Avenida Central

A AVENIDA Central foi construída pelo Governo Federal, sob a direção do engenheiro André Gustavo Paulo de Frontin. A Municipalidade não podia meter ombros a tal iniciativa: rasgar uma Avenida de 1.800 metros através de 18 ruas apinhadas de habitações e estabelecimentos que, por estarem no centro comercial, representavam propriedades de imenso valor.

Os trabalhos de abertura do novo logradouro tiveram início no dia 26 de fevereiro de 1904, com o destelhamento do primeiro prédio, que tinha o n.º 25 da já então chamada rua do Acre; a 8 de março, efetuou-se a cerimônia oficial do início das obras, com a demolição das primeiras casas; em junho, iam tão adiantados os serviços que já se fazia sensível a falta de luz, à noite, porque, com o arriar dos prédios, haviam se reduzido os combustores da iluminação pública; em julho foi franqueado ao público o primeiro trecho, da Prainha (atual Praça Mauá) à Rua do Ouvidor; em setembro, estava completamente rasgada em toda a sua extensão e assentados trilhos, ao longo do seu eixo, para o serviço de remoção do entulho, pela Companhia Ferro- Carril do Jardim Botânico, e, em fevereiro de 1905, já demolidas todas as casas, procedeu-se ao nivelamento do terreno.

No dia 25 de março, os Comendadores Antônio e Francisco Jannuzzi inauguraram o primeiro edifício que ali construíram (onde é hoje a Tabacaria Londres); a 1.º de outubro, ergueu-se o primeiro dos 55 postes de iluminação elétrica e plantou-se a primeira árvore de pau Brasil, e, a 5 de novembro, iniciou-se o calçamento, a mosaico, dos passeios laterais, trabalho esse feito por operários mandados vir expressamente de Lisboa.

Finalmente, no dia 15 de novembro de 1905, após vinte meses, foi solenemente inaugurada pelo Presidente da República, Dr. Francisco de Paula Rodrigues Alves, e entregue ao tráfego público. Já existiam 10 prédios ocupados, 2 vagos e 56 em construção, e apenas 4 lotes de terreno por vender.

Library of Congress Prints and Photographs Division – Avenida Rio Branco (entre 1909 e 1919).

A área desapropriada para abertura da Avenida, inclusive ruas e logradouros públicos, atingiu a 131.400 metros quadrados. Dessa superfície, 59.400 metros correspondem à parte central, destinada aos veículos; 10.800 aos passeios arborizados; 18.000 às calçadas, e o resto a edificações e prolongamentos de diversas ruas. Só a extensão ou desenvolvimento de fachadas sobre a Avenida atingiu a mais de 3.000 metros lineares.

Foram arrasadas duas abas de morro e desapropriados cerca de 650 prédios. Toda essa massa de prédios foi demolida sem motivar uma única reclamação nos tribunais.

Conta o historiador Ferreira da Rosa que a Avenida Central teve esta denominação por não terem consentido que lhe fossem dados os seus nomes, nem o Dr. Rodrigues Alves, nem o Dr. Lauro Müller, então Ministro da Viação. Tomou a atual denominação de Avenida Rio Branco no dia 10 de março de 1912, data do falecimento do Barão do Rio Branco.

Na fotografia destacada, vê-se o quarteirão compreendido entre as ruas São José e Assembleia e, mais adiante, o torreão do antigo edifício do “O País”, primeiro matutino que se instalou na Avenida. O “arranha-céu” do “Jornal do Brasil” não havia sido ainda construído. A segunda fotografia, da Biblioteca do Congresso dos EUA, mostra a Avenida Rio Branco entre 1909 e 1919.

O prédio de quatro pavimentos na esquina da Rua São José, onde funcionou o magazin “A Exposição”, foi recentemente destruído por incêndio. O prédio contíguo, de cinco pavimentos, é a Tabacaria Londres. Consta que o respectivo terreno custou 20 contos e a construção 138.

Fonte

  • Dunlop, Charles Julius. Rio Antigo. 3ª Tiragem ed. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1963. (Composto e impresso na Gráfica Laemmert, Ltda.).

Texto original

Mapa da Avenida Rio Branco