Exposição Nacional de 1908 – I

NASCEU de uma feliz inspiração de nossa imprensa a ideia de se promover a Exposição Nacional de 1908, comemorativa do centenário da emancipação comercial e industrial do Brasil.

Fora escolhido aquele ano para tal cometimento, porque fazia um século que, não só os nossos portos tinham sido abertos à navegação das nações amigas e aliadas da Monarquia Portuguesa, como também se permitira o estabelecimento de fábricas e manufaturas no país. Além disso, em 1808, foram criados tribunais e outros aparelhos destinados à distribuição da justiça; fundara-se o primeiro Banco, e se admitira a existência de imprensa no Brasil, aparecendo a “Gazeta do Rio de Janeiro”, estampada na Impressão Régia.

Bem aceita por todos os espíritos progressistas, a ideia adquiriu desde logo consistência, tendo o deputado paulista, Dr. Cardoso de Almeida, apresentado, em novembro de 1906, projeto autorizando o Poder Executivo a levá-la a efeito, promovendo para isso os meios que se fizessem necessários a que no grandioso certame tivessem representação condigna os elementos de riqueza e as forças produtoras do país.

Convertido o projeto em lei, baixou o Presidente da República o Decreto n.º 6.545, de 4 de julho de 1907[1], que aprovou as bases para a organização da Exposição. A seguir, instituiu a Comissão Executiva da Exposição Nacional, composta dos Srs. Dr. Antônio Olyntho dos Santos Pires, presidente; General Gregório Thaumaturgo de Azevedo, 1.º vice-presidente; Dr. Arthur Getúlio das Neves, 2.º vice-presidente; Dr. Antônio de Pádua de Assis Rezende, 3.º vice-presidente, e Conde Cândido Mendes de Almeida, secretário-geral.

Coube à Praia Vermelha, a que se prendem tantas e tão belas tradições nacionais, a honra de ser escolhida para teatro deslumbrante do certame.

Em breve, um formigueiro de operários, arquitetos e engenheiros (estes últimos com o Dr. Sampaio Corrêa à frente) ali trabalhava febrilmente, dia e noite, preparando o terreno com aterros e desaterros, adaptando edifícios já existentes, construindo pavilhões e reformando o antigo cais, na base do penhasco da Urca.

Poucos dias antes da inauguração, na manhã de 30 de junho de 1908, a convite do Dr. Miguel Calmon du Pin e Almeida, Ministro da Viação, o Presidente da República, Dr. Affonso Augusto Moreira Penna, acompanhado de sua esposa e filha, a gentil senhorita Dora, foi visitar as obras da Exposição.

S. Exa. percorreu o pavilhão central, onde já se encontravam arrumados vários produtos dos diferentes Estados que não tinham construído prédio próprio, e visitou os pavilhões federais e dos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Bahia, e também o de Portugal. Mereceu ainda sua atenção o elegante teatro, o cinematógrafo, o rinque de patinação, os restaurantes, a ponte que dava passagem para o lago interno e as demais dependências do grande certame. Retirou-se o Chefe da Nação pouco depois das 10 horas, bem impressionado com o andamento dos trabalhos.

O velho bairro da Praia Vermelha transmudara-se por completo. Toda a área compreendida entre o fim da Rua General Severiano e o antigo edifício da Escola Militar, onde pouca coisa havia a divisar, além do vasto casarão do Hospício Nacional de Alienados (hoje Universidade do Brasil), e a deserta Praia da Saudade, transformara-se, como por encanto, numa cidade, verdadeira fantasia das mil e uma noites!

A fotografia mostra o arco monumental, à entrada da Exposição, iluminado à noite com 8.000 lâmpadas coloridas. A imagem destacada mostra o Cartão Postal Exposição Nacional de 1908 – Rio de Janeiro – Porta Monumental – Vista de dentro da Exposição para fora.

Nota do editor

  1. Decreto nº 6.545, de 4 de julho de 1907 Approva as bases para organização de uma Exposição Nacional em 1908

Fonte

  • Dunlop, Charles Julius. Rio Antigo. 3ª Tiragem ed. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1963. (Composto e impresso na Gráfica Laemmert, Ltda.).

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