Caixa de Amortização

A CAIXA de Amortização, criada pelo Decreto n.º 9.370, de 14 de fevereiro de 1885[1], tem por finalidade o pagamento dos juros, amortização e resgate dos títulos da dívida pública fundada, e a emissão, troco, substituição e resgate do papel-moeda.

No dia 15 de novembro de 1906, foi solenemente inaugurado o seu edifício, mandado construir pelo Ministro da Fazenda, Dr. José Leopoldo de Bulhões Jardim, na Avenida Central (hoje Rio Branco), esquina da Rua Visconde de Inhaúma.

A solenidade revestiu-se de grande imponência. Desde 1 hora da tarde, cerca de 6.000 pessoas se aglomeravam nas cercanias do novo prédio. Às 2 horas, chegou o Presidente da República, Dr. Francisco de Paula Rodrigues Alves, acompanhado do chefe de sua Casa Militar, General Sousa Aguiar, e de seu filho Dr. Oscar Rodrigues Alves, sendo recebido pelo Ministro da Fazenda, membros da Junta Administrativa da Caixa, senadores, deputados e muitas outras pessoas gradas, entre as quais se notava o Cardeal D. Joaquim Arcoverde, Marechal Hermes da Fonseca, Srs. Lauro Müller, Paulo de Frontin, Raymundo Corrêa, Sarandy Raposo, André Cavalcanti, Pires do Rio, Daniel Henninger, Aarão Reis, Herbert Moses, Juvenal Murtinho Nobre, Miguel Calmon, Graça Couto, Conrado Niemeyer, Barão de Tefé, professores Morales de Los Rios e Rodolfo Bernardelli, Barão de Ibirocaí, etc.

Ao som do Hino Nacional, o engenheiro Couto Fernandes fez descer o enorme pano que cobria a fachada do edifício, seguindo-se uma prolongada salva de palmas.

Logo após, o Chefe de Estado visitou todo o prédio, desde o andar térreo até ao terraço.

Voltou, depois, ao salão nobre, onde foi servido magnífico “lunch”. O salão estava repleto de convidados e vistosamente ornamentado de flores e folhagens.

Ao champanhe, houve troca de brindes, sendo os Drs. Rodrigues Alves e Leopoldo de Bulhões vivamente cumprimentados.

Findo o “lunch”, o Presidente da República dirigiu-se à sala de sessões da Caixa e tomou assento na cabeceira da mesa, tendo, à sua direita o Cardeal Arcoverde e à esquerda o Ministro da Fazenda. Seguiam-se os membros da Junta Administrativa, Srs. Oliveira Coelho, Barão de Águas Claras, Xavier da Silveira e Ubaldino do Amaral.

O Ministro leu a ata de inauguração do edifício, que foi assinada pelas pessoas acima referidas. Usou, então, da palavra o Dr. Oliveira Coelho.

Depois, desceram todos ao andar térreo, onde está instalado o forno-crematório, e aí assistiram à incineração de 2.000 contos de réis de papel-moeda recolhido.

Às 4 horas da tarde, retirou-se o Presidente da República, entre aclamações delirantes da multidão que o aguardava cá fora, na Avenida.

O edifício da Caixa de Amortização, cuja pedra fundamental foi lançada no dia 30 de março de 1905, consta de três pavimentos, em estilo rigorosamente clássico. O projeto foi elaborado no escritório técnico da Comissão Construtora da Avenida Central, pelo engenheiro Gabriel Junqueira.

A fotografia é de maio de 1907. O logradouro em frente é a Rua Visconde de Inhaúma. Ao fundo, vê-se a igreja de Santa Rita de Cássia, construída no começo do século XVIII. A fotografia destacada mostra o edifício da antiga Caixa de Amortização. Hoje, no local, funciona o Departamento de Meio Circulante (Mecir) e o dístico “Caixa de Amortização” foi substituído por “Banco Central do Brasil”.

Nota do editor

  1. Decreto nº 9.370, de 14 de fevereiro de 1885 Dá novo Regulamento á Caixa de Amortização — Hei por bem, de conformidade com o art. 8º, n. 1, da Lei n. 3229 de 3 de Setembro de 1884, Dar á Caixa de Amortização o novo Regulamento, que com este baixa, assignado por Manoel Pinto de Souza Dantas, Conselheiro de Estado, Senador do Imperio, Presidente do Conselho de Ministros, Ministro e Secretario de Estado dos Negocios da Fazenda e interino dos Negocios Estrangeiros, que assim o tenha entendido e faça executar.

Fonte

  • Dunlop, Charles Julius. Rio Antigo. 3ª Tiragem ed. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1963. (Composto e impresso na Gráfica Laemmert, Ltda.).

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