Pontes de Ouro Preto

Ouro Preto, primitivamente Vila Rica, assenta-se em contrafortes na vertente oriental da Serra do Espinhaço sob o olhar dominador do Itacolomi de onde dista cerca de 12 kms.

Edificada sobre quatro grandes bacias, ligadas por pontes, entre cerros e vales, é cidade única na sua acidentada topografia.

Metrópole mais beiroa que minhota, nove grandes pontes ligam entre si suas íngremes e tortuosas ruas, enquanto que onze outras menores formam com as maiores o conjunto geral da Cidade.

Dos primitivos povoados, desceram os habitantes à procura da água que abundava nas baixadas, advindo as pontes por necessidade inadiável.

Projetadas quase todas pelo engenheiro José Antônio Ribeiro Guimarães guardam estas velhas pontes reminiscências saudosas de um passado festivo.

Povo eminentemente católico em quase todas as pontes ergue-se um cruzeiro e, antigamente, era costume reverenciá-lo, rezando-se aos seus pés, no mês de Maio, o Ofício de Santa Cruz, por um coro de irmãos devotos, seguindo-se música, farta iluminação, fogos de artifício, etc.

As ruas se engalanavam, enfeitadas com arcos de bambus e lanterninhas multicolores, o que trazia um cunho especial à festividade.

E o povo acorria, satisfeito e alegre, a homenagear a Santa Cruz, repetindo o seu culto a todas as cruzes veneradas nas pontes.

Tornava-se assim maio, um mês alegre e festivo, onde a Mocidade se encantava ante o espetáculo de Fé transmitido de geração em geração.

De todos estes festejos perdura hoje, somente o Ofício celebrado a 3 de maio na Ponte do Antônio Dias e a que (irreverência humana, para humilhação e revolta dos verdadeiros Ouropretanos e dos que realmente estimam e respeitam a sua Terra e as suas tradições), chamam de “festa do amendoim”…

Das pontes maiores citam-se:

Contos – por estar contígua à Casa dos Contos. É a mais central, construída entre 1744-45. Foi seu construtor Antônio Leite Esquerdo e o seu risco veio de Portugal. É a antiga Ponte Grande de São José.

Rosário – Situada hoje em bairro de igual nome, outrora designado Caquende, sobre o córrego do Ramos.

Xavier – assim chamada por localizar-se perto do prédio onde habitava Xavier, hoje Santa Casa de Misericórdia.

Barra – é a mais recente datando de 1806. Acha-se sobre o córrego do Funil e em terrenos doados a Antônio Dias. A primitiva foi arrasada por uma tromba d’água pelo ano de 1760 e poucos.

Palácio Velho – junto ao Palácio Velho, na Encardideira, famosa e riquíssima mina de ouro. Atravessa-a o córrego do Sobreira vindo do arraial dos Paulistas, de onde saíram arrobas de ouro para a Real Coroa.

Antônio Dias – É a mais ampla e artística da Cidade em dois vãos. Conhecida, também, por ponte de Marília ou dos Suspiros.

Estação – recente, datando da construção do edifício da Central do Brasil, acha-se sobre o Funil. Existia em seu local uma grande lagoa que foi aterrada, gastando-se com esse aterro 14 contos de réis.

Pelas suas margens trilharam os Inconfidentes a fim de galgarem a Casa que lhes fica a cavaleiro na encosta, depois designada como “Casa dos Revoltosos”.

Seca – É o ponto de ligação entre o Rosário atual e a Rua da Glória. Interessante é que as águas das enxurradas, elas próprias, tomam sua direção, desaparecendo.

Padre Faria – É antiquíssima, vem dos primeiros tempos.

Em arco romano contam-se:

A Ponte dos Contos, Rosário, Barra (a grande), Antônio Dias, Palácio Velho, Padre Faria e José Vieira.

Das pontes menores em número de 11:

Passadez de baixo – Assim chamada por serem frequentes os ataques aos viandantes que por ali passavam, resultando que para se precaverem nunca o faziam menos de 10 pessoas. Situa-se junto ao Instituto Barão de Camargos, além do bairro das Cabeças.

Devido ao grande movimento de mineração nos arredores de Vila Rica, os escravos fugidos de seus Senhores pelo mau passadio e pelos horrores sofridos, arregimentavam-se em quilombos e atacavam os viandantes para roubar-lhes víveres, enfim o que pudessem.

Ficaram célebres os quilombos do Trino e Caxambu, próximos de Ouro Preto, além de outros mais afastados que abrigavam terríveis quadrilhas de assaltantes.

Ninguém viajava senão em grandes caravanas, numerosas e armadas, pois que o direito era o do mais forte…

Os negros fugiam e congregavam-se em quilombos, escapando do poder e dos maus tratos de seus Senhores. Se pego depois, era o preto escravo marcado a ferro em brasa. E se reincidente na fuga, e pego novamente, decepava-se-lhe uma orelha. Eram as ordens régias de então. Alvará de 3-3-1741 (Efemérides Mineiras – Tomo II, pág. 275 – Xavier da Veiga).

Água Limpa – Duas pontes nos seus limites extremos de rua.

Pilar – Uma das mais antigas da Cidade, junto à ladeira de igual nome ou dos Caldeireiros. Data de 1757.

Lages – a primeira logo no começo, confrontando com a pedreira; a segunda, logo adiante, no início da segunda pedreira, (atualmente não em exploração); a terceira, próxima ao terceiro lance da pedreira; a quarta, próxima à Casa dos Motas.

Barra – uma de tabuado sobre o córrego do Antônio Dias, ligando a Barra propriamente à Rua das Dores, hoje Dr. Serafim.

José Vieira – No extremo da Cidade, em arco romano, confrontando com a Capela do Padre Faria, e situada no começo da estrada para Mariana.

Encardideira – uma – no bairro de igual nome no Antônio Dias.

Fonte

  • Ruas, Eponina. Ouro Preto: Sua História, Seus Templos e Monumentos. 3ª ed. Minas Gerais, 1964. 249 p.

Imagem destacada

  • Ponte de Antônio Dias em Ouro Preto. Conhecida, também, por ponte de Marília ou dos Suspiros.

Mapa