Estrada de Ferro do Corcovado

Esta via-férrea parte da rua do Cosme Velho, nas Águas Férreas, sobe pelo lado direito do vale do Silvestre e à esquerda do morro do Inglês, transpõe o mesmo vale sobre um viaduto com três vãos de 25 metros cada um, cruza na cota de 218 metros o caminho da Carioca (Silvestre) e, vencendo por um grande corte o espigão que separa aquele vale do da Carioca, desenvolve-se pela encosta da margem direita do rio deste mesmo nome, atravessa dois outros vales secundários em pontes de 20 metros de vão cada uma, denominadas “Ponte das Velhas” e “Ponte das Caboclas”, atinge as Paineiras na cota de 465 metros, segue pelo dorso do Corcovado e, finalmente, atinge a cota de 670 metros, tendo o seu ponto terminal à esquerda do cume desse morro.

Trem do Corcovado chegando às Paineiras, na Floresta da Tijuca

Foi inaugurada no dia 9 de outubro de 1884, sendo então entregue ao público apenas o trecho compreendido entre o Cosme Velho e as Paineiras.

Assistiram ao ato Suas Majestades e Altezas Imperiais, acompanhados dos Ministros da Agricultura e da Guerra, Inspetor das Obras Públicas, Engenheiro-Fiscal da Estrada, representantes da imprensa, diretores da empresa e diversos convidados, inclusive senhoras.

As estações estavam vistosamente enfeitadas e era extraordinária a afluência de povo na do Cosme Velho. Nas Paineiras, várias pessoas a cavalo aguardavam o trem imperial.

Partiu este às 5 horas da tarde, conduzindo, além do Imperador D. Pedro II e sua augusta família, os Ministros de Estado, o Engenheiro-Fiscal e a diretoria da Estrada. Num segundo trem viajaram as senhoras e demais convidados.

A subida foi feita em 40 minutos, por causa do tempo necessário para as locomotivas tomarem água, pouco antes das Paineiras.

Depois de algum tempo de repouso nesta estação, dirigiram-se todos para o Hotel – também inaugurado nesse dia – onde Suas Majestades e Altezas aceitaram um copo d’água. Aí, o Dr. Francisco Pereira Passos, presidente da empresa, pronunciou algumas palavras, agradecendo a honrosa presença da Família Imperial àquela cerimônia.

Às 6 ½ regressou a comitiva, chegando os trens à estação do Cosme Velho às 7 horas da noite.

Decorrido menos de um ano, no dia 1.º de julho de 1885, foi definitivamente aberta ao tráfego toda a linha, até ao Alto do Corcovado.

“É singular a impressão que se sente – descreveu então o ‘Jornal do Commercio’ – quando o trem, depois de ter subido uma rampa de 30%, desemboca de repente numa planície que deixa avistar um panorama talvez único no mundo: ao longe, o mar em toda a sua grandeza; em baixo, um precipício de 600 metros de altura. Passado o primeiro momento, que é como de terror, começam a distinguir-se uma a uma as belezas e, quanto mais se fitam, mais se admiram. De repente, todo este panorama desaparece numa curva da estrada; o espetáculo agora é à esquerda, onde se avistam a cidade com suas casas, que não parecem ter mais de um metro de altura, e o porto, cheio de embarcações, que se diriam cascas de noz. Chega-se logo à estação terminal; sobem-se cerca de 40 metros a pé, e é então que o panorama se torna verdadeiramente imponente, descortinando-se todo o horizonte em redor”.

O custo total da E. F. do Corcovado foi de 656:396$723 e o do Hotel das Paineiras (edifício, móveis e utensílios), 55:594$850.

Feito audacioso da engenharia nacional, deve-se a construção dessa estrada – a primeira em todo o Brasil para atender a fins de turismo exclusivamente – aos Drs. Francisco Pereira Passos, João Teixeira Soares, Manoel José da Fonseca, Chaves Faria e Marcelino Ramos da Silva.

Fonte

  • Dunlop, Charles Julius. Rio Antigo. 3ª Tiragem ed. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1963. (Composto e impresso na Gráfica Laemmert, Ltda.).

Texto original

Mapa – Percurso e paradas do Trem do Corcovado na Cidade do Rio de Janeiro

Fonte: Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro – Data Rio

Licença: Licença Aberta para Bases de Dados (ODbL) do Open Data Commons