Exposições Nacionais

Atendendo à importância dessas festas industriais, sua influência sobre a moralidade do povo e sobre o ensino prático de todas as classes da sociedade, coligimos algumas notícias das exposições celebradas no Rio de Janeiro para deixá-las registradas neste livro.

A primeira exposição de indústria, que houve nesta cidade, foi em um dos salões do edifício do Museu Nacional, onde estiveram expostos desde 7 de setembro de 1861 até 15 do mesmo mês, produtos naturais e relativos à indústria, usos e costumes da província do Ceará colecionados pelo Dr. Manoel Ferreira Lagos em suas excursões naquela província na qualidade de membro da comissão científica enviada às províncias do Norte. Desse ensaio de exposição nasceu a ideia da grande exposição de 2 de dezembro de 1861.

Julgara-se até então que o Brasil não podia fazer essas festas industriais, por não ter indústria nem produtos que pudessem ser exibidos e apreciados; mas, expostas as produções do Ceará, provou-se que podia o país apresentar exemplares de sua indústria, que já contava produtos úteis e apreciados, e que convinha fazerem-se essas festas civilizadoras da inteligência e do trabalho chamadas – exposições industriais.

No mesmo dia que celebrava-se no Rio de Janeiro essa festa industrial, executava-se no Monte de Santa Cruz, fronteiro à cidade de Ouro Preto, cerimônia semelhante. Em agosto de 1860 um missionário capuchinho erguera nesse monte uma cruz, e, saudando o povo com três dias de festejo o símbolo da redenção, resolveu levantar ali uma ermida; no ano seguinte, tendo de repetir-se o festejo, propôs um vereador da Câmara de Ouro Preto que se estabelecesse ali, junto ao madeiro da cruz, uma feira ou exposição industrial, para ser assim festejado o dia 7 de setembro. A ideia encontrou eco em toda a província; construiu-se no monte um edifício para receber os produtos agrícolas e outros objetos, e realizou-se a primeira exposição na província.

Assim é memorável o dia 7 de setembro de 1861, porque duas cidades do Brasil saudaram com a festa do trabalho, com a exposição dos produtos e riquezas do país o aniversário da independência da pátria; iniciaram-se entre nós as exposições nacionais, e esses ensaios, essas tentativas no caminho da indústria deram em resultado a pomposa solenidade industrial de 2 de dezembro de 1861.

Nesse dia, aniversário natalício do Imperador, anunciaram as salvas de artilharia um acontecimento de grande magnitude e alcance para o Brasil; saudaram o Imperador e saudaram a nação; houve duplo regozijo e duplo festejo, porque além das festas da corte, solenizou-se a festa de todos, da indústria e do comércio do país. Desde manhã se aglomerara o povo no Largo de São Francisco de Paula contemplando os ornatos da fachada do edifício da Escola Politécnica.

Decorava cada janela uma arquivolta, lendo-se no centro o nome de uma das províncias do Império; viam-se entre as janelas do segundo pavimento escudos com a legenda P II. cercada de troféus e bandeiras nacionais; vestiam as sacadas de grades de ferro colchas de veludo carmesim franjadas de ouro; no friso lia-se o dístico Opes acquirit eundo, e no entablamento em letras grandes – Exposição Nacional.

Acima do edifício erguia-se o pavilhão auriverde, flutuando aos lados seis flâmulas simbolizando nas cores as ordens da cavalaria do Império, São Thiago, Cristo, Pedro I, Aviz, Rosa e Cruzeiro, e pendiam de todas as janelas numerosas bandeiras.

Dirigiram e executaram gratuitamente essa decoração exterior os artistas Fleiuss e Linde.

Sobre o gradil da frente viam-se estátuas e vasos de flores entre profusão de verdes, notando-se de cada lado no princípio da rampa um leão fundido em ferro, segundo o molde dos de Canova.

O interior do edifício achava-se também elegantemente ornado notando-se principalmente o dossel do trono imperial, e o que em frente se armara sobre o busto de Pedro I.

Às 11 horas chegou a família imperial, sendo esta a primeira festa pública a que compareceram as princesas Dona Isabel e Dona Leopoldina.

Recebidas com o cerimonial devido tomaram assento no trono as pessoas imperiais, proferindo o Marquês de Abrantes, presidente da comissão diretora da exposição, um discurso que terminou com estas palavras:

“Senhor! O dia de hoje, aniversário natalício de V. M. Imperial tem de acrescentar aos seus fastos gloriosos o da abertura desta nossa primeira exposição. Aos títulos de nossa gratidão ao excelso príncipe, que desde o berço tem mantido a integridade e as instituições políticas do Brasil, ajuntar-se-á d’ora em diante o do nosso profundo reconhecimento ao ilustrado monarca, que tão desveladamente promove o melhoramento material e moral do seu vasto império.”!

O Imperador respondeu nestes termos:

“As festas da inteligência e do trabalho são sempre motivo do mais fundado regozijo.

Minhas animações nunca deixarão de procurar a quem concorrer para o engrandecimento da nossa pátria, e abrindo hoje a primeira exposição nacional, muito me comprazo em ligar a recordação de sucesso tão esperançoso a das provas de amor e fidelidade que dos Brasileiros recebo no dia dos meus anos.”

Depois de ouvidas as palavras proferidas do trono tocou-se o novo hino da exposição composto por Antônio Carlos Gomes, que alguns anos mais tarde devia patentear a inspiração de seu gênio nas óperas Guarany, Salvador Rosa e outras que têm dado glória e fama à pátria e a seu nome.

Enchiam as salas do Palácio da Exposição muitas pessoas das mais distintas da sociedade; a família imperial percorreu todo o edifício gastando hora e meia em examinar os objetos expostos.

Tudo estava satisfatoriamente preparado, os objetos dispostos com gosto e ciência, indicando o grande esforço da comissão encarregada de organizar a festa industrial, tendo tido apenas três meses para executar todos os trabalhos; tornou-se digno de elogio especial o Dr. Manoel Ferreira Lagos pela solicitude e inteligência que empregou, pela elegante disposição dada aos objetos, e pela atividade e sacrifícios que procurou superar para satisfazer a missão de que fora encarregado [1].

Como D. João II que em recompensar os beneméritos se antecipava, não permitindo que os pedidos tirassem-lhe o mérito de justiceiro, o Imperador D. Pedro II concedeu logo ao Marquês de Abrantes a grã-cruz da Ordem do Cruzeiro e ao Dr. Manoel Ferreira Lagos a comenda da Ordem da Rosa.

À noite iluminou-se a frontaria do edifício, vendo-se nas três janelas centrais, transparentes primorosamente pintados, representando o do meio a cidade do Rio de Janeiro, como iluminada pelo sol nascente, e um anjo a espargir flores sobre ela, tendo uma facha em que se lia – progresso, – e nas laterais duas figuras alegóricas da ciência e da indústria; em dois coretos levantados aos lados da escadaria da Igreja de São Francisco de Paula, brilhantemente iluminados, tocavam alternadamente duas bandas de música, e no centro da praça resplandecia um candelabro de cores prismáticas.

Inaugurada a exposição houve beija-mão no paço; às 5 horas a guarda nacional formou em grande parada, às 7 horas o Imperador e a Imperatriz assistiram a um Te-Deum mandado celebrar na Igreja do Sacramento pela comissão encarregada desse festejo, e à noite apareceram no Teatro Lírico, onde a Companhia de Ópera Nacional representou a ópera Os Dois Amores – composta pelo Dr. Manoel Antônio de Almeida. Houve numerosas promoções no exército e na armada.

Chegando no dia seguinte a notícia da prematura morte do bondoso Rei de Portugal Pedro V, houve consternação geral, e desde então se não iluminou mais a frente do Palácio da Exposição.

Diversas vezes o Imperador visitou o Palácio da Indústria, gastando muitas horas em percorrer todas as salas; no dia 5, depois de sua visita, fez o donativo de 500$000 para se ajuntar à soma recebida pelos bilhetes de entrada.

Em três dias da semana pagava-se 1$000 de entrada, em três 500 rs., e ao domingo era gratuita.

Esteve aberta a exposição até 15 de janeiro de 1862, e no dia seguinte encerrou-se em presença de todos os membros do ministério, não podendo o Imperador comparecer por ser o aniversário do falecimento da princesa Dona Paula.

Visitaram a exposição 50.703 pessoas, e rendeu a venda de bilhetes de entrada 15:367$000.

No paquete de 6 de fevereiro enviaram-se para Londres 1.495 objetos, que haviam figurado nesta exposição, para representarem o Brasil na Exposição Universal que ia celebrar-se naquela metrópole: cunhou-se na casa da moeda uma medalha comemorativa dessa festa de progresso e civilização [2]; e em 14 de março distribuíram-se medalhas de ouro, prata e cobre aos expositores dos objetos, que pareceram mais belos, mais perfeitos ou mais úteis, gastando-se com essas medalhas 1:984$572.

Em 19 de outubro de 1866 no Palácio da Moeda abriu-se a Segunda Exposição Nacional em presença dos soberanos, que chegaram com grande estado e cercados de luzida corte.

Estava o edifício primorosamente enfeitado e cheio de convidados que saudaram as pessoas imperiais com repetidos vivas e ao som do hino nacional tocado pelas bandas de música; tomaram assento no trono tapizado de veludo roxo, vestindo o dossel cortinas de veludo verde orladas de franjas de ouro; a orquestra tocou a ouverture do Vagabundo ópera do compositor nacional Mesquita, seguiu-se o Hino das Artes do mesmo compositor; finda a música o vigário geral do bispado, monsenhor Félix Maria de Freitas Albuquerque, benzeu o palácio e seus produtos e pronunciou um discurso. Tomando a palavra o conselheiro Souza Ramos, hoje Visconde de Jaguari, presidente da comissão diretora, fez um sucinto e preciso relatório dos trabalhos da comissão, e do Imperador ouviu-se este animado e patriótico discurso:

“Auxiliar e animar o trabalho nacional é dever de todos os cidadãos, e mormente do primeiro representante da nação; venho pois, com o maior júbilo abrir a segunda exposição brasileira. Simboliza ela a união deste vasto império, baseada no futuro grandioso que lhe prometem tamanhas riquezas naturais derramadas por suas províncias; afiança o desenvolvimento das relações que tanto nos interessa cultivar com os outros povos; enfim é o mais nobre incentivo às conquistas da paz, às quais os Brasileiros só atendem, e cujos louros reunirão aos que têm ganho e ganharão defendendo a honra de sua pátria e a causa da civilização.

“Está aberta a Segunda Exposição Nacional.”

Imediatamente o presidente da comissão levantou vivas que foram correspondidos pelo auditório ao som do Hino das Artes.

A família imperial percorreu todas as salas do palácio, demorando-se até às 4 horas a examinar os produtos expostos.

O preço da entrada era de 500 rs. nas terças, quartas-feiras, sábados e domingos, de 1$000 nas segundas e quintas-feiras e de 2$000 nas sextas-feiras.

O Imperador concorreu ao palácio da exposição diversas vezes, examinando atenta e minuciosamente cada objeto.

Havia se determinado encerrar a exposição no dia 2 de dezembro, porém por proposta da comissão diretora, ficou o encerramento para o dia 16; ao meio-dia chegaram o Imperador e a Imperatriz, que recebidos pelos ministros da agricultura, justiça, estrangeiros e da marinha, pelo presidente da comissão diretora e outras pessoas de hierarquia, subiram ao segundo andar, onde encontraram a princesa imperial e o príncipe Conde d’Eu que estavam no edifício desde as 11 horas.

Depois de percorrer as salas e examinar pela última vez os produtos industriais foi a família imperial para o trono, donde ouviu um discurso do conselheiro Souza Ramos, ao qual respondendo disse D. Pedro II:

“Srs. membros da comissão diretora da Segunda Exposição Nacional – O relatório do vosso presidente e as repetidas visitas que com tanto proveito para mim fiz à Segunda Exposição Nacional, confirmaram meu juízo a respeito da grande utilidade desses concursos da indústria. A justa apreciação dos que se distinguiram entre os expositores, a quem folgarei de distribuir os testemunhos de reconhecimento de sua aptidão industrial, coroará os esforços dos que tão benemeritamente têm auxiliado o desenvolvimento de uma instituição que, tornando-se cada vez mais nacional, aumentará ao mesmo tempo nossas relações com os outros povos, em cuja festa, para assim dizer humanitária, iremos brevemente tomar parte modesta, porém honrada.

“Está encerrada a Segunda Exposição Nacional.”

O presidente soltou vivas à religião católica, à nação, à constituição, às pessoas da família imperial, e ao progresso da indústria brasileira; e ao som dessas aclamações repetidas pelo povo, e do hino nacional retiraram-se os imperantes.

Constou esta exposição de 20.128 produtos apresentados por 2.374 expositores, havendo mais que na primeira 10.266 produtos e 1.238 expositores; produziu a taxa de entrada 29:745$500.

Foram escolhidos e enviados para a Exposição Universal de Paris 3.558 produtos pertencentes a 684 expositores.

Deixaram de concorrer para essa festa da indústria as províncias de Mato Grosso, Minas, Goiás, Espírito-Santo e Alagoas, todas as outras remeteram preciosas produções de seu solo e de seu progresso industrial.

Em 19 de outubro de 1867, aniversário do dia da abertura, efetuou-se no Paço da Cidade a distribuição dos prêmios a 644 expositores, dos quais 24 receberam medalhas de ouro, 109 de prata, 157 de bronze e 354 menções honrosas.

Honraram e animaram o ato as pessoas imperiais, todo o ministério, alguns membros do conselho de Estado, do corpo diplomático, oficiais generais de mar e terra e outras personagens de hierarquia.

Em 1 de janeiro de 1873 solenizou no edifício da Escola Politécnica a abertura da terceira exposição, composta dos objetos que tinham de figurar na Exposição Universal de Viena d’Áustria. Compareceram as pessoas imperiais que foram recebidas pela comissão diretora, cujo presidente proferiu um discurso, ao qual respondeu o Imperador nos seguintes termos:

“Associo-me cordialmente ao júbilo que tão justamente desperta esta terceira festa do trabalho nacional.

A religião acaba de consagrá-la, e as suas consequências morais torná-la-ão um novo passo seguro no caminho do progresso.”

Em seguida percorreu a família imperial todos os compartimentos do edifício, e examinou detidamente cada um dos objetos expostos.

Para divulgarem-se na Europa verdadeiros e precisos conhecimentos do Brasil a comissão diretora encarregou ao Dr. Joaquim Manuel de Macedo de escrever a obra Noções de Corografia do Brasil que, traduzida nas línguas francesa, inglesa e alemã, foi remetida para Europa; assim também tratou de rever e melhorar a Breve Notícia do Império do Brasil, impressa em 1867 para a Exposição Universal de Paris, tendo por louvável empenho tornar bem conhecido no velho mundo o império brasileiro. Foi também essa obra vertida para as três línguas, e acompanhou os produtos apurados pelo júri, os quais foram figurar na exposição da capital do império austríaco.

Em 3 de fevereiro encerrou-se a Terceira Exposição Nacional que foi visitada por 41.996 pessoas, sendo de dia 14.306 e à noite 27.690; pagaram entradas em 31 dias 30.937 pessoas; visitaram gratuitamente nos dois últimos dias 10.291, e tiveram entradas por convite em diversos dias 760 indivíduos dos estabelecimentos industriais e de caridade.

Marca o dia 2 de dezembro de 1875 a inauguração da Quarta Exposição no Palácio da Secretaria da Agricultura e Obras Públicas; apresentou-se o edifício vistosamente enfeitado; em todas as janelas tremulavam bandeiras, cobriam as sacadas colchas de seda de diversas cores; ao lado direito se levantara um chalé para exposições de máquinas e de animais vivos.

Saudaram os navios e fortalezas o aniversário natalício do Imperador; na Capela Imperial celebrou-se com as formalidades marcadas no programa, o batizado do príncipe do Grão Pará, filho da princesa imperial Dona Izabel e do príncipe Conde D’Eu, nascido em Petrópolis em 15 de outubro; o príncipe recebeu os nomes de Pedro de Alcântara Luiz Felipe Maria Gastão Miguel Raphael Gonzaga, e foram seus padrinhos o Imperador e a Imperatriz do Brasil; houve Te-Deum solene, e após esse ato encaminharam-se os imperantes para o Palácio Industrial, onde foram recebidos ao som do hino tocado por quatro bandas de música, salvando o parque de artilharia com 21 tiros. Em uma das salas alcatifada de rico tapete erguera-se o trono com cortinas de veludo verde e ouro. Recebidos pela comissão superior, por alguns diplomatas, o ministério e diversos convidados, tomaram as pessoas imperiais assento debaixo do dossel, ficando junto ao primeiro degrau a princesa imperial e seu esposo. Aberta a exposição houve no Paço o cortejo do estilo.

Em 16 de janeiro de 1876 encerrou-se a exposição, sendo visitado o Palácio da Indústria por 67.568 pessoas, produzindo as entradas uma receita de 20:590$000.

À convite da comissão superior escreveu o Dr. Joaquim Manoel de Macedo a obra Ano Biográfico Brasileiro contendo 365 biografias de brasileiros ilustres, a qual traduzida em inglês foi remetida para a Exposição da Filadélfia, e acompanhou os produtos mandados para essa exposição a obra Império do Brasil na Exposição Universal de 1876 em Filadélfia, contendo notícias curiosas e informações importantes sobre o Brasil; tirando-se além da edição em português, outras em francês, inglês e alemão.

Designados os produtos que deviam ser premiados dignou-se o Imperador fazer, em 25 de março de 1876, a distribuição solene das recompensas aos expositores.

Durante o tempo que serviu de Palácio da Indústria o edifício da Secretaria de Estado da Agricultura trabalharam os empregados da respectiva secretaria nas salas do Paço Imperial franqueadas pelo Imperador.

Escolhidos e enviados aos Estados-Unidos os produtos que deviam figurar na Exposição da Filadélfia, nomeou o governo uma comissão para representar o Brasil, incumbindo a cada um dos seus membros estudos especiais. Aberta a exposição em 10 de junho de 1876, assistindo a este ato o Imperador e a Imperatriz do Brasil, colheram os expositores brasileiros em número de 1.104, prêmios e menções honrosas, e desse certâmen industrial e científico nasceram relações mais cordiais entre os dois países.

À Exposição do Chile, celebrada em 16 de setembro de 1875, enviou o Brasil exemplares dos produtos destinados à Exposição da Filadélfia, dos quais havia duplicata; e em 29 de julho de 1876 a princesa imperial regente distribuiu no Paço da Cidade os diplomas e medalhas que o Chile concedeu aos expositores do Império.

Em 16 de novembro de 1871 organizou-se no Passeio Público uma Exposição de Floricultura iniciada pela Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional, sendo a primeira desse gênero que realizou-se na América do Sul.

Em 20 de janeiro de 1876 solenizou-se em Petrópolis a Segunda Exposição de Horticultura, composta de flores, frutos, legumes, árvores, raízes, madeiras, cereais, e sementes de diferentes culturas, farinhas, vinhos, licores, cervejas, trabalhos de diversas artes, objetos de indústria, aves, animais domésticos e outros. Na mesma cidade efetuou-se outra exposição em 8 de abril de 1877 inaugurada na presença da princesa regente, de seu esposo, e de grande número de pessoas gradas, e encerrou-se no dia 12, distribuindo a princesa imperial medalhas de ouro, prata, bronze e menções honrosas aos expositores que mais se distinguiram. Além de flores, frutos, legumes, e outros produtos vegetais, apareceram animais vivos e objetos de diversas indústrias, e produtos de muita beleza e valia.

São as exposições catálogos da indústria e comércio dos países, assinalam épocas de paz, e engrandecimento dos povos, e anunciam ao mundo o progresso e civilização dos estados; sem indústria, nem comércio não se conta país rico nem feliz, e é nessas exibições de produtos que as nações, os povos patenteiam seus recursos, os esforços do seu trabalho, as pesquisas e descobrimentos do entendimento humano. Felizmente vai-se compreendendo entre nós a utilidade desses concursos industriais que lançam raios de luz sobre a indústria, o comércio, as artes, e a civilização; trata o governo de regularizar estas festas do trabalho, e pretende construir um edifício vasto, um palácio para semelhantes solenidades; há na capital do Império uma sociedade de expositores, e criou-se em Petrópolis uma caixa com capital suficiente para exporem-se anualmente produtos de horticultura.

São úteis tais cometimentos, porque guardando o Brasil em seu seio produtos que ainda não estão descobertos, riquezas ainda não aproveitadas, necessita, mais do que qualquer outra nação, dessas feiras, desses certames da indústria e do trabalho, onde possam aparecer o que há de aproveitável e útil, as riquezas, as preciosidades, os tesouros vasados pelo Criador neste solo, porém ainda não conhecidos pela mão do homem; assim devem repetir-se essas solenidades da indústria e do comércio para a nação tornar-se conhecida, rica, poderosa, civilizada, e aproximar-se das outras nações contribuindo para a realização da unidade do gênero humano.

Notas

  1. Em 1816 nasceu no Rio de Janeiro Manoel Ferreira Lagos, que aqui estudou humanidades e seguiu o curso de medicina; foi oficial da Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros; diretor de uma das seções do Museu Nacional, sócio do Instituto Histórico e de outras sociedades literárias, comendador da Rosa, comissário do Império do Brasil na exposição universal de Paris; homem lido, dotado de muito espírito, e bibliófilo notável, deixando em sua livraria muitos documentos e manuscritos curiosos que o governo comprou para a Biblioteca Nacional. Faleceu em 23 de outubro de 1867.
  2. Esta medalha apresenta no verso o busto de D. Pedro II e a legenda – Protetor das artes e da indústria; no reverso a fachada da Escola Politécnica no dia da inauguração da Exposição Nacional. Acima do edifício lê-se: Exposição Nacional. – Decreto imperial de 17 de julho de 1861. abaixo: Inaugurada no Rio de Janeiro a 2 de dezembro de 1861.
    É uma das melhores medalhas gravadas na casa da moeda.

Fonte

  • Azevedo, Manuel Duarte Moreira de. O Rio de Janeiro: Sua História, Monumentos, Homens Notáveis, Usos e Curiosidades. Rio de Janeiro: B. L. Garnier, 1877. 2 v. (É a segunda edição do "Pequeno Panorama" 1861-67, 5 v.).

Imagem destacada

  • Museu Nacional no Campo da Aclamação, de P. G. Bertichem. Lithographia Imperial de Eduardo Rensburg Rio de Janeiro , 1856.

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