Casa dos Contos e Praça do Comércio

NO LOCAL onde hoje se ergue o edifício do Banco do Brasil, na Rua Primeiro de Março, existiram outrora dois prédios que encerram importantes recordações históricas: a “Casa dos Contos” e a “Praça do Comércio”.

O primeiro, situado na esquina da antiga Rua General Câmara (então Rua Velha do Sabão), foi adquirido pela Metrópole, no ano de 1699, para servir de residência aos Governadores da Capitania do Rio de Janeiro, que até então não tinham casa própria. Pouco antes, havendo falecido o provedor da Fazenda, Pedro de Souza Pereira, esta casa fora levada à praça para pagamento de dívidas, sendo arrematada pela Fazenda Real por 6.000 cruzados (cerca de Cr$ 2.400,00), tirados da renda do subsídio dos vinhos.

Praça do Comércio – Rua Direita, por P. G. Bertichem – Lithographia Imperial de Eduardo Rensburg, Rio de Janeiro, 1856.

Por ocasião da invasão francesa, quando Jean François Duclerc, juntamente com 600 soldados, foi encurralado no Trapiche da Cidade e aí se rendeu após violento combate (19 de setembro de 1710), a Casa dos Contos foi presa das chamas, por se ter incendiado o armazém de pólvora que lhe ficava próximo.

Reparada em pouco tempo, continuou como residência dos Governadores até 1743, quando Gomes Freire de Andrade, Conde de Bobadela, mandou construir o Palácio do Largo do Paço (atual Praça Quinze de Novembro), onde é hoje o Departamento dos Correios e Telégrafos Paço Imperial.

Passou, então, aquele antigo próprio nacional a abrigar o Erário Régio e a Junta Real da Fazenda. Daí o nome de “Casa dos Contos”, pois ali se recolhiam os cabedais da Coroa, importantes em avultados contos de réis.

Em 1815, transferindo-se o Erário para o novo edifício onde foi depois o Tesouro Nacional (Avenida Passos), foi a Casa dos Contos ocupada pelo primitivo Banco do Brasil até sua liquidação em setembro de 1829.

Mais tarde, ali também esteve o Correio e a Caixa de Amortização.

A Casa dos Contos foi demolida por volta de 1870. Era um casarão baixo, de dois pavimentos, com 12 janelas no sobrado e 4 portas e 4 janelas no andar térreo, onde havia um oratório mural que só servia no dia da procissão dos Passos.

Casa França Brasil e o prédio do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-RJ)

O outro prédio, a “Praça do Comércio” (ou melhor, a segunda Praça do Comércio, pois a sede da primeira fora no edifício da Alfândega Velha), foi construído onde tinha estado o Armazém do Selo. Aí se organizou a Sociedade dos Assinantes da Praça do Comércio e se ergueu, com o produto de subscrição promovida entre os negociantes desta cidade, a sede da nova Praça, solenemente inaugurada no dia 2 de dezembro de 1834, aniversário do Imperador D. Pedro II.

Constava o edifício de dois pavimentos, tendo à frente uma galeria com oito colunas dóricas, que sustentavam uma varanda orlada de grades de ferro.

Em 1867, os Assinantes da Praça do Comércio constituíram-se em “Associação Comercial do Rio de Janeiro” e, sendo pequeno aquele prédio, resolveram levantar no mesmo local um grande edifício, “digno da importância mercantil desta Capital”.

Foi, assim, demolida, em 1871, a velha Praça do Comércio.

A fotografia destacada mostra os dois históricos casarões da antiga Rua Direita. A gravura de P. G. Bertichem, de 1856, mostra a Praça do Comércio na Rua Direita (atual Primeiro de Março). A última fotografia mostra a Casa França Brasil e o prédio do Banco do Brasil na Rua Primeiro de Março, que abriga atualmente o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB RJ).

Fonte

  • Dunlop, Charles Julius. Rio Antigo. 3ª Tiragem ed. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1963. (Composto e impresso na Gráfica Laemmert, Ltda.).

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