Rua dos Latoeiros

RUA DOS LATOEIROS – Esta denominação é encontrada em vários documentos de licenças comerciais desde o quinto decênio do século décimo oitavo, com a declaração de residirem nessa via pública os oficiais de latoeiros e fundidores de metais. Melo Morais, pai, confirma, na Corografia Histórica[1], o que se lê em papéis do Arquivo da cidade: “Depois que se mudaram para a rua as diferentes oficinas de latoeiros e fundidores, passou a ser chamada dos Latoeiros, saindo daqueles estabelecimentos todas as obras de latão, cobre, etc.” Informa-nos, porém, o historiador do Brasil Reino e Brasil Império, que antes desse nome, fora conhecida por Carioca. Nenhum registo dessa espécie conhecemos que nos autorize a achar razoável o depoimento do ilustrado pesquisador. De uns autos do juiz e escrivães de latoeiros de 1782 e 83 (Arquivo Municipal) constam depoimentos de latoeiros, moradores na rua deles, sem figurar jamais o nome Carioca.

Teve a nominação da Rua Gonçalves Dias por ato da Câmara Municipal de 9 de fevereiro de 1865, em memória do genial poeta Antônio Gonçalves Dias, falecido a 3 de novembro de 1864. Na antiga nomenclatura dos logradouros públicos da cidade, encontram-se denominações que, como a dos Latoeiros, localizavam, por assim dizer, os mercadores e os diversos oficiais mecânicos. Adelos, Barbeiros, Ferradores, Madeireiros e Ourives exemplificam essas localizações.

O engenheiro Paula Freitas, dentre as medidas necessárias para desafogar o tráfego de veículos, lembrava em 1884 o seu prolongamento até à Prainha. Não se executou o projeto do provecto profissional, mas, em 1908, pelo decreto n. 690, de 7 de março, autorizou-se o seu prolongamento, da Rua do Rosário até a do Hospício (Buenos Aires).

Como curiosidade arquitetônica, devemos assinalar que ainda em 1904 existia na Rua Gonçalves Dias o mais alteroso prédio da cidade que ascendia a cinco andares.

Nota do Editor

  1. Alexandre José de Melo Morais (1816-1882) – Corografia histórica, cronográfica, genealógica, nobiliária e política do Império do Brasil, (1858-1863), Rio de Janeiro, Tipografia Brasileira. Cinco volumes: o tomo I, em 1858; os tomos II e III, em 1859; o tomo IV, em 1862 e o que chamou de segunda parte do tomo I, em 1863 (IHGB).

Fonte

Imagem destacada

  • Rua dos Latoeiros no Guia e Plano da cidade do Rio de Janeiro, 1858, publicado por A.M.Mc. Kinney e Roberto Leeder, via Biblioteca Nacional.

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