Viagem de Niterói a Nova Friburgo

Capítulo II

Excursão ao interior

Tendo contratado um empregado suíço que me servia de guia, e tendo levado um suprimento de provisões indispensáveis – uma arma, etc… – deixei Praia Grande[1] em um barco tripulado por seis negros, em 23 de setembro de 1821, uma terça-feira. Depois de uma agradável travessia, que durou cerca de três horas, alcancei a foz do Macacou[2], o maior dos pequenos onze rios que deságuam na extremidade setentrional da Baía, distante quatorze milhas, em linha reta, da cidade do Rio.

Para chegar a este local, passamos pela Ilha do Governador, de longe a maior de todas as ilhas da Baía. Ela se estende ao longo da margem oriental, com cerca de seis milhas de comprimento e duas milhas e meia de largura, e nela há dois canaviais. Diz-se que o solo é extremamente fértil. Era, antigamente, uma reserva Real, com grande abundância de caça. O direito à caça, porém, está agora aberto ao público, os privilégios exclusivos da Coroa tendo sido revogados desde a proclamação da última Constituição Portuguesa.

Em sua foz, o rio Macacou possui cerca da mesma largura que o rio Tâmisa em Windsor. A navegação alcança uma distância de trinta milhas para grandes navios de comércio, os quais ultrapassamos várias vezes quando de suas viagens para o Rio, carregados com produtos vindos do interior. Esta carga consistia principalmente de café, açúcar, rum, milho, tabaco e carvão, empregando assim os habitantes de três vilas, a saber, Macacou, Porto das Caxas[3] e Villa Nova, às margens do rio. Este último povoado, onde paramos, dista cerca de dez milhas da embocadura do rio.

Lá chegamos por volta de quatro horas. Um inglês, dono de uma pequena loja de varejo e de um ancoradouro para acomodar os tropeiros e os negros, proveu-me com as melhores acomodações que a casa podia oferecer. Mas mesmo o melhor era ruim, pois jamais havia vivenciado tal calor, sujeira, e aborrecimento causado por mosquitos. À tarde meu senhorio e eu caminhamos pela vila até a casa onde ele morava, que era mais confortável, e retornamos à noite. Ele caminhava armado com facão e pistolas. Dizia que os sentimentos de vingança nutridos por pessoas que havia despedido ao longo do trabalho tornavam necessárias todas as precauções possíveis. Assassinatos por encomenda não são incomuns, e raramente são punidos, a menos que amigos dos que foram mortos possam e queiram levar os culpados à justiça, pois o Governo, por si só, não julga tais crimes. Nessa localidade aluguei duas mulas, ao preço de três patacas por dia cada uma, e comecei minha viagem na manhã seguinte.

4 de setembro – Viajamos devagar e alcançamos Porto das Caxas, um povoado a seis milhas dali, antes das três da tarde. Aí o embarque da produção do interior para a capital dá-se em uma escala bem maior. Observamos várias mulas e os tropeiros que as aguardavam, indo e vindo continuamente, muitos dos quais viajavam juntos com o intuito de se protegerem. Cada mula carregava dois cestos, feitos de couro de vaca, amarrados sobre o lombo do animal com um tipo de sela feita do mesmo material. São, de maneira geral, os negros e os crioulos brasileiros de classe mais baixa os guias subalternos. Os tropeiros-mestres, porém, são pessoas de certa importância, especialmente no que toca à autoestima que mostram ao cavalgarem juntos, em um grupo separado, a uma distância considerável da cavalgada. São, geralmente, coproprietários e muito ricos, comerciam por conta própria ou transportam grandes somas em dinheiro a eles confiadas.

Os costumes prevalentes dessas pessoas merecem uma descrição à parte. Usam chapéus pretos de abas largas, com copas baixas, amarrados por uma fita abaixo do queixo, casacos e coletes de veludo, em cores diversas – azul, roxo ou vermelho – com botões em metal, calças de pano e linho e altas polainas pretas, com abotoamento acima dos joelhos. Uma capa ou manta azul, parecida com as que se usam em Portugal, por vezes forradas em vermelho, são jogadas displicentemente, ainda assim de modo gracioso, por sobre os ombros, e tornam o conjunto realmente pitoresco. Imagine um personagem, assim equipado, montado em uma mula, com uma sela portuguesa e estribos, e um extraordinário suporte para pistolas e coldres. Imagine uma longa e pontuda faca, também meio que escondida sob as vestes das pessoas ou sob a sela (porque sem tal arma, sempre à mão, nenhum homem sentir-se-ia confortável ou seguro), e o retrato de um mestre tropeiro brasileiro estará, então, completo.

Quando, mais tarde, aconteceu-me, pelo caminho, e nas estalagens, travar familiaridade com essas pessoas, a enorme importância que a si mesmos atribuíam era perfeitamente ridícula. É preciso, no entanto, admitir que um viajante precisa suportar alguns sacrifícios causados por suas maneiras repulsivas e pelo cônscio ar de superioridade com que tratam a tentativa desse viajante de entabular uma conversa com o objetivo de conseguir alguma informação útil. Eles parecem desconfiados em relação aos estrangeiros, e sempre respondem às perguntas com outras perguntas. Sendo eles mesmos desonestos, acreditam que os outros também o sejam, e nunca teriam acreditado que a curiosidade fosse meu motivo para a viagem. Confissões desse tipo, quando feitas, eram motivos de risadas, e frequentemente perguntavam que tipo de mercadoria eu vendia. Logo descobri ser imprudente me intrometer com grandes grupos dessa gente, por temer certa afronta. No entanto, com alguns deles não me sentia tão embaraçado, e a oferta de certa dose de bebida causava um maravilhoso efeito em seus temperamentos indelicados e taciturnos. Para resumir em poucas palavras seus temperamentos, deveria dizer que são astutos, vingativos e gananciosos quando se trata de dinheiro, e extremamente viciados quando se trata de jogo. Mas são honestos em relação a seus empregadores, cumpridores da palavra empenhada, decididos e ativos.

O próprio povoado de Porto das Caxas não apresenta nada de extraordinário. Consiste quase que exclusivamente de vendas, ou pequenas tabernas, para a acomodação dos tropeiros e algumas lojas, com artigos de fabricação estrangeira, que esses tropeiros se sentem tentados a comprar em sua volta para casa. Mercadorias em algodão e ferramentas inglesas, tecidos e chapéus pareciam constituir as principais mercadorias dessas lojas.

O campo ao redor é plano e parcialmente intercalado por plantações de açúcar, mandioca e milho. À tarde, por volta de seis horas, alcançamos uma localidade chamada Ponte da Rosa, distante uma légua e meia, ou seis milhas, de Porto das Caxas. Não se poderia obter melhor acomodação do que aquela proporcionada por uma pequena cabana de barro, mantida por um negro para o uso de tropeiros em suas viagens. Nem suborno, nem discussões, nem palavras doces, podiam fazer com que a dona de uma venda vizinha, ou loja, abrisse o estabelecimento durante a ausência do marido. Mesmo sem mostrar o rosto, da janela ela nos reconhecia e, se não fosse a intermediação de nosso hospedeiro negro, não teríamos conseguido as poucas coisas de que precisávamos. Esta aparente falta de hospitalidade é tão somente o resultado de um ciúme extremo muito prevalente entre os crioulos brasileiros. Tendo encontrado pastagem para nossas mulas, conseguimos dormir na cabana do negro, em bancadas estendidas sobre dois tamboretes, com aquele alívio que nada senão a fadiga teria tornado tolerável.

5 de setembro – Nesta manhã, logo após o desjejum, recomeçamos nossa viagem, com a temperatura em 70° F (21° C). Logo adentramos uma bela planície delimitada pela Serra dos Órgãos e prosseguimos em nossa viagem até um pequeno povoado graciosamente situado às margens do rio Macacou, onde paramos para tomar o café da manhã. Por volta de meio-dia chegamos à Fazenda do Collegio, um grande canavial. Era uma grande construção, com alas que se projetavam, compreendendo a casa do proprietário, a capela, os alojamentos dos negros e o engenho ou caldeiraria, com os devidos depósitos. Calculava-se em um cento o número de escravos que aqui trabalhavam. Vimos carroças feitas de modo grosseiro e seus eixos que giravam em um ruído dissonante. Ao perguntar por que não melhoravam esta rude estrutura, asseguraram-me seriamente que o ruído era necessário para estimular a tarefa dos animais e que sem ele os animais não trabalhariam.

Enquanto seguíamos adiante, magníficas planícies descortinavam-se em constante sucessão, rodeadas por vastos anfiteatros de bosques verdejantes. Às duas horas chegamos a Santa Anna, após termos percorrido uma distância de quatro léguas, ou dezesseis milhas.

Santa Anna é um povoado animado e com casinhas dispersas, com algumas centenas de habitantes, e é considerado a principal localidade desta parte do país. Ainda assim, não achamos pousada decente para hospedar os viajantes, salvo uma casa com dois andares. O dono desta casa, um bondoso senhor já entrado em anos, propôs imediatamente que eu fosse seu hóspede, caso me aprouvesse permanecer por uma noite. Como eu queria, no entanto, prosseguir nessa jornada, declinei de seu gentil convite. Neste local perdemos três horas ferrando nossas mulas e, tendo avançado uma légua em nossa viagem, a aproximação da noite forçou-nos a parar em uma pequena venda à beira da estrada. Aqui, pela primeira e talvez pela última vez, as mulheres da família apareceram e ousaram começar uma pequena conversa. Não conseguia, no entanto, fazer-lhes compreender os motivos que tinha para viajar de tal maneira, e elas ficaram bastante desapontadas quando de meus cestos foram descarregados um suprimento de vinhos e provisões, ao invés de xales ou outras mercadorias pelas quais elas teriam podido regatear. Ri gostosamente da ânsia que tinham em me chamar de comerciante, mas elas riram-se de mim da mesma maneira e ainda acreditavam que eu fosse um mascate suíço disfarçado, fazendo parte de alguma secreta expedição de comércio.

A venda brasileira, que muito tenho mencionado, corresponde às pequenas lojas nos povoados ingleses, e vendem chá, café, tabaco e rapé. Aqui vinhos portugueses comuns, cachaça ou rum, além de bananas (os negros subsistem quase que exclusivamente à base dessas frutas), somam-se aos outros artigos. Aqui não há sala ou cozinha bem-arrumada, com bem polidos pratos em estanho ou outros utensílios domésticos que mereçam atenção. Nenhuma senhoria solícita para dar-lhe as boas-vindas e oferecer-lhe as melhores acomodações da casa. Aqui, ao contrário, a loja é desagradável e suja, e a pior acomodação é, depois de uma longa espera, negligente e indelicadamente oferecida. Um rude e bobo rapaz fica, geralmente, atrás do balcão, e é ele quem trata dos artigos necessários, com o mau humor e a lentidão habituais. Parece que esses rapazes consideram o simples ato de vender-lhe suas mercadorias, a qualquer preço, um enorme favor e quaisquer reclamações ou ameaças de deixar a casa por necessidade de melhores acomodações, são ouvidas com a mais desdenhosa indiferença ou trazem à tona uma rápida resposta “Pois vá!” – “Bem, então vá!”

O ritmo lento de se viajar em mulas neste país pode ser julgado pelo tanto que se percorre em um dia, não mais que vinte milhas.

Nova Friburgo: Praça da Villa, por Henschel & Benque. Coleção Thereza Christina Maria, via Biblioteca Nacional

6 de setembro – dormi tão bem quanto poder-se-ia esperar sobre o balcão da loja acima descrita e retomei a viagem pela manhã, às seis e meia, com o termômetro alcançando 67° F (19° C). Logo chegamos à Fazenda do Coronel Ferrara, um grande canavial e uma grande plantação de café. Aqui tomamos um desjejum rural em exuberante bosque de laranjeiras às margens do rio Macacou, agora reduzido a um pequeno, porém pitoresco, riacho na montanha. Depois, despedindo-nos da planície, começamos a subir a serra.

Nossa estrada percorria uma densa floresta, cujos aspectos singulares não poderiam deixar de afetar um neófito em paisagens americanas. Não se podia ver nenhum homem, animal ou pássaro, ou vestígio de qualquer outro animal vivo em um raio de várias milhas. Nada perturbava o profundo silêncio que reinava por toda a parte, exceto pelo grito ocasional dos tucanos empoleirados nos mais altos galhos das árvores, e o som oco do pica-pau, ou pássaro-carpinteiro, com é chamado no Brasil. Por vezes a estrada era tão ruim que nossas mulas tinham muita dificuldade em seguir viagem, e o dia já se fazia tarde quando alcançamos um lugar conhecido pelo nome de Primeiro Registro, que era constituído de umas poucas cabanas miseráveis. Aqui estavam estacionados quatro soldados e um sargento que examinou e assinou meu passaporte e, depois daquela cerimônia permitiu-me seguir adiante. Essa precaução é tomada em todas as principais passagens que conduzem às regiões mineradoras, com o intuito de prevenir a extração ilegal de ouro ou diamantes sem autorização do Governo.

A estrada adiante prosseguia por entre a mesma densa e sombria floresta, ao longo de uma torrente impetuosa, ultrapassada em muito no seu tamanho habitual pelas recentes chuvas, e que é uma das principais nascentes do rio Macacou. Por vezes era necessário desmontar das mulas, devido à natureza íngreme e acidentada da subida. Depois de um tempo, a natureza da paisagem sofreu uma mudança. Saímos da floresta e nos encontramos cercados por penhascos intercalados por árvores raquíticas. Na borda de um declive acentuado descortinando o estreito desfiladeiro através do qual agora passa nossa rota, observamos uma baixa e comprida cabana de barro, aparentemente inadequada para proteger seus miseráveis habitantes contra a inclemência do tempo. Nesse momento dois seres humanos apareceram e, quando nos aproximamos ainda mais, ouvimos o áspero grito de “Quem vive?”, repetido uma ou duas vezes por uma sentinela em seu habitual tom imperioso. De bom grado respondemos “Amigo” e logo descobrimos que a referida cabana de barro era, de fato, uma guarita ocupada por dois soldados portugueses, cujos uniformes azuis esfarrapados e feições esquálidas combinavam em muito com a miserável aparência da habitação. O interior da cabana era igualmente ruim. Uma mesa suficientemente grande para acomodar várias pessoas – com esteiras espalhadas por cima para que se pudesse dormir – e uma arca em madeira eram as únicas peças de mobília. Pendurados nas paredes estavam algumas peles de gatos selvagens e outros despojos de caça, um pedaço de galinha, quatro mosquetes e estojos para cartuchos. No centro da cabana foi aceso um fogo no chão (pois assoalho é aqui um luxo desconhecido), e sobre o fogo foi colocada a carcaça de um macaco meio-assado. Os soldados fizeram o possível para nos entreter, mas passamos uma noite desconfortável e, ao amanhecer o dia seguinte, um violento temporal completou a terrível selvageria da cena.

7 de setembro – Nos encontrávamos no Segundo Registro na Serra, ou passe das Montanhas dos Órgãos, cuja aparência magnífica sempre tinha, à distância, causado admiração , e cuja altura é calculada em quatro a cinco mil pés acima do nível do mar. Não nos encontrávamos, neste local, distante do cume. Em um dia belo e claro, a vista que se descortina sobre os ricos vales abaixo, alcançando a Baía e o porto do Rio de Janeiro, sessenta milhas distante, é impressionante e magnífica. As chuvas torrenciais que agora caíam obscureciam todos os objetos, mas, à porta da cabana eu podia, de modo intermitente, distinguir dois picos rochosos que se elevavam aos nossos lados com se fossem “Guardiães Nativos da Passagem” e cujos sopés eram cobertos por árvores anãs e por massas de material rochoso. Não obstante a grande altitude, o clima era ameno e, às seis e meia da manhã a temperatura era de 62° F (17° C). Aguardamos pacientemente até as dez horas, confiando que o tempo fosse clarear. Mas, como tinham nos assegurado que tais tempestades frequentemente se prolongavam por muitos dias, e mesmo por semanas, decidimos desafiar sua violência e seguir nosso caminho. Nossos amigáveis anfitriões, os soldados, recusaram orgulhosamente a remuneração oferecida, mas aceitaram alegremente um pouco de pólvora e algumas doses de bebida que, em tal situação, lhes eram mais necessários.

Ao descer da montanha, a sagacidade e o passo seguro de nossas mulas enquanto escolhiam o caminho ao longo de uma estrada íngreme, que mais parecia o leito de uma torrente, eram realmente surpreendentes. Só a elas nos confiávamos em relação à segurança e orientação e, não fosse por uma insignificante exceção, nenhum ínfimo acidente aconteceu. Viajamos com grande dificuldade por várias milhas e durante muitas horas, enquanto a tempestade de vento e chuva que parecia nos seguir dava mais trabalho, tanto para os animais quanto para os cavaleiros. Depois de um tempo terminaram a descida e a tempestade, de modo que, quando alcançamos o vale do Môrro Quemado, distante oito milhas do cume da Serra, brilhavam os raios do sol do meio-dia sobre a paisagem.

No entanto, mesmo aqui a aparência da região era selvagem, desolada e distinta da costumeira fertilidade dos vales do Brasil. Somente os solos das colinas adjacentes eram cobertos por vegetação, as regiões mais altas sendo, em sua maior parte rochosas e destituídas de qualquer vegetação. O clima é frio demais para açúcar, café e outras valiosas culturas dos trópicos. Mas esta mesma circunstância tornou esta região um lugar adequado para que o Governo aí estabelecesse um assentamento suíço, não obstante o fato de a terra ser estéril e imprópria sob outros aspectos.

Supunha-se que a terra imprópria para a cultura dos trópicos fosse adequada para aquela da Europa, e que com a introdução de um grupo de camponeses industriosos, acostumados com regiões mais frias e montanhosas, familiarizados na prática com os vários tipos de agricultura da Europa, fosse possível obter vários resultados benéficos. Ao nos aproximarmos cada vez mais do povoado suíço, indícios mais abrangentes de terras destinadas ao cultivo do que jamais havíamos visto por qualquer parte onde houvéssemos estado, tornaram-se visíveis. À certa distância, bosques em um raio de algumas ilhas ardiam em todas as direções, pois o fogo é o agente de desmatamento neste país. Ao longo da estrada, duas ou três asseadas cabanas de madeira, com jardins e cercas, em tudo diferentes na aparência e na construção das cabanas comuns no Brasil, imediatamente transportaram nossa imaginação de volta à Europa. Uma bem construída serraria, funcionando por meio das águas de um riacho da montanha e um contíguo campo de batatas chamaram nossa atenção, enquanto um grupo de belas crianças, com tez avermelhada e cabelos claros e finos, que corriam para abrir o portão enquanto nos aproximávamos, mostravam, em seus semblantes, roupas, modos e linguagem, traços ainda mais marcantes de uma ascendência estrangeira.

Às quatro e meia chegamos a Nova Friburgo (nome pelo qual o assentamento suíço no vale do Môrro Quemado é agora conhecido), que dista cerca de setenta milhas inglesas do Rio de Janeiro. À primeira vista, sua aparência era agradável. As casas, habilmente construídas com pedras, cobertas com telhas, de um andar, estão localizadas em três grandes praças, a uma pequena distância umas das outras. Além disso, há várias fileiras de casas que distam meia milha da parte principal do povoado e algumas construções isoladas para uma classe superior, pertencentes a magistrados e outras autoridades nesta colônia, nomeadas pela Coroa. A planície onde se encontra o povoado tem mais que três ou quatro milhas de comprimento, e é ladeada por montanhas. Neste povoado, um pequeno rio serpenteia por entre as cercas, correndo a apenas uma pequena distância do povoado. Jardins, belamente planejados, encontram-se contíguos à maioria das casas, e ajudam a tornar o cenário encantador. Nossa chegada não poderia passar despercebida em tão pequena localidade, e logo nos achamos cercados por uma estupefata multidão de aldeões que vinham quer para cumprimentar meu criado, que outrora pertencera a esse povoado, quer para satisfazer a curiosidade em relação ao seu acompanhante de viagem. A aparência de tantas pessoas tão asseadas, com suas feições e vestes europeias e cachimbos alemães, chamou sobremaneira minha atenção. E as muitas associações agradáveis em relação aos camponeses suíços ganhavam agora um interesse extra, vindo do fato de estarem eles isolados nessas distantes regiões da América do Sul. A transição de uma região povoada, em sua maior parte, por escravos africanos meio-civilizados para uma comunidade de camponeses brancos e livres era também algo de extraordinário, e não menos agradável aos olhos do que ao coração e aos sentimentos.

Enquanto adentrávamos o povoado, tornava-se evidente que o número de habitantes era muito menor do que o número de casas. Muitas dessas estavam fechadas, com a grama crescendo nos jardins, e não se viam lojas ou casas de entretenimento. O ar de silêncio e solidão reinante nos fez entender que nos encontrávamos no meio de um povoado semiabandonado. Acreditamos, a princípio, que as pessoas estivessem trabalhando em suas lavouras, mas, depois de algumas perguntas, compreendemos que o aspecto melancólico do local advinha do total fracasso do plano do Rei, ao menos no que concernia ao estabelecimento de um inconfundível assentamento suíço no Môrro Quemado.

Uma carta de apresentação tendo-me sido entregue por um senhor Assis, um colono português, fiquei em sua casa, e vi que era um jovem ativo, tão capaz quanto desejoso de ser-me obsequioso. Mantinha ele uma loja de ferragens, algodão e outras mercadorias, e era também dono de uma pequena fazenda, onde criava cavalos e gado. Sua casa, de um andar, era feita de pedras, com quatro ou cinco cômodos pobremente mobiliados, com paredes rebocadas, e não havia teto, estando as vigas aparentes. Uma cama foi-me preparada, sendo esta a primeira desde minha saída do Rio. A tarde passou em bastante agradável conversa com o senhor Assis, que me deu informações interessantes a respeito do passado e do presente da colônia suíça, e os projetos para o futuro. Falava das pessoas de um modo gentil e um tanto imparcial, ainda assim atribuía o insucesso do assentamento mais à má conduta dos colonos do que a qualquer outra causa. Dos mil e duzentos havia agora somente trezentos, os restantes tendo ido para o Rio ou tendo-se assentado em áreas diversas do país. E dentre aqueles que haviam permanecido, muitos se preparavam para partir, de modo que, provavelmente, todo o local estaria logo inteiramente abandonado.

9 de setembro – Neste dia o termômetro estava em 58° F (14° C) às sete da manhã, em 61° F (16° C) às doze horas e em 52° F (11° C) às sete da noite. Por ser um domingo, a missa foi celebrada na casa do Governo, situada em uma elevação cerca de uma milha distante do povoado. O ofício foi celebrado por um ministro suíço e a congregação, embora pequena, tinha uma aparência muito respeitável. Alguns fazendeiros brasileiros, residentes na vizinhança, estavam presentes. Entre estes encontrava-se o senhor Assis, condecorado com a Ordem do Cristo, usada por sobre um elegante casaco inglês azul cerúleo. Depois do serviço religioso, ele montou em um magnífico cavalo, acompanhou-me pelas cercanias e visitamos vários chalés e cercados bem cultivados. Um deles mostrava uma prova cabal dos efeitos benéficos do cuidado e da boa administração. Tudo se apresentava em uma pequena escala, mas organizado com perfeita ordem e exatidão. O estábulo, o chiqueiro, o curral e a leiteria, todos separados e conservados de maneira asseada e ordenada. O jardim, de dois a três acres de extensão, onde batatas, feijão, repolho, tabaco e outras hortaliças eram cultivados, e as sementeiras eram tão belamente dispostas que transportavam naturalmente os pensamentos de um inglês à sua terra natal. Um belo prado limitado pelo rio, que aqui tinha a largura de 20 ou 30 jardas, servia de pasto a duas vacas e uma mula. A cabana, caiada e cuidadosamente mobiliada, tinha aspecto de um autêntico bem-estar que provavelmente não se descobriria em outras regiões do Brasil, fato com o qual meu amigo português prontamente concordou, mas parecia pensar ser o exemplo por demais raro entre os próprios suíços para que outra tentativa semelhante pudesse se realizar com os nascidos no Brasil.

A boa gente da casa se dizia feliz e satisfeita. O terreno que lhes fora originalmente reservado mostrou ser fértil, seus rebanhos prosperaram, e a produção de suas pequenas fazendas lhes permitia um confortável sustento. Prontamente ofereceram-me eles um pouco de queijo e manteiga, excelentes, o que, nesta parte do mundo é, de fato, um luxo raro, fora do comum. E fui-me embora, tão feliz pelas maneiras simples e hospitaleiras quanto pelo aspecto alegre de toda a cena.

Visitamos em seguida um caçador italiano, que também tinha sido um dos primeiros colonos, mas que preferia viver mais pelo produzia sua arma do que por meio de qualquer outro sistema de produção. Ele comprometeu-se a fornecer-me algumas aves empalhadas, pelo valor de 18 pence cada uma, e a acompanhar-me em uma expedição de caça no dia seguinte. Passamos pelo sítio onde seria construído um hospital, cuja construção atrasara até que a dispersão dos colonos a tornara quase desnecessária, e agora, provavelmente, jamais seria terminada. Fizemos uma última visita ao juiz, ou principal magistrado do local, um suíço, senhor idoso e tranquilo, que se queixava do caráter belicoso e litigante dos seus compatriotas. Ele examinou meu passaporte e indagou-me sobre os motivos de minha viagem. Sua esposa, uma senhora ativa e loquaz, sobrecarregou-me com perguntas e relatava a história de seus próprios infortúnios, desde o dia de sua partida, de mau presságio, da Suíça, até o período do assentamento neste país bárbaro. Ela tinha sido enganada, como muitos outros, pelos exagerados relatos das supostas riquezas do Brasil, e não esperava ser feliz novamente até que retornasse ao seu torrão natal. À tarde tivemos o prazer de assistir a um baile no povoado, do qual os jovens, tanto os rapazes quanto as moças, desfrutavam alegremente. Esses pareciam esquecer todos os cuidados e decepções na alegria e festividade, e mostravam um contraste encantador com a vida levada em total isolamento da sociedade, algo a que as mulheres brasileiras estão fadadas pelas limitações ciumentas e absurdas impostas pelos homens. Exceção feita a este fato, meu anfitrião cumulou-me com todas as atenções possíveis. Mas nenhuma insinuação o persuadiria a apresentar-me sua irmã, uma jovem que morava na mesma casa. Uma vez, de fato, eu a vislumbrei à janela, e uma vez mais ao entrar rapidamente na sala de estar. Mas imediatamente ela abaixou a cabeça, escondeu o rosto sem responder à minha saudação e correu meio assustada, como se crime fora encontrar-se no mesmo cômodo que o hóspede de seu irmão. Por este fato seu irmão deu-se ao trabalho de desculpar-se, dizendo que cada país tem seus costumes, e os brasileiros, sem querer desrespeitar ninguém, achavam melhor que suas mulheres estivessem seguras, não confiando em suas relações sociais com estrangeiros. Nenhum risco poderia ser percebido por este aspecto, mas por outro sim: o espírito de intriga, comum aos portugueses, era tão notório, que se fazia necessária cautela, adequada pelos guardiões da honra da mulher.

Nova Friburgo: Vale e Estação no Rio Grande, por Henschel & Benque . Coleção Thereza Christina Maria, via Biblioteca Nacional

10 de setembro – às sete horas da manhã o termômetro encontrava-se em 41° F (5° C), e o frio tinha sido bastante rigoroso durante a noite. O caçador italiano levou-me em um longo passeio de cinco horas por entre matas quase impenetráveis. Ainda assim, não nos deparamos com veado algum ou outra caça de qualquer espécie, e nos contentamos em caçar alguns tucanos, papagaios, pica-paus e outras aves, com o objetivo de as empalhar. Enquanto descíamos novamente para a planície, seguíamos o curso de um pequeno riacho, cujo leito é conhecido por nele haver ouro. Algumas amostras de excelente qualidade foram recolhidas, mas como lavagens regulares não podem ser feitas sem uma licença do Governo, e com pesados custos concomitantes, junto com a obrigação de ceder um quinto à Coroa, a aparente riqueza da mina não justifica o trabalho nela.

A partir do que foi dito nas páginas precedentes, fica evidente o estado atual do assentamento suíço. A seguir encontra-se um breve relato das medidas tomadas por ordem do Rei para o cumprimento dos objetivos de Sua Majestade, junto com as principais causas operacionais que levaram a um resultado tão contrario às expectativas.

As medidas que foram tomadas, a princípio, para conseguir colonos, foram mencionadas alhures. Também foram mencionadas as razões para a escolha do Môrro Quemado como local de estabelecimento, a saber: a proximidade com o Rio de Janeiro, sua topografia montanhosa e o clima frio. Para este local foram então eles transportados logo após chegarem ao Brasil. As despesas sendo custeadas pelo Governo, que estava à direção do assunto. As casas foram preparadas para recebê-los, uma para cada família, com terreno e jardim proporcionais ao número de indivíduos que os pudessem cultivar. As montanhas e os vales na circunvizinhança, assim como toda a planície de Môrro Quemado, foram então distribuídos de modo uniforme. Sendas foram abertas em meio aos bosques para a acomodação dos colonos, e em um dado momento um dique, de custos consideráveis, foi construído para transportar as águas de um pequeno riacho próximo, fazendo com que as águas girassem o moinho. Gado, mulas, carneiros, porcos e aves lhes foram dados em épocas diversas, e cada pessoa com mais de três anos de idade recebeu, durante o primeiro ano, uma ajuda de custo de meia pataca, ou nove pence, por dia, em espécie.

Os colonos estavam, é claro, sujeitos às leis do Brasil, mas isentos do pagamento de qualquer imposto ou contribuição durante os dez primeiros anos de sua residência no país. Funcionários adequados foram designados, alguns portugueses, outros suíços, para controlar a distribuição de terras, para aplicar a justiça e colocar em prática quaisquer regulamentações que se fizessem necessárias. O controle imediato de todo o assentamento foi concedido pelo Rei a um dignitário da Igreja, pessoa de certa importância no Rio, chamado Monsenhor Miranda.

Deste modo, à primeira vista, tudo parecia estar começando bem, e conduzido de maneira liberal, em um modo adequado às necessidades dos colonizadores, de maneira favorável à prosperidade permanente e altamente honrosa ao Rei, seu generoso patrono.

Houve, entretanto, várias circunstâncias desfavoráveis que vieram a frustrar essas intenções benfazejas, algumas das quais, sem dúvida, poderiam ter sido previstas, enquanto outras só poderiam ter sido percebidas quando da execução do projeto. Em primeiro lugar, embora muitos deles tivessem vindo na condição de artesãos e fazendeiros, a maioria era composta por pessoas de outras condições, e tinham sido colocados, indiscriminadamente, juntos. Alguns eram sabidamente de mau caráter, e muitos haviam sido soldados, educados na escola militar de Bonaparte, cuja real profissão era a espada, não o arado. Não se poderia esperar que as mentes e os hábitos desses seres pudessem ser inteiramente modificados por uma viagem através do Atlântico, de modo a torná-los de imediato colonos respeitáveis e industriosos. Eles trouxeram, na verdade, armas de fogo, sabres e pistolas, em vez de ferramentas agrícolas, e preferiam a caça ao trabalho árduo, em uma região onde a caça era abundante, e o cultivo do solo era feito com muito trabalho e pouco lucro. A esterilidade de alguns dos assentamentos era tal que causava desgosto aos proprietários que, depois de todo o trabalho e despesa de queimar as árvores, cultivar a terra, descobriam ser impossível obter uma remuneração compatível com o trabalho tido. O desapontamento daqueles que eram realmente esforçados deu-lhes razões concretas para o descontentamento, e os companheiros mais preguiçosos usariam o descontentamento como pretexto para abandonar completamente suas fazendas. Por um tempo, o dinheiro generoso do Rei, ajudado pelo que a caça rendia, permitiu-lhes viver com um certo conforto, mas, quando os recursos acabaram, vários foram reduzidos à indigência extrema e à miséria.

Isto posto, os colonos deixaram, de modo gradual, o assentamento de Môrro Quemado, à procura de um clima mais ameno e de terras mais produtivas. Alguns se dirigiram para o norte do país e, seguindo o exemplo dos fazendeiros brasileiros, tentaram estabelecer fazendas de café. Outros se dirigiram para o Rio e tentaram ganhar seu sustento em vários tipos de comércio, ou se empregaram como serviçais. Muitos jovens, de ambos os sexos, que, devido à morte dos pais tinham sido deixados desprotegidos e desprovidos de recursos, adotaram este último expediente. E pode-se imaginar o destino dessas moças, com alguma pretensão à beleza, sob as circunstâncias descritas. As condições morais eram, realmente, desde o começo, desfavoráveis, e o mal parece ter sido mais encorajado do que controlado pelas autoridades. Deste modo aconteceu que este assentamento desafortunado, que deveria ter sido cenário de um empreendimento virtuoso e laborioso, logo tornou-se um lar para a ociosidade e a prodigalidade.

Devido a uma estranha espécie de descuido, não comum aos portugueses, prestou-se muito pouca atenção à vida religiosa do assentamento. As missas, de fato, eram celebradas aos domingos e nos dias de grandes festas na Casa do Governo, mas não se erigiu uma igreja nem se providenciaram recursos para a realização das cerimônias da Igreja. O Cristianismo Católico Romano, quando despojado de seu imponente cerimonial, e com tudo o mais que atrai os sentidos e que dizem ajudar à devoção, perde consequentemente uma grande parte de sua influência. Tal fato provou ser verdade e, em poucos lugares dos domínios portugueses, eram os decretos públicos, e as injunções privadas da religião, menos considerados ou observados. O Rei ordenou que somente os católicos fossem admitidos no assentamento e que nenhuma outra religião, que não a Católica Romana, fosse permitida. Um grande número de protestantes, entretanto, conseguiu se introduzir no assentamento, não obstante as ordens Reais. No entanto, sendo por demais honestos para professar uma fé na qual não acreditavam e ao mesmo tempo impossibilitados de cultuar a Deus de acordo com a fé por eles professada, viviam esses protestantes totalmente excluídos da vida religiosa. Suas crianças não eram nem batizadas, excetos quando eles próprios as batizavam, e cresciam um uma deplorável ignorância da própria fé. Assim, como essas pessoas rejeitavam receber a extrema unção administrada por um padre católico, elas morriam tal como tinham vivido, sem os benefícios de um cuidado religioso.

Outra grande omissão por parte do Governo era em relação à construção de escolas. O suíço alemão mantinha, às suas próprias expensas, é verdade, uma escola, mas as crianças, filhas de suíços franceses, eram totalmente desprovidas de qualquer tipo de instrução.

O último motivo a arruinar o já cambaleante assentamento foi a partida do Rei para Portugal. Sendo este assentamento fruto de sua própria vontade, compartilhava do destino comum aos favoritos durante a ausência de seu patrono, e era ou esquecido ou propositalmente negligenciado pelo jovem Regente, Dom Pedro, e seu Governo. Mon Senhor Miranda foi designado para o Rio de Janeiro e, como algumas das pobres pessoas observaram “parecia não mais se interessar pelo bem estar e felicidade daquelas pessoas”. A maior parte, portanto, dispersou-se por todo o país – alguns sós, outros coletivamente, de acordo com seus interesses e inclinações. Outros, à época de minha chegada, preparavam-se para seguir o mesmo destino e algumas poucas pessoas industriosas e sensatas permaneceram, no intuito de prosseguir o plano original, a saber: o cultivo das produções europeias, em especial batatas e milho, para os quais há uma constante demanda no Rio. As perspectivas para aqueles que permaneceram, e são abençoados o bastante para possuírem um lote de boa terra, podem ser considerados como suficientemente encorajadoras. Apoiando esta opinião, meu anfitrião contou-me a respeito de um fazendeiro português residente na vizinhança que lucrou, em um ano, não menos que dois contos de réis, ou mais de 560 libras esterlinas, com a venda de batatas.

De todo o relato aqui feito, o leitor poderá tirar suas próprias inferências e julgar se, mais habilmente administrada, melhor localizada e composta por colonos com melhores condições, a colônia poderia ter sido estabelecida de modo definitivo e com sucesso. Seja como for, pode-se esperar sinceramente que, quaisquer que sejam as mudanças realizadas pelo Governo do Brazil, o povo da Inglaterra não se deixará seduzir por promessas e esperanças vãs, abandonando suas casas confortáveis em busca de vantagens, na melhor das hipóteses incertas, por entre florestas e sertões da América do Sul. Esta observação não se aplica somente ao destino do assentamento aqui descrito. Há egoístas projetando e especulando de todos os modos – e causam sofrimento àqueles que, pela ignorância do verdadeiro estado dos fatos, dão crédito aos quadros frequentemente pintados, nesta época especulativa, de um imaginário El Dorado, e não sabem quão flagrantemente foram enganados até o momento em que seus erros se tornem fatais e irremediáveis. As tão celebradas pedras preciosas e os metais são difíceis de serem obtidos, quase tanto quanto na Inglaterra. Supondo que seus labores como fazendeiros tenham por fim sucesso, anos de labuta, perigo e desconforto terão que ser suplantados. Sofrimentos inumeráveis, que o inexperiente não pode prever, mas que são inerente a um novo país, irão frustrá-lo a cada passo. E não entre o menores deste sofrimento pode-se mencionar a hostilidade da rude população crioula nativa, ciumenta em relação aos estrangeiros e inimiga figadal em relação à inovação e à melhoria trazidas pelo progresso.

Notas

  1. Criada por alvará em 10 de maio de 1819, a Vila Real da Praia Grande foi instalada solenemente no dia 11 de agosto do mesmo ano, com a posse do juiz de fora José Clemente Pereira e mais três vereadores e um procurador. Em 28 de março de 1834, a Vila Real foi elevada à condição de cidade, com o nome Nictheroy (água escondida em tupi guarani), e em 1835 nomeada capital da província. (De Vila Real da Praia Grande aos dias atuais).
  2. O Rio Macacu é o principal rio que deságua na Baía de Guanabara. Nasce na Serra do Mar, próximo ao Pico da Caledônia que fica situado entre as cidades de Nova Friburgo e Cachoeiras de Macacu. (Wikipédia)
  3. Pelo Porto das Caixas, movimentado porto fluvial (Rio Macacu), escoava-se toda a produção agrícola local e das regiões próximas (Itaboraí): era o açúcar exportado em caixas, daí resultando o nome do porto. (IBGE)

Fonte

Tradução Claudia Pacheco de Oliveira.

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