Rua do Valongo

RUA DO VALONGO – Do termo de vistoria de 11 de março de 1741, procedida no Campo de São Domingos, se verifica que, naquele ano, não estava ainda definitivamente aberta essa rua. Constituía um caminho até à chácara do capitão Antônio Vidal de Castilho e canto da rua que vem do curtume do defunto José da Costa. (Vistorias e Embargos – 1741-1748 – Arquivo Municipal). Prolongou-se o caminho em 1758 através das chácaras de Manuel Campos Dias e Manuel Casado Viana (comprada esta chácara a Pedro Fernandes, que a herdara de seu pai, Antônio de Vieira – o C… rabos) e a da Conceição dos Coqueiros, que fora de Vidal de Castilho.

Rua do Valongo é a nominação usualmente dada ao logradouro desde 1760, e que, em documentos acerca da reclamação de José da Costa Barros (1793), por motivo do rebaixamento do leito do logradouro, encontramo-la registada.

A um de seus trechos deram o nome de Valonguinho – registado na planta que figura na obra de Debret.

Essa nominação parece-nos haver obedecido ao critério pessoal dos moradores, pela semelhança topográfica do lugar com um dos arrabaldes portugueses do mesmo nome, na cidade do Porto.

Cais do Valongo e da Imperatriz
Cais do Valongo e da Imperatriz
No Valongo estabelecera o vice-rei Marquês de Lavradio, o depósito de escravos, que até então se instalara em vários pontos da cidade, notadamente na Rua Direita. “Havia nesta cidade – diz o vice-rei – o terrível costume de que todos os negros que chegavam da Costa da África a este porto, logo que desembarcavam, entravam para a cidade e vinham para as ruas públicas e principais dela, não só cheios de infinitas moléstias, mas nus…” (Relatório de 19 de junho de 1779).

Aumentados os armazéns de escravos no Valongo, no governo do Conde de Resende, foram melhoradas as suas condições higiênicas em 1808 – quando intendente geral da Polícia, Paulo Fernandes Viana.

Extinguiu-se o depósito de escravos pela lei de 7 de novembro de 1831.

Com o título – Cenas Extintas, o saudoso Vieira Fazenda publicou no número da revista Kósmos, de maio de 1905, sugestiva crônica sobre o mercado de escravos no Valongo e que está reproduzida em suas Antiqualhas e Memórias do Rio de Janeiro (Revista do Instituto Histórico – tomo 89 – pág. 107).

Até 1903, terminava a Rua Camerino no Largo de São Domingos. Com o prolongamento da Rua do Sacramento (Avenida Passos) entre o largo e a Rua Marechal Floriano, foi absorvida por aquela obra. Alargada desde o seu novo inicio (Rua Marechal Floriano) em virtude do decreto do prefeito Passos, n. 459, de 19 de dezembro de 1903, tornou-se excelente via de comunicação para o Bairro da Saúde.

Chamou-se Rua Imperatriz, a partir de 1842. Desde 21 de fevereiro de 1890 – teve a denominação de Rua Camerino, em memória do voluntário da pátria Francisco Camerino de Azevedo, morto no combate de Curupaiti (guerra do Paraguai), a 22 de setembro de 1866.

Fonte

Imagem destacada

  • Rua da Imperatriz no Guia e Plano da cidade do Rio de Janeiro, 1858, publicado por A.M.Mc. Kinney e Roberto Leeder, via Biblioteca Nacional.

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