Caminho Aéreo do Pão de Açúcar

A concessão para a construção e exploração de um caminho aéreo entre a antiga Escola Militar, na Praia Vermelha, e o alto do morro da Urca, com ramais para o pico do Pão de Açúcar e a chapada do morro da Babilônia, foi outorgada pelo Decreto Municipal n.º 1.260, de 29 de maio de 1909, ao engenheiro Augusto Ferreira Ramos e outros.

A 30 de julho, assinou-se na Prefeitura o respectivo contrato, para execução da gigantesca obra ideada pelo comendador Fridolino Cardoso.

“Não faltaram sorrisos incrédulos – informa Noronha Santos – para sublinhar a notícia que se espalhara, de que engenheiros nacionais, com operários nossos e com capitais reunidos no país, constituíam a grande empresa brasileira, a cuja frente estava um núcleo de patriotas”.

As obras do Caminho Aéreo do Pão de Açúcar tiveram início em fins daquele mesmo ano de 1909, prosseguindo ativamente. Guindastes gigantescos foram montados à base do morro, enquanto que centenas de operários, realizando perigosas escaladas, se incumbiam do transporte do material.

No dia 25 de outubro de 1912, após esforços inauditos na arrojada construção, inaugurou-se o primeiro trecho, da base do morro da Babilônia ao alto da Urca, e a 18 de janeiro do ano seguinte, deste ponto ao pico do Pão de Açúcar, a 395 metros de altitude.

A distância horizontal do primeiro trecho é de 575 metros, e a do segundo, 830 metros.

Os carros, suspensos por dois cabos, um ao lado do outro, transportam normalmente quinze passageiros, mas contêm lugares para vinte.

Bondinho chegando ao Pão de Açúcar

Esses cabos – denominados “cabos-trilhos” – têm um diâmetro de 44 milímetros e são constituídos por quase 100 fios de aço enrolados, de modo a manter sempre lisa a superfície, evitando assim o atrito. Sua resistência à ruptura está calculada para 180 toneladas, e a durabilidade é de aproximadamente 45 anos.

Os carros, cuja velocidade é de 2 ½ metros por segundo, são acionados por outro cabo também de aço, mas de menor resistência, denominado “cabo-tração”, posto em movimento por um sistema de polias movidas a eletricidade.

O trajeto da estação inicial à do morro da Urca dura cerca de 4 minutos. Aí, os passageiros baldeiam para outro carro, que faz a ascensão até ao alto do Pão de Açúcar em 5 minutos.

No dia 14 de julho de 1913, mestre Vieira Fazenda viajou no Caminho Aéreo, Nunca mais – disse ele – se me apagará da memória tal data, uma das mais felizes da minha não curta existência. Entrei tranquilo no bonde aéreo. Não me benzi! A pequeno sinal, começaram a funcionar as máquinas. Em menos de quatro minutos estávamos no cimo da Urca, a 224 metros de altura. Magnífico panorama! Passamos para outro bonde e eis-nos, enfim, no termo da viagem. Se do Corcovado a vista abrange maior horizonte, o Pão de Açúcar leva-lhe vantagem. Sem binóculo, a gente com facilidade localiza os pontos que deseja ver: sinuosidade das praias, direção das ruas e avenidas, estabelecimentos públicos, tudo, enfim, com prazer e entusiasmo. Fica-se mudo e quedo diante de tanta magnitude. Cronista das coisas cariocas, do píncaro do Pão de Açúcar tive a satisfação de ver corroboradas as minhas opiniões sobre a fundação da cidade do Rio de Janeiro. Hoje já não é lícito falar em Praia Vermelha. Foi na planície, tendo por padrasto o Pão de Açúcar e por atalaia o morro hoje de São João, que Estácio de Sá lançou os alicerces da cidade dedicada a São Sebastião. Quem dúvidas possa ter, que suba ao Pão de Açúcar. Na planície, junto ao morro de São João, deve ser levantado o monumento comemorativo desse fato primordial da nossa história local.

A fotografia O cartão postal de A.Ribeiro mostra o Caminho Aéreo, pouco depois da sua inauguração, em 1912. À direita, junto à estação da Urca, vê-se o comendador Fridolino Cardoso. A fotografia mostra o bondinho chegando ao Pão de Açúcar.

Fonte

  • Dunlop, Charles Julius. Rio Antigo. 3ª Tiragem ed. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1963. (Composto e impresso na Gráfica Laemmert, Ltda.).

Texto original

Mapa

Morro da Urca e Pão de Açúcar