Festa da Árvore

A PRIMEIRA Festa da Árvore foi celebrada há pouco mais de meio século, num domingo, dia 12 de setembro de 1904, na Ilha de Paquetá.

Nesse dia, desde muito cedo, barcas da Cantareira, embandeiradas, para lá seguiram, de hora em hora, repletas de visitantes, atraídos pelo programa dos festejos.

Na nova barca “Visconde de Moraes” (inaugurada na véspera), embarcaram o Dr. Francisco Pereira Passos, Prefeito do Distrito Federal, os representantes do Presidente da República e dos Ministros da Justiça e da Agricultura, altos funcionários municipais, o Dr. Paulo Alves, Prefeito de Niterói, o Visconde de Moraes, presidente da Companhia Cantareira e Viação Fluminense, representantes da imprensa e grande número de senhoras e cavalheiros.

Ao chegarem à ilha, foguetes subiram ao céu, seguidos de uma salva de 21 tiros.

A poética Paquetá regurgitava de povo.

Poucos instantes depois, a barca atracava na ponte, sendo os ilustres visitantes recebidos por uma comissão de moradores, que os conduziu ao Clube de Paquetá, onde foi servido um “lunch”. Ao champanhe, fizeram-se ouvir vários oradores, erguendo o Sr. Castro Lopes o brinde de honra ao Presidente da República, Dr. Francisco de Paula Rodrigues Alves.

Em seguida, o Dr. Pereira Passos, acompanhado de sua comitiva, percorreu toda a ilha, visitando, nessa ocasião, o prédio em que residiu José Bonifácio.

A cerimônia do plantio das árvores realizou-se às 2½ da tarde, na Praça Bom Jesus do Monte, festivamente ornamentada e onde foram levantadas pitorescas barraquinhas de sortes e surpresas, leilões de prendas, refrescos, comestíveis, etc. A aglomeração de pessoas era enorme.

Igreja de São Roque em Paquetá
O Prefeito do Distrito Federal plantou a primeira árvore – um viçoso pé de magnólia, trazido pelo Dr. Paulo Alves, e do qual pendiam longas fitas brancas com os seguintes dizeres em letras douradas: “Niterói a Paquetá”. Em seguida, foram plantadas diversas mudas de oitis, todas também enfeitadas de fitas de papel.

Terminada a cerimônia com um eloquente discurso do Dr. Leôncio Corrêa, foi assinada uma ata, retirando-se, pouco depois, o Dr. Pereira Passos e demais autoridades.

Na formosa ilha, porém, continuaram os festejos.

Eram de se verem gentilíssimas senhoritas e respeitáveis matronas às voltas com galinhas recheadas, croquetes e assados previamente reduzidos a fatias. Uma alegria indizível reinava por toda a parte nesse piquenique monstro.

Ao anoitecer, praias e ruas iluminaram-se com verdadeiro esplendor. Fogos de artifício foram queimados nas principais enseadas, salientando-se um esplêndido vulcão marinho.

Pôs fim às imponentes diversões uma bizarra batalha naval, habilmente simulada, entre dois pequenos navios, cuja artilharia era representada por pistolões de lágrimas coloridas com bombas e por fogos de Bengala.

Uma das curiosidades do dia foi, no entanto, o casamento de dois pretos velhos negros idosos, realizado na Igreja de São Roque. O noivo, Manoel Gomes Pereira da Silva, contava 90 anos e a noiva, Perpétua Rita da Conceição, 40 primaveras. E andaram, radiantes de alegria, a passear por toda a ilha, de braço dado. Ele trajava sobrecasaca, cartola, gravata branca e… sapatos brancos; ela, vestido de cassa branca com raminhos verdes e sombra cor de rosa, cinto de couro amarelo e… uma flor no cabelo.

A fotografia destacada mostra a romântica Paquetá daqueles saudosos tempos. A segunda fotografia mostra a Capela de São Roque em Paquetá.

Fonte

  • Dunlop, Charles Julius. Rio Antigo. 3ª Tiragem ed. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo, 1963. (Composto e impresso na Gráfica Laemmert, Ltda.).

Texto original

DECRETO Nº 55.795, DE 24 DE FEVEREIRO DE 1965.

Institui em todo território nacional, a Festa Anual das Árvores.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando das atribuições que lhe confere o Art. 87, item I da Constituição,

DECRETA:

Art 1º Fica instituída em todo o território nacional, a Festa Anual das Árvores, em substituição ao chamado “Dia da Árvore” atualmente comemorado no dia 21 de setembro.

Art 2º A Festa Anual das Árvores tem por objetivo difundir ensinamentos sôbre a conservação das florestas e estimular a prática de tais ensinamentos, bem como divulgar a importância das árvores no progresso da Pátria e no bem-estar dos cidadãos.

Art 3º A Festa Anual das Árvores, em razão das diferentes características fisiográfico-climáticas do Brasil, será comemorada durante a última semana do mês de março nos Estados do Acre, Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia e Territórios Federais do Amapá, Roraima, Fernando de Noronha e Rondônia; e na semana com início no dia 21 de setembro, nos Estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Guanabara; Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.

Art 4º As comemorações ficarão a cargo dos Ministérios da Agricultura e da Educação e Cultura.

Art 5º Os casos omissos serão resolvidos pelo Conselho Florestal Federal.

Art 6º Êste decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Brasília, 24 de fevereiro de 1965; 144º da Independência e 77º da República.

H. CASTELO BRANCO
Hugo de Almeida Leme
Flávio Lacerda

Decreto nº 55.795, de 24 de fevereiro de 1965.

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