Igreja de Nossa Senhora das Mercês e Misericórdia em Ouro Preto

Freguesia do Ouro Preto (Mercês de Cima) – Século XVIII

De facílimo acesso, junto à Praça da Independência, em pleno coração da Cidade.

Singela, de agradável impressão, quer interna ou externamente. Muito cuidada.

Primitivamente, corpo principal, sem torre e sineiras, lembrando as Capelas do Minho e Douro.

Há quem o afirme ser a Igreja das Mercês e Misericórdia do risco de um dos escravos de Mestre Aleijadinho, talvez do Maurício, que era seu meeiro.

A tarja externa (armas) foi arrematada ou executada por Manoel Gonçalves Bragança que recebeu em paga 46 oitavas de ouro.

Abaixo dela soberbo pórtico em pedra sabão, esculpido, coroado por artístico conjunto representando a Virgem com os braços abertos, estendendo seu manto de proteção aos cativos dos mouros, segundo o sonho de São Pedro Nolasco, fundador da Ordem (Edgard Falcão – Relíquias da Terra do Ouro).

Semelhante escultura por muitos é atribuída ao Mestre Aleijadinho.

José Mariano Filho baseado em análise técnica a inclui entre as oito portadas, segundo ele desenhadas por Antônio Francisco Lisboa para os templos mineiros.

A Irmandade das Mercês foi fundada em 1740 na Capela de São José dos Pardos de Vila Rica, onde funcionou até 1771, quando pediu ao Senado um terreno para a feitura de sua Capela, no sítio onde era o pasto da Cavalaria da Capitania.

O fiscal informou negativamente, o pedido dos pretos-crioulos que se justificaram, assim, proceder por achar-se a Irmandade coagida pelos pardos da Capela do Senhor São José da Vila Rica.

Não se conformando com a negativa, renovaram o pedido, conseguindo eles a concessão do terreno que dava frente para a rua Nova (1773).

Levou cerca de 60 anos a ser construída e quando, quase terminada, uma de suas paredes laterais ameaçou ruína.

Recomposta, sobrepuseram-lhe a torre com sineiras, há mais de 100 anos (1830).

Os altares laterais são da autoria de Gregório Mendes Coelho, carpinteiro da época.

Desconhece-se de quem seja a autoria do Altar-mor, embora antigo.

As folhas da porta principal vieram da Igreja de S. Francisco de Assis de Vila Rica vendidas pelo Padre Gomes José dos Reis Coutinho.

Há neste templo, uma antiga Ceia dos Apóstolos, em tamanho natural, armada durante a Semana Santa. Não se lhe sabe o autor, se bem que os traços deixados nas figuras muito relembrem o traço característico da escola de Mestre Aleijadinho, não sendo demais admitir-se ter sido ela obra de discípulos seus.

É uma Irmandade de Pretos, e inda hoje o é, com a louvável documentação de que sua Mesa é esforçadíssima, zelosa e conservadora das tradições da velha Irmandade.

Fonte

  • Ruas, Eponina. Ouro Preto: Sua História, Seus Templos e Monumentos. 3ª ed. Minas Gerais, 1964. 249 p.

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