Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição do Antônio Dias em Ouro Preto

(Séculos XVII e XVIII – Freguesia do Antonio Dias)

(Ouro Preto)

Situada no bairro do Antônio Dias, é de facílimo acesso, em pleno centro do arraial.

Nos primórdios do século XVIII existia no local da atual Matriz da Conceição, uma Capela criada por ordem do bispo do Rio de Janeiro, Frei Francisco de São Jerônimo (1705), Capela que em 1707 foi retelhada, pagando-se o custo do serviço com 10 oitavas de ouro retiradas do rendimento da Freguesia.

“Era a Matriz Velha da Conceição que foi muito maior que a sua coeva do Pilar” (Diogo de Vasconcelos – Obras de Arte).

Outorgado o título de freguesia colativa pela carta régia de 16-2-1724, passou-se à feitura da nova Matriz.

Existe, ainda, no rês do chão da atual Matriz, uma escadaria que parece ter sido a da entrada principal do primitivo Templo, pois que era de praxe a rua Direita sempre desembocar à frente das Igrejas e, também, em 1727 e 29, foram efetuados enterramentos de escravos, entre outros, os de Manoel Francisco Lisboa, pai do Mestre Aleijadinho, no adro da Matriz.

Por informação fidedigna, sabe-se que, no local onde existe o atual jardim, existia a casa do Sacristão, o que vem documentar ter sido a Velha Matriz de frente para a rua Direita (atual Bernardo de Vasconcelos).

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Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição do Antônio Dias em Ouro Preto

Emergindo em pleno centro do casario colonial que, em sua parte posterior, a afoga, ergue-se a Matriz da Conceição do Antônio Dias, com suas torres quadrangulares, dominante, alta, grandiosa e ampla.

As suas obras, iniciadas em 1727, estenderam-se por vários anos.

Vinda do risco do engenheiro Pedro Gomes Chaves, teve por construtor Manoel Francisco Lisboa, pai do Mestre Aleijadinho que, em 1733, recebe 200 oitavas de ouro pelo custo do caixão da Igreja e em 1739-40, mais 300 oitavas pela entrega do forro da Sacristia.

Os trabalhos de talha, preciosos que são, os da Capela-mor, foram contratados por Felipe Vieira.

A primeira pauta da Irmandade da Conceição, data de 1725-26 e a da Irmandade do Santíssimo de 1717.

A Matriz da Conceição, exteriormente, é o maior templo da cidade, assentando-se em alicerces gigantes de 1,35 de grossura, “tendo sido em sua primeira fase, de pau a pique e folhas de palmito; depois, telhas, pedra e barro, e finalmente, alvenaria” (Diogo de Vasconcelos – Obras de Arte).

No acrotério – uma cruz no centro de uma meia lua. É o emblema da Conceição.

A Cruz tendo aos pés a meia lua, significa o domínio dos cristãos sobre os mouros por proteção da Virgem Maria.

Internamente: oito altares laterais, dourados, decorados, entalhados e muito trabalhados.

Apresentam “preciosas decorações em talha colorida, de que felizmente ainda nos restam alguns bons exemplares, escapos à douração profusa do século XVIII e aos cupins e retoques arbitrários do XIX. Esses altares constituem pelo objetivo das concepções, verdadeiras obras primas onde se podem ler como edificações, as mais belas lições da mística cristã, através da simbolística que, depois de vir da antiguidade, desenvolveu-se no românico e no gótico, juntando-se as duas formas no barroco para quase desaparecer na pobreza de motivos religiosos dos estilos das igrejas contemporâneas”. (A. Lima Júnior – Revista Sphan – Tomo 2 – págs. 107).

O Altar-mor, porém, foge à regra, é de maior simplicidade, apresentando por único ornato nos caracóis do fuste das grandiosas colunas retorsas, vergônteas e rosas.

Nos detalhes dos altares laterais na Matriz da Conceição do Antônio Dias, o Sacrário apresenta o Símbolo Eucarístico de Jesus, o livro – a inteligência, a divindade e a Cruz – o martírio, a redenção.

São dignas de menção, as duas pias de água benta, à entrada principal, em pedra sabão, artisticamente trabalhadas, com suporte atlântico.

As grandiosas colunas retorsas do altar-mor, são reproduções das de São Pedro em Roma.

A profusão de adornos da antiguidade clássica se juntam os românicos e góticos, monstros simbólicos bíblicos e animais fantásticos visigodos.

Na Matriz da Conceição do Antônio Dias, a eça é suportada por monstros góticos.

1.º altar à direita:

Sob a invocação de Nossa Senhora da Boa Morte. Reza a tradição ter sido o primeiro altar vindo da Igreja do Bom Sucesso, aliás, apresenta traços que o confirmam, nele se vendo a tarja da Santíssima Trindade, belissimamente trabalhada. Logo abaixo Nossa Senhora da Assunção e mais abaixo Nossa Senhora do Parto. Lateralmente, as imagens de São Joaquim e São Braz.

Ao centro, em baixo, o sepulcro de Nossa Senhora da Boa Morte com Sua Imagem.

No fundo, vêm-se as esculturas em alto relevo, doiradas, dos Santos Apóstolos.

É este altar um dos mais ricos em símbolos e decorações. As aves que nele se vêm, simbolizam a ressurreição para a vida eterna.

Na sepultura, ao pé deste altar, jazem os ossos de Mestre Aleijadinho.

1.º altar à esquerda:

Sob a invocação de São José – logo abaixo São Francisco de Assis. Nos nichos laterais, São Domingos de Sávio e Santa Apolônia. Encimando o altar, a tarja de São José – tarja de carpinteiro.

2.º altar à direita:

Sob a invocação de Nossa Senhora do Rosário e São João Batista. Nos nichos: São Roque e São Francisco de Paula.

2.º altar à esquerda:

Sob a invocação de São Sebastião e São Luiz Gonzaga. Santo Amaro mais abaixo.

3.º altar à esquerda:

Santo Antônio, Senhora Sant’Ana e Nossa Senhora.

3.º altar à direita:

São Gonçalo e Santa Luzia, mais abaixo Santa Rita de Cássia.

Este altar era o único que não sofrera douramento recente, e por isto ressaltava-lhe o doirado velho.

4.º altar à direita:

Sob a invocação das Almas. Altar em tudo semelhante ao precedente, parecendo serem ambos do mesmo autor.

4.º altar à esquerda:

Nossa Senhora Aparecida e Santa Terezinha.

Arco Cruzeiro – De cantaria com capitel trabalhado, pintado e doirado (frisos). Encimando-o rica tarja do Santíssimo Sacramento.

Capela-mor – Teto ricamente moldurado e trabalhado, apresentando rico medalhão, ao centro, com o Santíssimo Sacramento carregado por querubins.

A Custódia, ricamente doirada, em relevo, o medalhão ornado por frisos doirados. Trabalho lindo, riquíssimo, nele se vendo representados, simbolicamente, a Eucaristia, o Vinho e a hóstia.

Nos quatro ângulos do retângulo os Evangelistas, pinturas de autor desconhecido, ladeando este retângulo, em moldura ricamente trabalhada, doirada, nos quatro cantos extremos, outros medalhões menores – são os quatro Doutores da Igreja.

Tanto no Coro como nas tribunas balconadas, em a nave da Igreja e nas tribunas da Capela-mor ou do Santíssimo, encontra-se belíssima balaustrada de jacarandá preto.

Lateralmente, nas paredes, trabalhos de entalhes, com tarjas simples e entre estes, medalhões ovais com pinturas de São Tomaz de Aquino, São Pedro, São Francisco de Sales e São Paulo.

Altar-mor:

Entalhado em madeira, ostenta a linda imagem da Virgem da Conceição, teto em ressaltos, lindamente trabalhado. Lateralmente, as imagens de São João Nepomuceno e Santa Bárbara.

“O tímpano do Altar-mor expressa além da Coroa do Padroado régio, o símbolo da realeza de Cristo apresentado sob a forma de Fênix pousada sobre o Globo. A torre onde apoia o Globo regenerado pela realeza de Cristo é a Torre de David, das profecias sobre a Imaculada Conceição”. (A. Lima Júnior – Revista Sphan – Tomo 2).

A tarja do tronco representa a Arca de Noé. O frontal é todo em cantaria.

Ao seu lado, duas credências datadas de 1742, arribas muito bem trabalhadas.

O piso da Capela-mor e de toda a Igreja, em madeiramento, já tendo, no entanto, sofrido reparos, apresenta, ainda, a numeração primitiva.

Os lustres são antigos e bem conservados.

Consistório:

Amplo, apresentando um altar antigo com a imagem da Virgem da Conceição, Coração de Jesus, Nossa Senhora do Rosário e São João Evangelista.

No corredor lateral à esquerda da Capela-mor vê-se uma grande cômoda, antiga, de jacarandá preto com gavetões e armários, e, em sua parte central, um grande armário.

Trás o grupo um belo conjunto e guardava, em sua parte central, a urna com os restos mortais de Marília de Dirceu, hoje no Museu da Inconfidência.

Têm boas alfaias e rica prataria antiga a Matriz de Nossa Senhora da Conceição do arraial do Antônio Dias de Vila Rica.

Fonte

  • Ruas, Eponina. Ouro Preto: Sua História, Seus Templos e Monumentos. 3ª ed. Minas Gerais, 1964. 249 p.

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