Viagem, Rio de Janeiro e Praia Grande

Capítulo I

Viagem e Rio de Janeiro

No domingo, 27 de maio de 1821, embarquei em Lisboa no Vasco da Gama, um navio mercante português, de oitocentas toneladas, com destino ao Rio de Janeiro, Manila e Macau. Um outro navio de seiscentas toneladas, também com destino ao Brasil e às Índias Orientais, nos acompanhou, dado que navios mercantes de grande porte raramente navegam sós, devido ao medo de piratas que, sob as bandeiras da América do Sul, têm, desde a última guerra entre o Brasil e Buenos Aires, causado verdadeiros danos ao comércio português. Alguns navios foram até mesmo capturados junto à costa de Portugal. Tem sido costumeiro desembarcar as tripulações na Ilha da Madeira e vender as embarcações capturadas nos Estados Unidos. Na verdade, é de conhecimento de todos que os norte-americanos têm sido, de modo geral, os principais personagens envolvidos nesta espécie de guerra predatória. Agem sob licença concedida pelo Governo de Buenos Aires, ao passo que as tripulações são, em sua maioria, compostas de norte-americanos, ou de pessoas de qualquer outra nacionalidade, contanto que não originárias de Buenos Aires.

O Vasco da Gama era dotado de vinte canhões e o navio que o acompanhava, o Nossa Senhora da Luz, possuía a mesma capacidade de combate. Estava a bordo deste último um tenente da Marinha – chamado de Comandante – expressamente contratado para estar à frente das táticas em caso de ataque. Sempre que se avistava uma vela, levantava-se o sinal de navio suspeito. Na medida em que o navio se aproximava, o sinal para a preparação era içado, o toque do tambor chamava a postos e as escotilhas eram fechadas. As mulheres, o cirurgião e o Frei a bordo eram enviados para baixo e os homens colocados a postos nos canhões, com tochas imediatamente acesas. Os passageiros eram levados para o tombadilho, alguns com espingardas, outros com sabres e chuços de abordagem. E tudo isto, seja por ignorância ou falta de tato, tinha uma aparência tão grotesca e tão mal adaptada a qualquer enfrentamento real que a cena, despojada de seus horrores pela desnecessária repetição, tornou-se, com o tempo, inteiramente ridícula. Quando tudo isto acontecia à noite, a confusão excedia qualquer descrição e o burburinho de vozes, o barulho de armas, o brilho de lanternas, o choro de mulheres e crianças, os tiros de armas sinalizadoras, somados ao medo geral causado pelo suposto inimigo, tudo isto trazia à minha mente o ataque desferido contra Sancho Pança na ilha de Barataria. Nestas ocasiões a desordem, a falta de disciplina e o alarme eram, de fato, tão intensos, que teríamos sido uma presa fácil para qualquer pirata que nos atacasse. Felizmente, porém, seguimos nosso caminho a salvo e chegamos, finalmente, a nosso local de destino em segurança.

Antes da Revolução e do estabelecimento das Cortes em Portugal, constituía uma ilegalidade um estrangeiro ser passageiro a bordo de um navio mercante português que estava a negociar com a Índia. Portanto, pode ser uma novidade interessante, para alguns leitores, conhecer a organização do navio e como os procedimentos eram realizados. O primeiro na hierarquia do comando era o proprietário que, não sendo ele próprio um marinheiro, apenas supervisionava a tripulação. Sob seu comando havia três assistentes e três assistentes juniores chamados pilotos, um contramestre que, além de todos os seus outros deveres, era responsável pela segurança de toda a carga e um sargento encarregado dos marinheiros. Um cirurgião e um frade completavam o grupo e pode-se observar que nenhum veleiro português de grande porte navega sem um capelão a bordo. Frequentemente, até com dois.

As missas eram celebradas aos domingos e as vésperas nas tardes de sábado. O impacto desta cena, no mar, era singularmente solene e comovente quando, em uma bela tarde, à luz do luar, em uma latitude tropical, o canto dos marinheiros se elevava aos ventos em notas rudes, porém não sem melodia. Todos se ajoelhavam em aparente devoção em torno do altar, onde o padre celebrava a missa, alguns rezavam o terço em silêncio, outros murmuravam uma Ave Maria ou um Pai Nosso, ou davam as respostas, com sotaques que soavam roucos e estranhos aos ouvidos de um inglês. Então, de tempos em tempos, a triste melodia de Mater Purissima, ora pro nobis, era cantada pelo padre que se encontrava abaixo e ecoava nas vozes daqueles que estavam no convés. E a solene simplicidade do culto, em tal cenário e em tal ocasião, falava ao coração, à imaginação e aos sentimentos religiosos e poéticos dos presentes.

Além dos oficiais já enumerados, havia dois encarregados do comércio e alguns comerciantes que pertenciam a uma classe inferior, aos quais era permitida uma ascensão social por meio do trabalho como funcionários supranumerários. Havia na tripulação setenta homens, alguns dos quais realmente excelentes, porém muito indisciplinados. Cada oficial carregava uma vara na mão, a fim de garantir uma mais rápida obediência às ordens. Ainda assim prevalecia a inatividade e seguia-se a prática de velejar à noite, ora em desuso. Os alimentos, a bordo, eram em grande quantidade, com cerca de uma dúzia de bois sendo acrescidos ao número de víveres. As aves eram reservadas tanto para os passageiros quanto para os membros da tripulação que se encontravam doentes, sem qualquer distinção. Os primeiros eram numerosos e as acomodações ruins. O custo da passagem para a China era de seiscentos dólares.

No dia 3 de junho desembarcamos na Ilha da Madeira, um lugar em que a hospitalidade característica de seus habitantes teria, por si só, tornado esta ilha querida às minhas recordações. Mas quem já viu e, tendo visto, poderia esquecer seus jardins e vinhedos, o clima agradável e as inúmeras belezas pitorescas? Para aí se ter uma residência fixa, seus limites circunscritos e sua pequena população podem torná-la desagradável. Mas, vista no intervalo de uma longa viagem, quase parece uma ilha encantada, feita com o propósito de maravilhar e alegrar a alma do viajante que passa.

No sábado, 9 de junho, içamos velas mais uma vez e em 4 de agosto entramos no porto do Rio de Janeiro. A abordagem pelo mar lembrou-me o cenário das Trosachs, perto de Loch Katrine (Parque Nacional da Escócia– N. do T.) e enquanto observava os íngremes penhascos e “Rochedos, colinas e montes confusamente misturados” e outras formas acidentadas que compõem o relevo desta extraordinária terra, parecia encontrar, em um país estrangeiro, os traços bem conhecidos de um velho amigo.

De fato, é raro podermos encontrar qualquer semelhança marcante entre as paisagens tropicais e britânicas. Porém, quando a imaginação descobre laços de afinidade, quando lembranças amadas e queridas nos ocorrem inesperadamente, o viajante sente ainda outro entusiasmo, e as alegrias são redobradas pelas memórias dos dias de felicidade.

“For not an image, when remotely viewed,
However trivial and however rude,
But wins the heart, and wakes the social sigh,
With every claim of close affinity.” [I][II]

Tais foram minhas observações quando da aproximação deste célebre porto. Porém, pouco depois de desembarcar, a novidade do cenário e os traços característicos de um país tropical logo baniram qualquer recordação de nossa selvagem natureza setentrional.

Poucos lugares no Novo Mundo devem tanto à natureza quanto o porto do Rio; todas as combinações possíveis de um cenário pitoresco aí estão incluídas em magnífica perspectiva. No entanto, já que tudo isso tem sido descrito de modo repetitivo e minucioso por outros viajantes, não há necessidade de se detalhar as belezas e, pela mesma razão, uma descrição geral da cidade de São Sebastião será suficiente.

Como em outras cidades da América do Sul, não há pretensões a grandezas, nem mesmo poder-se-ia esperar que aquela arquitetura já tivesse alcançado um alto nível de perfeição em locais onde os fundadores foram aventureiros necessitados, cuja única intenção era a obtenção de riquezas e onde os ofícios da vida civilizada são de desenvolvimento tardio e ainda débil.

Pouquíssimas torres, cúpulas ou campanários atraem o olhar devido a suas elevadas alturas, e nenhum imponente prédio público adorna as margens da baía. A Casa do Governo, ou Palácio, e a Capela Real ao lado são as principais construções e ocupam os dois lados de uma grande praça em frente ao local de desembarque. As ruas são estreitas e sujas, as igrejas e conventos numerosos, mas de construção rude. Nas casas de pedras, geralmente de dois andares, há gelosias de madeira pintadas de verde; as casas dos mais abonados têm, às vezes, um grande portal e pátios internos.

Museu Nacional no Campo da Aclamação, de P. G. Bertichem . Lithographia Imperial de Eduardo Rensburg Rio de Janeiro , 1856.

O Banco, a Casa de Câmbio, a Alfândega e o Arsenal encontram-se todos na Rua Direita, ao longo da baía, mas nada há de notável neles. O estado do Arsenal é lamentável, e parece ter sido negligenciado tanto pelo Governo quanto pela própria Marinha, que não é poderosa o suficiente para proteger os navios mercantes portugueses dos ataques dos piratas, mesmo que se encontrem perto do porto. Uma grande biblioteca pública, que consiste principalmente de livros históricos e de cunho religioso, trazidos pelo rei de Portugal, está aberta ao público das dez da manhã até uma hora e depois das quatro às seis da tarde. Dois ou três bibliotecários estão sempre à disposição e são especialmente atenciosos aos que desejam fazer uso da biblioteca. Durante minhas visitas observei que muito poucos brasileiros faziam uso desse privilégio. O Museu no Campo de Santana, uma grande praça em outro bairro da cidade, foi criado, como atesta uma inscrição acima da porta, por “Sua Fidelíssima Majestade, D. João VI, generoso Patrono das Artes”, “Rex fidelissimus, artium amantissimus” &c. A coleção é pequena, e as peças em ouro e diamantes são a valiosa parte dela. Uma galeria é exclusiva para o mineral proveniente de Derbyshire, doado pelo senhor Thornton, falecido ministro inglês, em troca de minerais do Brasil. O mineral é tão valorizado aqui quanto o são as produções da América do Sul na Europa. Dentre os objetos descritos como especialmente curiosos, havia um cisne branco e um pequeno tordo de papo roxo empalhados, e nenhuma dessas aves é encontrada no Brasil.

Não se pode encontrar um lugar mais bem condizente para um Museu de História Natural do que o Rio de Janeiro e poucos países possuem maior gama para pesquisa científica do que o Brasil. Tal, no entanto, é a ignorância dos habitantes e tão numerosos tem sido até agora os obstáculos no caminho dos estrangeiros, que o passado e o presente permitem pouco para que se observe o progresso da ciência. Em vez disso, devemos olhar para o futuro e prever o dia em que haverá o uso sábio e benéfico dessas vantagens para a promoção da filosofia e do conhecimento de modo geral.

O Teatro, assim como o Museu, deve sua construção à generosidade Real. A construção é grande e elegantemente decorada; a performance dos atores é tolerável, embora não haja músicos e atores de primeira classe. Óperas italianas e dramas portugueses aí se alternam. Esses últimos parecem, de modo geral, tediosos e a não natural monotonia da récita é desagradável a ouvidos ingleses.

Considera-se a tragédia “Inês de Castro” a mais perfeita de todas e, baseada em um comovente e conhecido episódio da história de Portugal, possui o charme inerente da cor local. O teatro é agora o único lugar público destinado ao entretenimento e, recentemente, cessaram as touradas. Essas, de fato, parece nunca terem sido realizadas com o espírito e o entusiasmo que outrora marcaram esses espetáculos na Espanha e Portugal.

As procissões da Igreja estão entre as mais comuns e populares de todas as diversões. Pouco diferem das procissões em outros países católicos. A multidão nas ruas e nas janelas, porém, torna a cena impressionante, demonstrando o interesse que aqui elas despertam. De bom grado as senhoras aproveitam a oportunidade de aparecer em público, algo que pais rudes e maridos ciumentos raramente permitem, e satisfazem suas vaidades exibindo uma numerosa comitiva de escravas que as seguem nas ruas em fila. Outras observam de suas próprias janelas a multidão em movimento e lançam flores a seus admiradores. Soldados e oficiais, em seus uniformes vistosos, desfilam com afetada dignidade por entre o povo, e os oficiais exibem suas braçadeiras, estrelas e cruzes de modo ostensivo. Negros barulhentos e muitas vezes embriagados completam o quadro, desfrutando de uma breve interrupção no trabalho, enquanto alguns devotos, em grupos separados, contemplam a representação sacerdotal, persignando-se ou rezando apressadamente um Pai Nosso durante a passagem da procissão. Aqui e ali podemos ver um estrangeiro na multidão, meio que apreciando, meio que desprezando o espetáculo, enquanto satisfaz sua curiosidade observando os costumes locais e os traços peculiares da população.

Quando um viajante desembarca pela primeira vez no Rio, sua atenção é naturalmente atraída pela aparência dos negros. Sua cor, com a qual o olhar de um europeu demora a familiarizar-se – seus semblantes selvagens e rudes, por vezes tatuados, seus membros nus, cobertos com apenas o suficiente para dar conta de um mínimo de decência – seus linguajares bárbaros e vociferações ruidosas – a melodia selvagem de sua terra natal (se é que o termo pode ser usado) que quase sempre cantam enquanto trabalham – o barulho das correntes, os colares de ferro usados por criminosos ou fugitivos nas ruas – esses e outros símbolos peculiares da barbárie e miséria, tudo concorre para causar surpresa, horror e repugnância. As canoas e os barcos que navegam por entre os navios e entre os dois lados da baía são tripulados pelos mesmos seres não civilizados, com um mulato ou um branco ao leme. Estão sempre prontos para lucrar com qualquer oportunidade de pilhagem e por isso é considerado perigoso confiar-se sozinho ou desarmado em seu poder, durante a noite.

Pouco depois de minha chegada, tive a oportunidade de comparecer a um baile e um jantar esplêndidos no Teatro, oferecidos pelos oficiais do exército português em homenagem à Constituição. O Príncipe e a Princesa agraciaram a festividade com suas presenças mas, de acordo com o protocolo, o fizeram somente como espectadores. Os vestidos e a aparência das senhoras neste baile eram dignos de admiração. Muitas usavam uma verdadeira profusão de joias. Já a beleza, com raras e notáveis exceções, podia ser muito menos encontrada. Os homens usavam uniformes ou trajes da Corte, e as estrelas e condecorações pareciam tão numerosas e indevidamente concedidas que beirava o ridículo. Não era esse o pensamento dos senhores e nem assim pensavam as senhoras, que concediam suas mãos e sorrisos com tamanha parcialidade a esta aristocracia enfeitada de lantejoulas, que os pobres ingleses presentes poderiam ter invejado tais condecorações, mesmo que fosse para evitar o destino que os aguardava, isto é, de serem deixados de lado. Muitos meninos, aparentemente com não mais que doze ou quatorze anos, usavam vulgares trajes da Corte em seda e ostentavam estrelas obtidas de modo costumeiro. Também as meninas, de nove ou dez anos, ou menos ainda, estavam presentes, magnificamente vestidas, e pareciam estar tão afeitas à arte do flerte e do coquetismo quanto as beldades mais idosas e experientes.

Entre os oficiais presentes encontravam-se vários que pertenciam a um regimento de negros, e o contraste entre seus rostos negros e os refinados uniformes brancos, dos quais pareciam muito orgulhosos, conferia um incremento notável à novidade e às peculiaridades absurdas do entretenimento.

Vista do Morro do Cavalão, Niterói, RJ, 1884 , de Johann Georg Grimm, via MNBA

Praia Grande

Logo após minha chegada fixei residência na Praia Grande, uma aldeia no lado oriental da baía (Niterói – N. do T.), por causa dos lugares mais confortáveis e tranquilos do que aqueles encontrados na cidade do Rio de Janeiro. A distância, por mar, é de quatro milhas. Há a facilidade de um barco de passageiros a vapor, mantido por um americano, que faz, duas vezes por dia, a travessia entre essa vila e o Rio. Aqui em Praia Grande muitos habitantes passam as férias durante alguns meses do ano para aproveitar os banhos de mar.

É, com certeza, um lugar muito agradável, e o aspecto da região, bela não importa onde, é realçada por moradias e plantações bem cuidadas. As casas, raramente com mais de dois andares, têm as paredes caiadas, telhados vermelhos e pórticos na frente. São encantadores as caminhadas e os passeios no bairro, especialmente à tarde, quando os raios do sol poente douram as águas da baía, e toda a natureza parece renascer dos efeitos do calor excessivo, sob a influência da brisa refrescante.

O panorama que se descortina das elevações acima da vila é especialmente belo. O olhar corre extasiado por sobre os férteis vales abaixo e a bela vastidão de água recortada por barcos e navios em todas as direções. A cidade do Rio, ladeada pelo alto Corcovado, ou Montanha Corcunda, por um lado, e o morro do Pão de Açúcar, pelo outro, se apresenta na perspectiva, que termina nas formas enormes e cumes nublados da Serra dos Órgãos.

Mas, se os objetos inanimados são tão agradáveis aos sentidos, os seres vivos não são menos dignos de admiração. Uma grande variedade de aves, de bela plumagem, habita os bosques e o arrufo dos minúsculos humming-birds, aqui chamados de beija-flores por correrem por entre as laranjeiras em flor em busca de “líquido doce”, se une à harmonia geral. Enxames de insetos também permeiam o ar e a superfície da terra. Quando chega a noite, miríades de vagalumes tomam o lugar dos que somente se divertem nos belos raios de sol e suas vívidas emissões de luz, enquanto se movem em meio à folhagem, produzem um efeito que, em tempos de maior ignorância, poderia facilmente ter sido atribuído a causas sobrenaturais. Ouve-se o monótono coaxar das pequenas rãs, monocórdio, sem intervalo durante a noite, enquanto nenhum outro som perturba o solene e universal silêncio.

Ninguém, a não ser aqueles que estão acostumados a climas tropicais, pode imaginar os sentimentos que tais cenas inspiram aos corações dos viajantes recém– chegados da Europa.

Depois de residir por um mês no Rio e em seus arredores, senti o desejo de ver um pouco o interior do país e assim determinado a visitar a colônia suíça estabelecida em Morro Queimado (Nova Friburgo – N. do T.), a antiga estação de mineração de Cantagalo e a ilha da Pedra, um assentamento de índios às margens do Rio Paraíba.

Estava especialmente ansioso para visitar a colônia suíça, por ser a primeira tentativa feita nesta parte da América do Sul de se introduzir colonizadores europeus na condição de agricultores e trabalhadores.

O relato que obtive foi o seguinte: primeiro foi concebido um plano e apresentado ao Rei, por um cavalheiro suíço, e esse plano recebeu a aprovação de Sua Majestade, que não poupou esforços nem despesas para colocá-lo em prática.

Na Suíça, onde as pessoas são geralmente empreendedoras e dispostas a emigrar, o plano foi muito bem aceito, e muitas pessoas de boa condição social deixaram suas casas com a expectativa de fazer grandes fortunas de modo rápido. Alguns hábeis mecânicos e homens de todas as profissões se ofereceram para se juntar ao grupo, mas a maioria foi recrutada indiscriminadamente junto às classes mais baixas. As acomodações a bordo do navio devem ter sido muito ruins e deficientes, uma vez que, das mil e quinhentas pessoas que deixaram sua terra natal e embarcaram na Holanda, não menos que trezentas faleceram durante a viagem e muitas outras logo após a chegada ao Brasil. As restantes foram enviadas imediatamente para o interior e se estabeleceram como uma colônia em Morro Queimado, local acima mencionado, para onde estava eu prestes a partir.

Notas sobre o poema

I — Portanto, o que não chega a ser uma imagem, por ser vista de longe,
Por mais trivial e imperfeita que seja,
Conquista o coração, e desperta o sopro social,
A cada clamor de estreita afinidade.
(Tradução livre do poema)
II — O original do poema de Samuel Rogers em Pleasures of Memory começa por “Yet not an image” e não por “For not an image”

Fonte

Tradução Halley Pacheco de Oliveira.

Revisão Vanira Tavares

Mapa

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