Copacabana no Começo do Século (XX)

NO COMEÇO deste século (XX), a Companhia Ferro-Carril do Jardim Botânico, com o fim de atrair passageiros para o novo “arrabalde” de Copacabana, afixava à porta de suas estações grandes tabuletas, em que se liam anúncios como este:

“Quereis gozar de boa saúde? Ide a Copacabana. Bondes em quantidade”.

Ou então:

“Passeio agradável e refrigerante: Copacabana. Bondes até às 2 horas da manhã”.

Chovesse ou não chovesse, fizesse calor ou não, o cartaz assegurava:

“O luar é encantador, sendo as noites muito frescas, graças aos ares do alto mar”.

Havia, também, a propaganda impressa no verso dos cupons das passagens, que o carioca folgazão apelidara de “Conselhos de Higiene Poética”. Eis alguns desses versos pitorescos:

Copacabana, Rio de Janiero, Brazil – American National Red Cross photograph collection (Library of Congress) – 3 October 1921.
“Graciosas senhoritas, moços chiques:
Fugi das ruas, da poeira insana.
Não há lugares para piqueniques,
Como em Copa-ca-ba-na”.

“Noivos que o céu gozais em pleno juízo,
Almas que a mágoa nem de leve empana,
Quereis de vossas noivas no sorriso
Ler a maior felicidade humana?
Prometei-lhes morar num paraíso
Róseo – em Copacabana”.

“Viveis do sonho? Ide enlevar em cismas
A alma que em vossos corações se aninha;
Vereis a vida por estranhos prismas
Sobre os rochedos pardos da Igrejinha”.

“Ide a Copacabana
Espairecer sobre as areias lisas.
Ali, esquecereis da vida humana
O fel travoso, que rebaixa e dana,
Ao perpassar das salitradas brisas”.

“Ó pais que tendes filhos enfezados,
Frágeis, macilentos e nervosos,
Afastai-os da manga e da banana.
À beira-mar; Aos ares salitrados!
E eis de vê-los rosados e viçosos.
Para Copacabana!”.

Aquela “banana” como rima de “Copacabana” era de primeiríssima ordem. E todos indagavam quem era o “Poeta Desconhecido” que escrevia os versos dos cupons…

A fotografia destacada mostra Copacabana daqueles bons tempos, vendo-se, à direita, na esquina da Rua da Igrejinha (atual Francisco Otaviano) o restaurante-bar Mère Louise, de má reputação, que lembrava, exteriormente, um cabaré de filme do “far-west”. No local, ergue-se hoje o estúdio da TV-Rio Hotel Sofitel Rio de Janeiro Copacabana. A segunda fotografia, da coleção de fotografias da Cruz Vermelha Nacional Americana (Biblioteca do Congresso), mostra Copacabana em 1921.

Fonte

  • Dunlop, Charles Julius. Rio Antigo. 3ª Tiragem ed. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1963. (Composto e impresso na Gráfica Laemmert, Ltda.).

Texto original

Mapa – Bairro de Copacabana