Exposição Nacional de 1908 – II

REVESTIU-SE da maior solenidade e brilhantismo a cerimônia da inauguração da Exposição Nacional, no dia 11 de agosto de 1908.

Desde a véspera, o trabalho no recinto do grande certame era ininterrupto. Ninguém dormira: os operários e empregados trabalharam continuamente; os engenheiros não tiveram um momento de descanso.

Anunciado que a partir de 1 hora da tarde seriam abertos os portões, desde cedo começou a chegada do povo, aglomerando-se na entrada.

Vieram depois os Ministros de Estado, altas autoridades civis e militares, membros dos Corpos Diplomático e Consular, senadores, deputados, etc.

Cerca das 2 horas, os clarins anunciaram a chegada do Presidente da República, Dr. Affonso Augusto Moreira Penna. Todas as bandas de música executaram a um tempo o Hino Nacional, e as baterias do Colégio Militar deram as salvas de estilo.

Recebido por todos os membros do Ministério e demais altas autoridades, dirigiu-se S. Exa. ao salão nobre do Palácio da Exposição, que se achava repleto. Aí, o Dr. Antônio Olyntho dos Santos Pires, presidente da Comissão Executiva do certame, saudou o Chefe da Nação, sucedendo com a palavra o Dr. Miguel Calmon du Pin e Almeida, Ministro da Viação.

Em seguida, o Dr. Affonso Penna declarou inaugurada a Exposição Nacional. Calorosas palmas ecoaram no salão, ao mesmo tempo que, lá fora, fez-se sinal com uma bandeira brasileira para o alto do Morro da Urca, de onde subiram ao ar grandes foguetões de dinamite, seguidos de 21 salvas das fortalezas e dos navios surtos no porto.

Após a cerimônia da inauguração, S. Exa. visitou os pavilhões, e às 5 horas da tarde retirou-se na sua carruagem.

À noite, parecia que a cidade inteira havia se deslocado para a Praia Vermelha. A multidão era incalculável. Barcas da Cantareira, bondes, carros e automóveis ali despejavam, de instante a instante, ondas de povo.

No recinto da Exposição, os restaurantes, bares, diversões de toda a ordem estavam repletos. Por todas as alamedas e jardins, como no interior dos pavilhões, viam-se milhares de pessoas num vaivém contínuo. Nos mastros dos pavilhões tremulavam flâmulas de cores variadas e a bandeira nacional.

O que mais impressionava, porém, era a iluminação. Havia mais luz e mais fulgor do que se fosse dia. A iluminação feérica foi, realmente, a grande nota sensacional da noite.

Às 10 horas começaram os fogos de artifício. Dezenas de foguetes subiram de um jato, iniciando-se então a queima dos fogos de maravilhoso efeito. Durante uma hora inteira foi uma sucessão de encantos intraduzíveis.

Causou também grande sucesso o cinematógrafo montado por Paschoal Segreto, que passou uma fita de vista geral da cidade do Rio de Janeiro, tirada do alto do Pão de Açúcar, pelo arrojado “operador-foto-cinematográfico” Emílio Guimarães.

Fonte

  • Dunlop, Charles Julius. Rio Antigo. 3ª Tiragem ed. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1963. (Composto e impresso na Gráfica Laemmert, Ltda.).

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