frente à Rua do Ouvidor.

Em 1815 já se achava construída a Rua do Fogo em quase toda sua extensão de 250 braças. Reclamavam nesse ano os moradores e proprietários ao pé da Pedreira da Conceição, contra vizinhos que os impediam de desfrutar a vista da rua para a parte do denominado Rossio do Capim, devido à abertura de rótulas à face externa dos prédios. É curioso registar-se que, desde 1809 um edital do Intendente Geral da Polícia, desembargador Paulo Fernandes Viana, proibira, a partir de 21 de setembro, o uso de gelosias ou rótulas. Apesar das multas e condenações impostas, seis anos depois persistiam muitos moradores da cidade na desobediência àquele edital.

Foi denominada Rua dos Andradas por proposta do vereador Dr. João Batista dos Santos, em sessão da Ilma. Câmara de 20 de fevereiro de 1866, aprovada por portaria do Ministério do Império, de 12 de março do mesmo ano – em memória dos irmãos Andradas. – José Bonifácio, Antônio Carlos e Martim Francisco – insignes patriotas da independência nacional.

Fonte

Imagem destacada

  • Rua do Fogo no Guia e Plano da cidade do Rio de Janeiro, 1858, publicado por A.M.Mc. Kinney e Roberto Leeder, via Biblioteca Nacional.

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