Casa da Moeda

TRANSFERIDA da Bahia para o Rio de Janeiro, começou a Casa da Moeda a funcionar aqui, no dia 17 de março de 1699, instalando-se no prédio da antiga Junta do Comércio, na Rua Direita (onde hoje se ergue o edifício do Centro Cultural Banco do Brasil).

Depois de doze meses, foi transferida para Pernambuco, voltando novamente para o Rio de Janeiro, em 1703, onde aqui continua até nossos dias.

Nesta cidade de São Sebastião, andou por vários lugares, inclusive junto à Casa dos Governadores (depois Paço Imperial; hoje depois Departamento dos Correios e Telégrafos, e agora novamente Paço Imperial na praça Quinze de Novembro) e, em 1817, no prédio do Erário Régio (antigo Tesouro Nacional, na Avenida Passos).

Mas, como nesse prédio não havia espaço suficiente para as oficinas, tratou o Governo de levantar um amplo edifício, próprio para o fabrico das moedas, “digno da riqueza da nação e digno da capital do Império”. Nesse sentido, o Ministro da Fazenda, Visconde de Itaboraí, apresentou à Assembleia Legislativa, em 1853, o plano e o orçamento das obras, que foram aprovados no ano seguinte.

No dia 2 de dezembro de 1858, realizou-se a cerimônia do lançamento da pedra fundamental do edifício da Casa da Moeda, tendo início a construção em fevereiro seguinte, quando também foram plantadas as onze palmeiras que lhe ficam defronte.

Situado na face ocidental da Praça da República, o Palácio da Moeda é um dos mais belos monumentos da cidade, por sua beleza e sólida construção. Foi orçado em 980 contos de réis, mas custou mais do dobro.

Casa da Moeda em 1866, via Coleção Thereza Christina Maria da Biblioteca Nacional

O edifício de dois pavimentos, cuja planta é de Teodoro Antônio de Oliveira, apresenta uma imponente fachada em estilo neoclássico, constando de um corpo central revestido de cantaria, dois torreões com três janelas em cada pavimento e dois corpos intermediários com quatro janelas em cada andar.

A Casa da Moeda mudou-se definitivamente para esse edifício em setembro de 1868. Antes disso, porém, de 19 de outubro a 2 de dezembro de 1866, os seus salões foram abertos para a Segunda Exposição Nacional de Indústria. Informa Gastão Cruls que despertou grande curiosidade entre os visitantes dessa exibição um enorme balão para observações estratégicas, que iria servir na guerra em que estávamos empenhados contra o governo do Paraguai, e para a feitura do qual, diziam, se consumira toda a seda existente no mercado do Rio.

Consta que, antigamente, os moedeiros não recebiam ordenado. Mas tinham outras vantagens, regalias e privilégios: eram considerados nobres; no caso de prisão, tinham cadeia privativa na Casa da Moeda; podiam portar armas de dia e de noite; estavam isentos do serviço militar; eles, suas mulheres e famílias podiam usar sedas; não pagavam impostos, fintas ou talhas; não podiam ser presos por dívidas; não se lhes “podiam tomar roupa, nem palha, nem cevada, nem galinhas, nem lenha ou outra qualquer coisa contra a vontade”; as viúvas “que estivessem em boa fama” depois da morte dos maridos moedeiros gozavam de todos os privilégios destes; e muitas outras honrarias e exceções. Consta, também, que o candidato a moedeiro prestava juramento de fidelidade, com um capacete de ouro na cabeça, e recebia três cutiladas que eram acompanhadas de palavras honoríficas.

A gravura mostra o majestoso edifício da Casa da Moeda, no fim do século passado (XIX). A fotografia destacada mostra a instalação atual do Arquivo Nacional, transferido em 2004, após um premiado processo de restauração, para o prédio onde funcionou a Casa da Moeda de 1868 a 1983. A segunda fotografia, da Coleção Thereza Christina Maria da Biblioteca Nacional, mostra a casa da Moeda em 1866.

Fonte

  • Dunlop, Charles Julius. Rio Antigo. 3ª Tiragem ed. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1963. (Composto e impresso na Gráfica Laemmert, Ltda.).

Texto original

Referência Externa

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