Rua do Rosário

RUA DO ROSÁRIO – É uma das mais antigas ruas abertas em direção ao campo da cidade[1]. Nela residiu no século XVII André Dias Homem, que em 1622, fora procurador da Misericórdia, e cujo nome foi dado a um dos trechos do logradouro. Chamou-se Rua Domingos Manuel, outro morador importante e homem de negócios, que exerceu na metade daquele século cargos na Ordem 3.ª da Penitência. “Para bem mostrar a antiguidade da abertura da atual Rua do Rosário, basta atender ao seguinte – escreve Vieira Fazenda: o centro do comércio desta nossa cidade deixou de ser o Bairro da Misericórdia, onde, nas lojas dos prédios aforados pela Santa Casa a Dona Maria Mariz, funcionou até princípios do século XVII a nossa modesta Alfândega de então. Pois bem, para atender aos interesses dos negociantes, o governo mandou tomar nos cantos de André Dias (Rua Direita e Rosário) armazéns a Gaspar Dias de Figueiredo e Gaspar Dias de Mesquita. Para tal fim pagava o governo 24$ anuais (Livro 6.º da Provedoria da Fazenda – Arquivo Nacional)”. Este trecho de Antiqualhas e Memórias do Rio de Janeiro (Revista do Instituto Histórico – tomo 95 – Ruas Antigas – VII – pág. 595), do grande mestre da história da cidade Dr. José Vieira Fazenda, em refutação ao que escreveu o ilustrado Felisbelo Freire, acerca de algumas ruas, se ajusta com o que se lê noutros estudos a propósito de casas doadas à Santa Casa da Misericórdia em 1631 (Os Provedores da Santa Casa da Misericórdia).

Duarte Vaz ou Duarte Vaz Pinto – chamou-se um trecho dessa rua, como se verifica da correição do ouvidor Francisco da Costa Barros, de 21 de janeiro de 1636 (4.º vol. do Arquivo Municipal e Autos de Correições – 1624-1699 – pág. 26).

Várias outras denominações couberam a trechos do logradouro, entre elas a de Vila Lobos (André Vila Lobos, possivelmente ascendente de Inácio da Silveira Vila Lobos, vereador em 1678), e a de Padre Matoso, em honra de Luiz de Freitas Matoso. Com a edificação da Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, passou a ser conhecida pelo nome de Rua do Rosário – ou rua que vai para o Rosário. Monsenhor Pizarro dá-lhe em suas Memórias Históricas, a nominação pejorativa de “rua dos pretinhos”.

A expansão conquistada por esse logradouro na vida comercial da cidade foi, em grande parte, consequência da valorização predial. A irmandade de Nossa Senhora do Rosário, com a aquisição e construção de imóveis – como verificamos nas demoradas pesquisas procedidas em seu arquivo, muito concorreu para aquela valorização.

Sendo uma das ruas que mais sofriam estragos nas grandes inundações – tão frequentes na estação calmosa e devido à vala que transbordava nessas ocasiões, recebeu por isso numerosos benefícios da Edilidade.

Em 1891, Alberto Hargreaves submeteu à Intendência Municipal um projeto de alargamento na quadra compreendida entre a Rua Visconde de Itaboraí, Rosário, Mercado e Travessa do Tinoco, não logrando realizar o seu intento.

Pelo decreto municipal n. 883, de 7 de maio de 1902, foi autorizado o alargamento entre a Rua Visconde de Itaboraí e a Praça das Marinhas.

Nota do editor

  1. Chamava-se Campo da Cidade toda a vasta superfície compreendida entre o antigo fosso (Rua da Vala) e os mangues de São Diogo (hoje Cidade Nova). Ainda em 1711 toda esta imensa área era assim designada nas memórias que relatam a tomada da Cidade pelos franceses, apesar de se achar já por esse tempo retalhada e edificada em muitos lugares por diferentes chácaras. (Haddock Lobo, Tombo das Terras Municipais, pág. 10, 1863)

Fonte

Imagem destacada

  • Rua do Rosário no Guia e Plano da cidade do Rio de Janeiro, 1858, publicado por A.M.Mc. Kinney e Roberto Leeder, via Biblioteca Nacional.

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