Escola Nacional de Belas Artes

SÁBADO, 7 de abril de 1906, foi um dia de grande alegria para os cultores das belas artes e para todos quantos se interessavam pelo seu desenvolvimento e ensino entre nós. Naquele dia, depois de uma longa campanha que durou mais de dez anos, Rodolpho Bernardelli, o grande escultor, viu realizado o maior sonho de sua vida: a construção de um edifício condigno para a Escola Nacional de Belas Artes, de que era diretor. O velho e acanhado prédio da travessa das Belas Artes, em que se encontrava o estabelecimento, não mais atendia às necessidades do serviço e à acomodação dos quadros e estátuas.

Foi simples, mas significativa, a festa do lançamento da pedra fundamental do novo edifício. No vasto terreno de mais de 5.000 metros quadrados, situado na Avenida Central (hoje Rio Branco), em frente ao Teatro Municipal, levantou-se um-elegante pavilhão e, desde às 2 horas da tarde, já havia ali muitos artistas, amadores de arte, “smarts” e algumas senhoras. Conversavam, passeavam pelo terreno, descansavam no pavilhão, liam a inscrição da pedra fundamental e apreciavam e comentavam as reproduções expostas do magnífico projeto do professor Adolfo Morales de los Rios (pai).

Rodolpho Bernardelli era vivamente saudado por todos que vinham chegando. Comovido, agradecia os cumprimentos e, cofiando a barbicha, explicava pacientemente o projeto.

Às 3 horas, o Hino Nacional anunciou a chegada do Conselheiro Rodrigues Alves, Presidente da República, que veio acompanhado do Dr. J. J. Seabra, Ministro do Interior. Achavam-se no pavilhão, entre outras Ilustres personalidades, o Dr. Leopoldo de Bulhões, Ministro da Fazenda, Almirante Júlio de Noronha, Ministro da Marinha, Desembargador Espínola, Chefe de Polícia, Dr. Francisco Pereira Passos, Prefeito Municipal, Drs. Paulo de Frontin, João do Rêgo Barros, Castro Barbosa e o Barão de Ramiz Galvão.

Foram receber o Chefe de Estado o diretor da Escola e os professores Rodolpho Amoedo, Henrique Bernardelli, Cincinato Lopes, Zeferino da Costa, Benevenuto Berna, Eduardo Barbosa, Araújo Viana, Augusto Girardel, Barão Homem de Melo, Gastão Bahiana, Graça Couto e Morales de los Rios.

O Presidente da República subiu ao pavilhão e, depois dos cumprimentos de cortesia, foi-lhe mostrado o projeto do grandioso edifício. Elogiou o Presidente sua beleza arquitetônica, que representava uma esplêndida fantasia modernizada sobre o estilo Renascença.

A seguir, foi oferecida a S. Exa. uma caneta de ouro, com a qual assinou a ata de lançamento da pedra fundamental. Depois, desceu e foi assistir à cerimônia. Terminada essa formalidade, serviu-se aos presentes uma lauta mesa de doces.

O Ministro do Interior fez, então, a saudação ao Presidente da República, que agradeceu, felicitando vivamente os professores Rodolpho Bernardelli e Morales de los Rios.

Às quatro horas estava terminada a festa, tendo tocado duas bandas de música durante toda a cerimônia.

Na fotografia, veem-se o Presidente Rodrigues Alves, Ministros e demais pessoas gradas e, em baixo, no primeiro plano, de cartola, o professor Morales de los Rios.

Fonte

  • Dunlop, Charles Julius. Rio Antigo. 3ª Tiragem ed. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1963. (Composto e impresso na Gráfica Laemmert, Ltda.).
Escola de Belas Artes e Museu Nacional de Belas Artes

Com a República, a Academia de Belas Artes passou a chamar-se Escola Nacional de Belas Artes e foi transferida em 1908 para um monumento eclético na atual Av. Rio Branco, obra do arquiteto Morales de los Rios, onde hoje se encontra o Museu Nacional de Belas Artes.

Em 1975, a Escola de Belas Artes, já incorporada à Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi transferida para a Ilha do Fundão, para um prédio exemplar da arquitetura moderna, projetado por Jorge Moreira, onde permanece até hoje.

Fonte: Museu Dom João VI – Escola de Belas Artes – UFRJ.

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