Rua Nossa Senhora da Glória

RUA NOSSA SENHORA DA GLÓRIA – Com a concessão de aforamentos de terras nesse trecho da cidade, localizaram-se em meados do século XVII agricultores de cana de açúcar e cereais, no espaço entre as depressões do Morro do Desterro (Santa Tereza) e o sítio do Catete. Por essa época abriu-se um trilho que, da Lagoa do Boqueirão, se dirigia ao campo da Olaria, no sopé do morro de Julião Rangel de Macedo e Gabriel da Rocha Freire e depois pertencente ao Dr. Cláudio Gurgel do Amaral, abastado proprietário e provedor da Santa Casa da Misericórdia.

Chafariz da Glória

O trânsito da Lapa para o Catete constituiu durante dilatados anos um dos problemas que mais preocuparam a administração municipal. Franqueado ao povo havia um caminho à beira mar. Só em 1801, rebaixado e aplainado o terreno montanhoso paralelo ao mar e consertado o caminho junto ao mar, se tornou possível o trânsito regular. Foi uma obra tenaz e penosíssima, a do cordeamento desses caminhos que ligavam o centro comercial com a parte sul da cidade. Em 1794 reclamava do Senado da Câmara o Ouvidor interino Dr. Baltasar da Silva Lisboa prontas providências para o conserto da estrada à beira-mar – que está quase fechada ao povo pelas grandes rachas no paredão, ocasionadas por violentas marés. Em 1816 foi definitivamente alargada num trecho a estrada, com a cessão de terrenos da chácara do Matias e em 1829 ultimadas as grandes obras de reconstrução do paredão. Em 1856 deu-se princípio à construção de um cais, substituindo-se em 1859 a alvenaria por cantaria grossa, de acordo com a proposta do engenheiro inglês Charles Neate. Em 1876 ampliou-se o cais.

Felix Ferreira (Guia do Estrangeiro no Rio de Janeiro – 1873) e o operoso e brilhante historiador Vale Cabral (Guia do Viajante) – informam que um trecho da Praia da Glória que se encontra com a do Flamengo se chamou D. Pedro I. Não encontramos semelhante nome em nenhum dos muitos documentos oficiais da Municipalidade que temos consultado.

Ao lado da casa onde esteve a Roda dos Enjeitados, inaugurou em 1772 o vice-rei Marquês de Lavradio, um chafariz, com a seguinte inscrição lavrada em mármore:

Aloysio Almeida
Marchioni Lavradiensi
Brasiliae Pro Regi
Freenatis Nestuantis Maris Incursibus
Ingenti Constructo Muro
Concilii Reditibus et Dignitate nuctis
Publicis Reparatis Aedificiis
Renovata Urbe
Servatori Suo
Senatus et Populus Sebastianopolus
P
MDCCLXXIl

Fonte

Imagem destacada

  • Rua da Glória na Planta de melhoramentos da cidade do Rio de Janeiro de Pereira Passos, via Biblioteca Nacional.

Mapa – Rua da Glória